Com mais eficiência, mercado brasileiro de TI poderia estar faturando US$ 35 bilhões a mais por ano

por andre_inohara — publicado 12/07/2011 14h47, última modificação 12/07/2011 14h47
São Paulo – Participação do setor no PIB pode crescer de 4% para 6% até 2020, permitindo receitas ainda maiores diante da evolução da economia como um todo, calcula presidente da Brasscom.
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O mercado brasileiro de Tecnologia da Informação (TI) movimenta atualmente US$ 85 bilhões por ano, mas poderia estar faturando até US$ 120 bilhões. Essa diferença de US$ 35 bilhões representa segmentos ainda não explorados, como o setor público, além de custos elevados decorrentes de gargalos de competitividade da economia nacional.

“O potencial de mercado de TI no Brasil é maior do que o que está sendo aproveitado”, disse Antonio Carlos Rego Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), em participação no comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (12/07).

Segundo ele, nos Estados Unidos, o mercado de TI representa 6% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto no Brasil se resume a 4%. Para Gil, o Brasil poderá ter esse mesmo nível de participação do setor até 2020. Até lá, com o crescimento esperado para a economia no período, alcançar essa fatia significará que as receitas do segmento poderão alcançar entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões.

Para o setor privado antecipar esse crescimento, terá de explorar mais as oportunidades de prestação de serviços de tecnologia junto à iniciativa pública, indicou o especialista.

“Há uma série de áreas que ainda não foram atendidas, principalmente em governos estaduais. A tecnologia da informação tem aplicações enormes para a gestão de orçamentos na área da saúde e em muitas outras”, exemplificou.

Custos de mão de obra seguram competitividade

Para Gil, apesar de ser um excelente produtor de tecnologia e do esforço de seus empresários, o Brasil tem dificuldades de competir em função das deficiências estruturais da economia.

“Temos as melhores tecnologias de serviços bancários, urna eletrônica e equipamentos para exploração de petróleo no mar, mas também os custos mais caros de mão de obra e tecnologia”, comparou.

Para Gil, os bons salários pagos pelo setor têm a ver não só com o aquecimento da procura por profissionais, mas também pela elevada incidência de encargos trabalhistas.

“Um analista de sistemas em São Paulo é tão caro quanto em Nova York. São profissionais muito bem pagos.”

Para desonerar a folha de pagamentos do setor, a Brasscom propôs ao governo federal a substituição da contribuição previdenciária do INSS do empregador (em torno de 8%) por um percentual do faturamento das empresas em torno de 3%.

“Esse projeto deve ser votado em agosto no Congresso, e estou otimista com a sua aprovação”, assinalou.

Além de mão de obra mais barata, o Brasil precisa criar profissionais em número elevado. Um levantamento da Brasscom sobre a necessidade de mão de obra especializada revela que serão necessários mais 750 mil profissionais para o setor até 2020. Atualmente, o Brasil possui cerca de 1,2 milhão de profissionais de TI.

Para atrair profissionais mais jovens e profissionais em início de carreira, a remuneração salarial é um ponto a ser explorado, segundo o gerente sênior de TI da Tivit, Leonardo Brito Gibrail.

“Formalizar aos jovens o potencial salarial maior de uma carreira em áreas de desenvolvimento de TI é uma das formas de atrair pessoas”, comentou.

Também faltam estímulos à inovação tecnológica

A escassez de produção tecnológica é outro gargalo que precisa ser enfrentado. A Tivit, integradora de serviços de TI, compra todos os equipamentos tecnológicos dos grandes fabricantes mundiais para utilizar em seus clientes.

Como há falta de similares nacionais em muitos casos, as empresas brasileiras têm que importar a um custo maior, disse Gibrail, da Tivit.

No Brasil, as fábricas estrangeiras apenas montam os dispositivos, aproveitando-se dos incentivos fiscais, informou o executivo.

Para Gil, da Brasscom, os empresários ainda não acordaram para a importância do desenvolvimento de tecnologia própria.

“Preferem comprar (equipamentos) a desenvolver. A inovação ainda não está embutida na cabeça dos empresários”, observou.

 

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