Conveniência, praticidade e relevância definem apps de sucesso na visão das empresas

por marcel_gugoni — publicado 12/06/2012 18h01, última modificação 12/06/2012 18h01
Marcel Gugoni
São Paulo - Aplicativos de celulares são apontados como ferramentas para fidelizar o cliente e facilitar o dia a dia de trabalho nas empresas.
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A mobilidade já faz parte do dia a dia das pessoas. Os smartphones e tablets capazes de realizar tarefas simultâneas estão, literalmente, na ponta dos dedos e oferecem um potencial para divulgação de marca e para o relacionamento com o usuário só visto no começo da internet. Os aplicativos são a chave para entrar neste mundo, mas eles só se destacam se oferecerem soluções convenientes, práticas e relevantes.

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Essa foi a tônica do debate do comitê aberto de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (12/06). A reunião tratou do tema “Aplicativos móveis, potencializando as oportunidades para o seu negócio e descobrindo novos limites”.

Ricardo Longo, CEO da FingerTips, empresa especializada no desenvolvimento de soluções móveis, afirma que o que as pessoas mais buscam quando baixam aplicativos, os chamados apps, são meios para facilitar seu dia a dia. “O desenvolvimento tem de focar nas pessoas não só para que gostem do aplicativo, mas para que seja algo relevante”, defende. “Isso garante que o programa tenha sucesso e a empresa atinja seu objetivo, que é gerar lucro.”

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Podem ser ferramentas tanto para fidelizar o cliente quanto para facilitar as rotinas de trabalho dentro de uma companhia. E essas são duas das inúmeras possibilidades que os apps oferecem. Longo diz que é preciso pensar não só no app para smartphone, mas para o navegador do computador da casa, para as redes sociais e até para televisões inteligentes – a próxima fronteira da tecnologia. “Hoje existe uma concorrência enorme em termos de quantidade de aplicativos. As telas e meios se complementam.”

Segundo o executivo da FingerTips, a convergência também é um caminho sem volta. “As pessoas estão em movimento. Então, é preciso fazer um aplicativo pensando em acompanhar todos os momentos da vida delas”, reforça. “Muitas vezes, vemos que as pessoas começam uma tarefa em uma tela e terminam em outra. Começam a ler o e-mail no smartphone, tentam responder, mas o trânsito anda, aí, quando chegam ao computador, terminam de responder do ponto em que pararam.”

Potencial do mercado

Longo conta que a FingerTips foi fundada em 2008, na onda da criação da AppStore – canal da Apple de venda de aplicativos e programas para celular e tablet –, e em 2011 já havia multiplicado seu faturamento por 30 – de R$ 300 mil no primeiro ano para R$ 9,2 milhões. O resultado, por si, já demonstra a velocidade com que o mercado de aplicativos para celular se move.

“Só em 2011, foram feitos 30 bilhões de downloads de aplicativos em todas as plataformas [no mundo]”, diz ele, incluindo os sistemas operacionais Android, do Google, e iOS, do iPhone. “É um crescimento de 230% sobre 2010.”

Dados de março último da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontavam para a existência de mais de 250 milhões de linhas de telefone móvel no País, que tem menos de 200 milhões de habitantes. Só de linhas 3G – as que melhor funcionam com smartphones –, o total de linhas chegou a 52 milhões.

Fugindo do trânsito

Rafael Caetano, gerente de Canais Eletrônicos e Gestão de Clientes da Porto Seguro, diz que “os consumidores buscam de tudo pelo celular e há pesquisas que mostram que 73% das pessoas não saem de casa sem seus dispositivos móveis.”

O percentual faz parte de uma pesquisa feita pelo próprio Google a partir do uso do sistema Android. O levantamento mostrou que quase a totalidade usa aplicativos quando está em casa (96%), enquanto o trabalho aparece em segundo lugar (82%), seguido por restaurantes (69%), lojas (66%) e trânsito (64%).

Caetano conta que foi justamente pensando no trânsito que a Porto Seguro investiu no ramo de aplicativos. O app Porto Vias, lançado em julho do ano passado, é capaz de medir o trânsito de uma região e localizar o celular por meio do GPS a fim de oferecer alternativas, como vias menos congestionadas e caminhos mais rápidos. “É claro que ele tem o objetivo de acertar, mas sabemos que o trânsito muda rapidamente.”

