Brasileiro produz mais com uso de tecnologia

por giovanna publicado 14/01/2011 18h09, última modificação 14/01/2011 18h09
São Paulo – Funcionários trabalham melhor quando podem usar equipamentos de comunicação próprios, analisa diretor da Unisys.
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Louco por tecnologia, o brasileiro produz muito mais que seus colegas mundo afora quando consegue usar dispositivos tecnológicos próprios – como celulares ou notebooks – e redes sociais para o cumprimento das obrigações diárias de trabalho, dentro ou fora dos escritórios. Isso em função de sua habilidade para aliar versatilidade e emprego eficiente de ferramentas inovadoras, aponta Roberto Carvalho, diretor de Negócios e Outsourcing da Unisys.

“O brasileiro busca apoio nas novas tecnologias para se tornar cada dia mais produtivo”, disse Carvalho, que participou de reunião do comitê de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (14/01).

O acesso ampliado a tecnologias que estavam longe do alcance do brasileiro em um passado recente criou uma demanda reprimida que só agora está sendo preenchida, avalia Carvalho, que tem passagens por empresas da Europa e Estados Unidos. Ele fez palestra na Amcham sobre a tendência conhecida como “consumerização” da Tecnologia de Informação (TI), ou seja, os impactos que as empresas estão sofrendo com a crescente adesão de seus empregados a tecnologias e modelos de comunicação desenvolvidos para o consumo final, e não sob o comando e o controle das áreas de TI.

Como exemplo desse movimento, Carvalho lembrou que há cada vez mais casos de recrutadores de pessoal consultando currículos na rede social LinkedIn e funcionários acessando e-mails de trabalho em celulares ou notebooks próprios fora do ambiente de escritório.

Pesquisa

Em setembro de 2010, a Unisys apresentou os resultados de uma pesquisa feita em dez países sobre quanto os funcionários usam equipamentos próprios na execução de suas tarefas profissionais. Conforme o levantamento, as empresas percebem que, ao terem permissão para esse tipo de ação, os empregados se sentem fortalecidos e se tornam mais produtivos.

Do total de 2.820 funcionários entrevistados, 95% dizem usar pelo menos um dispositivo adquirido por eles próprios no desempenho de suas atividades profissionais. No Brasil, onde 300 funcionários responderam à pesquisa, o percentual obtido foi semelhante, de 92%.

Entre os 646 gestores de TI consultados, 45% afirmam se sentirem confortáveis quando podem adotar seus próprios equipamentos. No Brasil, foram ouvidos 100 gestores e 47% deram a mesma resposta.

Segurança

Com o acesso a informações fora de ambientes seguros – como a intranet ou os computadores dentro das corporações –, aumentam as chances de se abrirem brechas de segurança para as empresas, que se revelam preocupadas com essas novas formas de trabalho.

Para Carvalho, a mobilidade é uma tendência irreversível e tentar restringi-la não resolve ou minimiza riscos. “É preciso definir políticas de relacionamento entre o empregado e o empregador para que se tenham níveis formais de responsabilidade”, assinalou.

No Brasil, um consenso sobre a nova forma de trabalho ainda está distante e passa pela falta de definições legais. Um dos pontos mais críticos nesse sentido diz respeito à relação em que se tem o profissional trabalhando da sua casa, acessando assuntos de trabalho a qualquer lugar e hora.

 

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