Considerada caminho sem volta, terceirização de serviços ajuda empresas a se concentrarem em seu core business

por marcel_gugoni — publicado 11/06/2012 14h16, última modificação 11/06/2012 14h16
São Paulo – Prestador de serviços diz que quem transfere atividades marginais ganha em economia e produtividade.
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A terceirização de serviços é um movimento sem volta no mundo empresarial, considera Adriano Macedo da Fonseca, diretor executivo da empresa de vigilância e segurança Proguarda. “É um caminho sem volta porque sempre tem alguém terceirizando algo e se especializando para fornecer um serviço melhor a preços mais baixos”, analisa. 

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O essencial é que a terceirização permite às companhias focarem em suas especialidades, isto é, o seu core business, sem precisarem se preocupar com outras atividades de suporte do dia a dia, ao mesmo tempo em que ganham em economia de custos e em produtividade, resume ele, que participou nesta quinta-feira (14/06) do comitê aberto de Business in Growth (BiG) da Amcham-São Paulo. A reunião debateu o tema da terceirização de serviços como aliado para a expansão dos negócios. 

Fonseca diz que a terceirização envolve uma ampla gama de serviços, da segurança até o controle de sistemas de tecnologia, da contabilidade à limpeza, do transporte de cargas à jardinagem. “O mais importante é que ela vem para contribuir com o crescimento das empresas porque tira a preocupação com certos setores marginais”, defende. 

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Maior produtividade 

Os benefícios da terceirização envolvem sobretudo ganho de produtividade com redução de custos. “Essas prestadoras de serviço vendem sua expertise”, avalia. “A empresa [que contrata] tem um ganho porque transfere, por exemplo, os gastos com treinamento e contratação de funcionários, que têm um custo enorme em quesitos trabalhistas.” 

Isso dá mais espaço e tempo para que a companhia foque em seu próprio negócio. “As atividades que têm relação direta com o produto final não podem ser terceirizadas, devido ao risco de perder em qualidade”, explica. “Mas tudo o que não impacta no core business é válido terceirizar.” 

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“A cadeia é ampla, está muito onerosa e, para ganhar escala e focar no produto, tem é preciso terceirizar”, defende. “Mais do que nunca as companhias são demandadas a entregar qualidade. Para isso, elas têm que contar com empresas auxiliares que as apoiem. 

Contas apresentadas pelo empresário apontam para uma economia inicial de 15% a 20% nos custos de mão de obra referentes a serviços gerais e segurança a partir da substituição de profissionais próprios por terceirizados. “Em um ciclo de 36 a 60 meses, as reduções podem chegar até a ordem de 50% na comparação com os mesmos profissionais internos.” 

Custos intangíveis 

Na opinião de Fonseca, a terceirização é válida também pela economia de custos intangíveis. “Quanto custa ter uma operação segura? Quanto vale a preservação do pessoal interno, da marca, do share? Quanto custa uma notícia negativa em jornal sobre um assalto em determinada empresa?”, questiona. 

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O executivo estima que haja em torno de 1500 empresas prestando trabalho de segurança, vigilância e serviços gerais, como manutenção predial, limpeza, registro em portaria, carga e descarga e jardinagem. Dados de 2010 da Federação Nacional de Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) apontam para 5 milhões de profissionais nesta área. 

Fonseca mesmo diz que, em sua empresa, terceiriza o que não é core business: trabalhos de BackOffice – como contabilidade e auditorias –, transporte e frotas, tecnologia da informação e sistemas e até arquivos para guardar os contratos de trabalho de todos os funcionários que já passaram por lá. 

Setores 

Bancos, hotéis e locadoras de veículos estão entre os maiores contratantes de terceirizadas. “No caso dos bancos, não se pode ter agência sem vigilância”, afirma Fonseca. “Durante o dia, é lei que haja vigilância humana e armada, de dois a três membros por agência. Neste caso, terceirizar é estratégico.” 

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Ele comenta que tem clientes que são usinas de álcool e terceirizam desde a montagem da usina, para automatizá-la, até o plantio, a colheita e o transporte. “É uma cadeia produtiva que se soma para chegar ao produto final que é o álcool, a energia ou o açúcar.” 

Em hotéis, boa parte dos serviços é terceirizada, da lavandeira ao restaurante ou bar. “Há até hospitais que terceirizam a parte de quarto do hospital, mantendo só o centro cirúrgico e pó ronto-socorro no seu core business.” 

A chave para escolher uma empresa terceira é a mesma usada para achar um lugar para se hospedar: “É preciso ser criterioso para escolher as empresas, ver quem é auditado e recolhe impostos, obter informações e opiniões de quem já usou e buscar quem é reconhecido no mercado”. 

Também participou como palestrante do comitê Vander Guerrero, CEO da Human Mobile e Comunika.

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