Ecom Energia nasceu em meio ao racionamento, em “uma sala sem janelas”, diz seu fundador

publicado 05/11/2014 09h44, última modificação 05/11/2014 09h44
São Paulo – Márcio Sant’Anna conta como ele e o sócio acertaram ao abrir a comercializadora de energia
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Em meio à crise do apagão de energia, Márcio Sant’Anna e seu sócio abriram uma comercializadora de energia no novato mercado livre, em que grandes consumidores compram fora do ambiente de preços regulados. Nascia, em 2002, a Ecom Energia, numa “sala sem janelas”, conta o presidente da empresa, que esteve no VII Encontro de Empreendedores da Amcham - São Paulo, terça-feira (04/10).

Participaram ainda Carla Sarni, presidente da Sorridents (leia mais aqui); Júlia Maciel, fundadora do Clube do Zero; Leandro Mantovani, presidente da Keko (leia mais aqui); e Marcelo Cesana, CEO da Frooty Açaí.

A razão da modesta locação inicial da Ecom era o aprendizado que Sant'Anna teve com um empreendimento anterior, uma pizzaria que tocou por dois anos. “Superestimei e abri uma pizzaria bonita demais, grande. Tivemos que vender o carro de minha mulher e quase perdemos o apartamento por causa dessa soberba. Quando abrimos a Ecom, decidimos nos instalar nessa sala sem janelas, mais barata, até o negócio crescer”, revela, sobre uma de suas primeiras lições de empreendedorismo.

A ideia de montar a comercializadora veio quando ele trabalhava na área comercial da CPFL. Sant’Anna e o sócio montaram um plano de negócios “que não ficou tão bom”, segundo ele próprio, e o apresentaram a um investidor.

Energia inicial

O salário inicial, recorda, era 45% do que ganhava antes, quando executivo. “Precisava ao menos ter as contas pagas”, cita. “Quem fala que empreender é fácil está mentindo. Empreender é muito mais a vontade de fazer acontecer, sabendo que haverá muito sacrifício”, diz. “Demorei dois anos para ter o primeiro contrato assinado. A família sofreu muito, não vi minha filha crescer até os sete anos dela”, desabafa.

Para Márcio, a oportunidade veio como acaso, já que a vontade de empreender vinha, para os sócios, desde a juventude. As dificuldades e a experiência com outras empreitadas trouxeram grande aprendizado, diz. O diferencial foi “trocar a falação pela ação”. “A receita é acordar cedo, trabalhar muito e dormir tarde”, resume.

A Ecom está entre os maiores agentes comercializadores de energia independentes do país. Há dois anos, a empresa passou a atuar também com gás natural, um mercado de desenvolvimento em médio prazo, avalia Sant’Anna. E está começando a operar no Chile, com usina de energia solar.

“Para empreender, é preciso ter coragem, mexer com seus próprios bichos e inseguranças. Se não der certo, dane-se, faz de novo. Todos nós vamos morrer, então vamos nos divertir”, brinca o fundador.

 

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