Busca por diferenciais é exemplo para empreendedores adotado pela Giuliana Flores

por andre_inohara — publicado 25/05/2012 13h12, última modificação 25/05/2012 13h12
André Inohara
São Paulo – Empresa se destaca no ramo de floricultura ao oferecer serviços que vão além da entrega de flores.
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Desde que montou sua floricultura aos 19 anos, Clóvis Souza sempre buscou a diferenciação. Sua empresa, Giuliana Flores, foi batizada com o nome da namorada da época, Giuliana, porque Souza achou a grafia “diferente”.

Em 2000, começou a vender flores pela internet, e para isso aperfeiçoou sua logística de entregas e conseguiu firmar parcerias com grandes marcas, o que ajudou a impulsionar seu negócio.

Hoje, a Giuliana Flores é a maior floricultura da Grande São Paulo, e líder no mercado de venda de flores online, com 55% de participação. Para atender a todos os pedidos de entrega de flores, conta com uma equipe de 120 colaboradores mais uma frota terceirizada de transportes.

Inovar é uma necessidade constante, disse Souza. Confira a entrevista de Souza concedida após ele participar do Encontro de Empreendedores realizado pela Amcham-São Paulo na quinta-feira (24/05).

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Amcham: Atuando em um setor onde o produto é praticamente o mesmo em todo lugar (flores), como o sr. conseguiu criar um modelo vitorioso de negócios?

Clóvis Souza: Floricultura se encontra em qualquer esquina, então tivemos que buscar algo diferente. Pode ser um diferencial na entrega, agilidade e praticidade maiores na compra, e também ter grandes marcas junto à nossa, como Kopenhagen, Boticário, Havana e Ofner (a Giuliana também oferece arranjos florais acompanhados de outros produtos).

Amcham: Fazer diferente é uma forma de inovação. Em sua opinião, como ela pode gerar valor ao seu negócio?

Clóvis Souza: A inovação é constante em meu negócio. Todo dia surge uma coisa nova, como o Facebook e o Twitter. Agora é o mobile commerce, serviço de venda por dispositivos móveis (celulares, tablets) que devemos lançar no próximo mês (junho) e em que estamos trabalhando há seis meses. Para nós, é extremamente importante estar na rede social, por exemplo. Estou sempre preocupado com quantas visitas conseguimos no dia e o volume de pessoas que estão falando da nossa marca. Temos cerca de 140 mil pessoas cadastradas em nossas redes sociais, mas quantas delas estão falando da nossa marca? Sabemos que ali não se geram vendas, mas, se uma pessoa ganha flor e divulga isso na rede, é bom para nós. Se a experiência é positiva, vou comprar flor daquela floricultura.

Amcham: Como o sr. conseguiu se diferenciar em sua empresa?

Clóvis Souza: Não tinha capital e, aos 19 anos, tive a oportunidade de ser sócio da mãe da Giuliana, minha ex-namorada, na década de 1990. Juntamos nosso pouco capital, aproximadamente R$ 15 mil em dinheiro atual, e montamos uma loja pequena. Era uma coisa muito simples, tanto é que o piso e as prateleiras fomos nós mesmos que fizemos. Nossa loja ficava no meio de outras duas floriculturas, uma delas existia havia 25 anos e a outra, 17 anos. Tínhamos que ser diferentes, senão como iríamos disputar com elas? Na época, trabalhava com catálogos, distribuía meu portfólio para todos os clientes dos arredores. Também fazia vendas por telefone: a pessoa ligava e eu digitava o número do cartão de crédito. Era uma forma de facilitar a venda para os clientes. Foi aí que descobri a internet e fiquei fascinado.

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Amcham: Porque o sr. optou pela internet?

Clóvis Souza: Depois de dez anos, já tínhamos certa estrutura, com loja física e carros. Ainda era uma loja de bairro, não tinha dinheiro, mas precisávamos trazer visibilidade de alguma forma. Quando parti para a internet há doze anos (2000), estava engatinhando. Nem tinha a noção de grandeza da internet. Ela havia acabado de sair de uma bolha e eu nem estava sabendo disso. Consegui, por meio de parcerias, fazer o negócio andar. A primeira grande marca parceira da Giuliana Flores foi com o Bradesco.

Amcham: O comércio eletrônico trouxe crescimento para seu empreendimento. No entanto, é uma modalidade bastante sensível à logística de transportes. Como o sr. administra essa questão?

Clóvis Souza: A logística é extremamente importante para meu negócio. Entregar flor é diferente de televisão, tênis, pois tem a ver com sentimentos. Se o aniversário de uma pessoa é hoje, a flor não pode chegar amanhã. Por isso, tive que trazer a inteligência logística para dentro da empresa. Os entregadores são terceirizados, mas a roteirização e a logística são feitas dentro da empresa.

 

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