Delegar decisões é difícil, mas resultados compensam

por giovanna publicado 18/01/2011 17h59, última modificação 18/01/2011 17h59
São Paulo – Empresários dizem que processos de transição de comando são bem-sucedidos quando baseados em confiança.
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Empresários que conduziram processos bem-sucedidos de descentralização administrativa revelam que o processo é difícil por se basear em uma forte relação de confiança, mas compensador.

“Quando os altos executivos ou donos entenderem que a empresa está crescendo e que não estão dando conta do recado é que descentralizarão”, indicou a consultora Marina Gonzalez, da MOT – Mudanças Organizacionais e Treinamento, em participação no comitê Business in Growth da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (18/01).

Jefferson Penteado, presidente da empresa de segurança digital Blue Pex, que também esteve no encontro, é exemplo de quem decidiu compartilhar mais a gestão. A opção, no caso dele, foi o caminho para diminuir o ritmo de trabalho e dar mais atenção à vida pessoal em um momento complicado. “Percebi que trabalhava muito e queria passar mais tempo com a família”, contou.

Para formalizar seu afastamento das decisões diárias, Penteado criou dois comitês de decisão: um de acionistas, representado por ele próprio, e outro de gestores. As coisas começaram a mudar quando os gestores perceberam ter autonomia para se reunir e decidir sobre a execução de tarefas. “Aceitei algumas decisões desse comitê (de gestores) que sabia serem erradas; porém, se não permitisse, as coisas nunca mudariam”, relatou.

Para ele, o balanço da descentralização foi positivo do ponto de vista pessoal – “Hoje passo um terço a menos do meu tempo na empresa” – e também para o negócio. Em quatro anos, a Blue Pex triplicou o faturamento e expectativa é que cresça 100% neste ano e novamente em 2012.

Confiança gera resultados

A bioquímica Janete Vaz, presidente do Laboratório Sabin e do comitê de Saúde da Amcham-Brasília, percebeu que precisava delegar tarefas quando sua empresa de medicina diagnóstica no Centro-Oeste contava com 200 funcionários.

Na época, uma pesquisa apontou que os colaboradores viam nela e em sua sócia, Sandra Costa, líderes imediatas, e esse resultado impulsionou grandes transformações. Ser o referencial de tantas pessoas foi o motivo para a decisão de treinar pessoas para tocar o dia a dia, explicou Janete. Segundo ela, o processo vivido no Sabin mostrou que é preciso criar relações de confiança e transparência para se ter equipes engajadas.

Atualmente, o Laboratório Sabin conta com 958 funcionários. De 2003 a 2010, as receitas com exames aumentaram 416% e o faturamento, 365%. Nos últimos anos, o Sabin também apareceu várias vezes como uma das 100 melhores empresas para se trabalhar entre as principais publicações especializadas de gestão de pessoas.

 

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