Crescimento motiva empreendedores a buscar serviços de auditoria para melhorias administrativas e operacionais

por andre_inohara — publicado 19/07/2012 16h51, última modificação 19/07/2012 16h51
São Paulo – Além de pareceres sobre a idoneidade e adequação dos demonstrativos financeiros das empresas, auditorias tratam de questões de melhoria de controles internos, organização societária e eficiência administrativa e tributária.
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A expansão das empresas brasileiras nos últimos anos é a grande motivadora por trás da procura por serviços de auditoria, mas ela não é a única.

“Um banco que vai conceder crédito ou um fundo de private equity que queira investir vão exigir balanços auditados. Mas, à medida que o negócio vai crescendo e o empreendedor sente que começa a ter que confiar mais em controles internos, recorre à auditoria”, disse André Viola Ferreira, sócio líder de Estratégia em Mercados Emergentes da Ernst & Young Terco.

Na Amcham-São Paulo, Ferreira participou da reunião conjunta dos comitês de Business In Growth (BIG) e de Finanças realizada nesta quinta-feira (19/07), e falou sobre a atuação das auditorias. “Elas ajudam na execução dos negócios”, afirma.

O contexto de expansão de crescimento é um motivador para a demanda aquecida por serviços de auditoria, “tanto que elas estão crescendo acima do PIB (Produto Interno Bruto)”, segundo Ferreira.

Nesse contexto, essas firmas não estão sendo contratadas apenas para emitirem pareceres sobre a idoneidade e adequação dos demonstrativos financeiros das empresas, mas também em questões que vão desde a melhoria de controles internos, questões societárias até a eficiência administrativa e tributária.

Segundo Ferreira, a adequação das demonstrações financeiras traz uma série de vantagens. Como o trabalho contábil exige interação com os responsáveis da empresa, é possível transmitir conhecimento atualizado da contabilidade brasileira e internacional.

O intercâmbio se estende também à parte estratégica, como a organização das unidades de negócios, sugestões de melhoria em controles internos, sistemas e tributos, além da discussão sobre riscos inerentes à companhia.

“Muitas vezes, uma empresa que está iniciando suas atividades está focada em fazer o negócio acontecer na parte comercial e operacional. A área administrativa acaba ficando em terceiro plano e a auditoria pode ajudar, por exemplo, na gestão de custos”, observa o executivo.

Em pequenas e médias empresas (PME), as auditorias podem mostrar como chegar a uma meta determinada estabelecendo etapas a cumprir e identificando riscos, exemplifica Ferreira.

Transparência

A necessidade de recursos obrigou as empresas a se abrirem mais para o mercado, pois precisam prestar contas a um público cada vez maior. Entre eles, estão o governo, clientes, fornecedores, agentes de financiamento, acionistas e administradores.

Com isso, o conceito de transparência nos negócios está cada vez mais enraizado no mercado. “A transparência tem várias dimensões: profissional, clientes e mercado. Mas o mais importante para as empresas é que elas visualizem os benefícios de se atuar dessa forma”, segundo Ferreira.

Veja aqui: Empresas com controle maduro de riscos têm melhor resultado operacional, mostra pesquisa da Ernst&Young

Case da Carbo Gás

Para oferecer seu produto no mercado a Carbo Gás, produtora pernambucana de gás carbônico, decidiu que precisava melhorar a qualidade não só de seu produto, mas também de toda a gestão administrativa e operacional. Por isso, contratou uma empresa de auditoria para ajudar a melhorar os controles internos, gestão de caixa e a parte tributária.

Atuando em um ramo onde a concorrência vem de grandes empresas como a White Martins e Air Liquide, a Carbo Gás conquistou seu espaço e hoje tem em seu portfólio clientes como a Coca-Cola.

Cliente exigente, a maior fabricante mundial de refrigerantes chegou a analisar os demonstrativos da sua companhia para avaliar a sua capacidade de fornecimento, lembra Fernando Mota, diretor executivo da Carbo Gás. “Hoje temos auditoria interna, externa e também de clientes”, conta o diretor.

As auditorias feitas por clientes são as mais rigorosas. “Toda empresa tem que se preparar para elas. Se você quer fornecer para uma grande empresa, tem que ter padrão internacional de qualidade”, destaca.

Para Mota, é preciso encontrar uma forma produtiva de trabalhar com os auditores. Na Carbo Gás, há um plano de melhoria continua, baseado nos relatórios de recomendação da auditoria. “Transformamos os pontos abordados em um plano de ação, especificando quem vai resolver e quando”, comenta.

Veja aqui: Empresa que não gerencia risco paga mais ao deixar problema se materializar, dizem executivos

 

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