Caetano conta que a ideia nasceu de uma necessidade da própria seguradora por um sistema que apontasse a localização de veículos furtados. “Agora o sistema é capaz de pedir um guincho de socorro e mostrar até onde ele está em tempo real”, afirma. O resultado foram mais de 61 mil downloads, em quase um ano de atividade.

Para o gerente, o segredo de um bom app é “gerar conveniência e praticidade com serviços mobile”. Longo complementa: “é importante que ele converse com as tecnologias já existentes”.

Dormindo melhor

A qualidade de vida foi o foco do app desenvolvido pela indústria têxtil Coteminas para divulgar a marca de jogos de cama, mesa e banho Santista. Mario Sette, diretor comercial da Coteminas, afirma que o programa chamado Durma Bem com Santista tinha uma proposta bem simples: avaliar a qualidade do sono dos consumidores e oferecer dicas simples de como relaxar melhor.

“Conseguimos nos aproximar do cliente porque o sono é um assunto em que as pessoas estão interessadas e sabem que causa impacto no dia a dia”, explica Sette. “Por meio de pesquisas, identificamos as preocupações dos consumidores sobre como dormir e, com um diagnóstico rápido do ambiente do quarto e do hábito de dormir, damos dicas para melhorar a qualidade do sono.”

A meta de ser um sistema que preza pela qualidade de vida se somou à praticidade e à diversão para fidelizar o cliente, ressalta. “Foram acrescentadas ao programa funcionalidades como músicas calmas e sons da natureza para relaxar, um despertador para a hora de acordar, informação sobre o tempo e até um dicionário de interpretação dos sonhos para descontrair.”

Sette destaca que não é possível comprar nada pelo programa, nenhuma fronha ou lençol – essa função é do site da empresa. “Não queremos vender nada. O que queremos é que a marca se aproxime do cliente.”

Apesar de não ter uma possibilidade de retorno mensurável, como os lucros das vendas, o executivo diz que a divulgação espontânea trouxe muito mais retorno do que o custo de desenvolver o aplicativo, que foi inferior a R$ 10 mil. Após o lançamento, o app chegou a ser um dos mais baixados da loja da Apple na categoria de programas grátis.

Os especialistas concordam que só o custo do app não é, necessariamente, uma boa mensuração de retorno. Da mesma forma, só o total de downloads também não representa sucesso em torno do capital aplicado no programinha. Para Longo, o ideal é haver uma medição de retorno que pondere o custo do aplicativo, o número de pessoas que o baixaram e o total de tempo que gastam no uso dele.

Celular em risco

Ao mesmo tempo em que o aumento do uso atrai mais e mais consumidores, crescem as ameaças.  André Carrareto, estrategista de Segurança da Symantec, empresa especializada em segurança de TI, defende que, “só em 2012, aumentou sete vezes a quantidade de famílias de malware [vírus e outras ameaças virtuais] para dispositivos móveis”.

“O aplicativo em si geralmente é desenvolvido pensando no uso seguro, mas vemos que as plataformas móveis têm atraído cada vez mais atenção inclusive de quem desenvolve programas maliciosos.” A saída é baixar aplicativos de antivírus e outras proteções.

Adesão corporativa

Uma pesquisa apresentada por Carrareto durante o comitê mostra que 82% das empresas implementaram ou estão implementando aplicações móveis personalizadas, e 67% têm aplicações específicas para seus próprios negócios – seja na área de vendas, de registros operacionais ou de outras tarefas dos funcionários. O levantamento, da Symantec, ouviu 6.275 organizações de vários setores e tamanhos em 43 países.

“A previsão de crescimento é bastante positiva, com possibilidade de avanço grande porque muitas pessoas, principalmente no mundo corporativo, podem passar a fazer seu trabalho com um tablet ou smartphone. Então, podemos adotar as plataformas para o dia a dia”, defende. “O segredo é prezar pela experiência do usuário. É muito mais importante do que só um aplicativo bonito ou caro.”

Longo conclui: “O tempo de uso de aplicativos vem aumentando de modo acelerado, ultrapassando empregado na internet em browsers, por exemplo, e os aplicativos estarão presentes o dia todo. Hoje mesmo já ocorre de se usarem aplicativos passivos. São pulseiras medindo os sinais vitais e contando os passos que você dá durante o dia, que mandam esses dados para a internet, ou apps que fazem check-in automático nos lugares em que você está entrando. Isso significa que você está usando aplicativos sem precisar olhar para tela nenhuma. Cada vez mais, eles trabalharão por você sem necessidade de uso integral.”

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