BM&FBovespa anuncia programa para facilitar abertura de capital de pequenas e médias empresas

publicado 09/09/2013 08h28, última modificação 09/09/2013 08h28
São Paulo – Amcham reuniu especialistas em mercado de capitais e empresas interessadas em se organizar para lançar ações
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A Bolsa de Valores de São Paulo aguarda do governo federal aprovação, até o final do ano, de um projeto para estimular ofertas públicas de ações de empresas de pequeno e médio porte. Um dos 12 itens propostos pela BM&FBovespa ao governo é a isenção de imposto de renda de ganhos de capital, por cinco anos, para quem comprar papéis dessas empresas menores que decidirem abrir seus capitais.

O presidente da Bolsa, Edemir Pinto, fez o anúncio na abertura do Encontro Nacional Mercado de Capitais, realizado pela Amcham na sexta-feira (06/09). O evento que aconteceu no prédio da BM&FBovespa reuniu especialistas em preparação de empresas para o mercado de capitais, como parte do Programa IPO da Amcham, voltado aos sócios de médio porte de todo o país que pretendem buscar fontes de recursos no mercado de capitais.

Além de Edemir Pinto, se apresentaram Gabriel Rico, CEO da Amcham – Brasil; Paulo Leme, chaiman do Goldman Sachs; Chakib Bouhdar, vice-presidente executivo global de valor ao cliente da SAP; Oliver Kamakura, diretor executivo sênior da EY; Felipe Zaghen e Luis Felipe Amaral, sócios do Equitas; Joaquim Oliveira, sócio do escritório de advocacia Souza, Cescon, Barrieu & Flesh; Luciano Quartiero, CEO da Camil Alimentos; e Henrique Muramoto e Piero Minardi, sócios da Gávea Investimentos.

Bolsa para pequenos

A expectativa da Bovespa é de que, com a aprovação pelo governo  até o final de 2013, o projeto entre em vigor já em janeiro. “E que o projeto se transforme num dos melhores acessos do mundo para pequenas e médias empresas ao mercado de capitais”, diz Edemir Pinto.

O projeto nasceu após um trabalho conjunto entre Bovespa, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Ministério da Fazenda, de diagnosticar a entrada de pequenos e médios no mercado de capitais, nas demais bolsas do mundo.

Além da isenção de IR de ganhos de capital para quem investir nessas empresas, o projeto propõe mais onze itens de incentivos para simplificar o processo e reduzir custos, como a taxa de manutenção do status de capital aberto, por exemplo. No geral, a decisão é de incentivar comprador das ações.

“As empresas estão famintas, o crédito atualmente disponível ou acabou ou é caríssimo. A opção é o mercado de capitais, então vamos criar incentivos”, declara o presidente da bolsa. “O  mercado de capitais se tornará uma das alternativas mais procuradas para o financiamento a longo prazo”, prevê.

O projeto será voltado a organizações que faturem até R$ 500 milhões anualmente. Ele prevê, ainda, um programa de governança corporativa para as empresas candidatas, além de redefinição nos conceitos de listagem.

Programa da Amcham

O Programa IPO da Amcham foca em 1300 associados de médio porte, espalhados pelas 13 regionais da Câmara, no Brasil. “É o segmento mais dinâmico da economia e mais diversificado, geograficamente. E todas têm necessidades em comum, como a profissionalização, a governança e funding”, comenta Gabriel Rico, CEO da Amcham.

Em atividade desde 2010, o programa realiza seminários anuais em cinco regionais do país, para apresentar aos potenciais candidatos ao mercado de capitais todo o processo que envolve a tomada desses recursos, como governança corporativa, custos, reestruturação societária, entre outros.

Nesses três anos, a Amcham já levou 61 empresas em missão aos Estados Unidos, na parte final do Programa IPO. O objetivo é colocá-las em contato com companhias norte-americanas que utilizaram o mercado de capitais. Juntas, essas empresas brasileiras somam R$ 61 bilhões de faturamento.

Uma delas é a mineira Locamérica, de aluguel de veículos, que participou da missão em 2009. Como resultado do programa, a companhia abriu o capital em 2012, movimentando R$ 300 milhões, na captura inicial.

Negócio atraente

A rotina de Chakib Bouhdary, pela SAP, é rodar o mundo conversando com investidores. Dessa experiência, ele trouxe alguns pontos, para a conversa com os empresários reunidos pela Amcham.

Ele diz que normalmente encontra três razões, por trás das vendas de papéis de companhias. Uma é quando o negócio já está maduro e o empreendedor avalia que só continua nele para que funcione, decidindo, então, que é hora de sair.

Outro motivo é quando o fundador não vê disposição dos filhos, para tocar o negócio, e identifica nesse processo um meio de renda. Ou então, acrescenta o executivo da SAP, é o desejo de diversificar os negócios.

“Nesse caso há ambições grandes, inclusive para ter uma equipe forte e dar um salto maior. Como não dá para investir do próprio bolso, o empresário vai ao mercado. Para mim, é o motivo mais atraente”, afirma.

Para quem pretende se lançar no mercado de capitais, Bouhdary comenta que, quando vai a road show com investidores, sempre se faz a pergunta “como discutir o negócio em minutos”. Para o executivo, a única maneira de conseguir essa façanha, com sucesso, é chegar preparado, exibindo o nível de maturidade do negócio. “Senão, você gasta mais tempo falando dos riscos do que o histórico da empresa”, destaca.

O essencial, para Bouhdary, é que a empresa seja inovadora e tenha um modelo de negócio transparente e que seja factível. Para tanto, é necessário ter infraestrutura, como tecnologia adequada, recursos humanos qualificados e plano para manter os custos enxutos.

Cenário macroeconômico

O chairman do banco de investimentos Goldman Sachs, Paulo Leme, abriu sua palestra reverenciando “o dinamismo e a capacidade de adaptação e sobrevivência do empresário brasileiro”, em função das sequências de mudanças de plano econômico, ao longo da história da economia brasileira.

Ele diz que o país avançou, quando se considera, por exemplo, que não há mais quebras de contratos pelo governo. No entanto, ressalta que a condução da economia no país tem lançado instrumentos inadequados, como o controle da inflação pelo câmbio.

O ano de 2012, diz Leme, deve fechar com um crescimento da economia ligeiramente acima de 2%. Em 2014, por volta de 2,5%. “Teremos um crescimento relativamente baixo, inflação reprimida com tendência a subir e meta da inflação pouco ambiciosa, de 4,5%, enquanto vizinhos têm de 2,5%”, comenta.

O cenário externo também deve ser considerado, para os investimentos no Brasil. “Quanto mais o FED (banco central americano) demorar para pôr o pé no freio (dos estímulos à economia), melhor para o Brasil”, diz. Nesse caso, haveria redirecionamento de investimentos dos países emergentes para os Estados Unidos, explica.

Segundo Leme, a perspectiva para o Brasil seria “espetacular”, não fosse a condução atual da política econômica, que deve continuar, em uma reeleição da presidente Dilma Rousseff. “Eventualmente chegaremos ao paraíso, mas o caminho será muito esburacado, nos próximos 18 meses”, adverte.

 

 

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