Em cenário contraditório para inovação, empresas precisam de estratégia agressiva

publicado 13/02/2015 08h00, última modificação 13/02/2015 08h00
São Paulo – Linhas de fomento e ambiente macroeconômico divergem, explica economista Ricardo Sennes
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Empresas devem analisar seus setores e adotar estratégias agressivas de inovação para suplantar o momento contraditório porque passa o país, nesse tema. Se por um lado há linhas de fomento, por outro o ambiente macroeconômico e regulatório asfixiam os investimentos.

A avaliação é do economista Ricardo Sennes, sócio-diretor da consultoria Prospectiva, que esteve no comitê estratégico de RH da Amcham – São Paulo na quinta-feira (12/02).

“O tema da inovação está mal resolvido no país, com um erro estratégico. Há fomento, mas é preciso criar um ambiente mais competitivo. Hoje, as políticas de incentivo e o ambiente macroeconômico são vetores opostos, se anulam”, declara.

O resultado é que o crédito tem ido para setores pouco competitivos, que não investem, mas retém os recursos. Ao mesmo tempo, há empresas expostas à competição imposta por outras que detém um patamar superior de tecnologia, mas que não possuem acesso ao crédito. “Essas são obrigadas a investir porque não têm escapatória, mas enfrentam dificuldades para levar adiante a pesquisa e o desenvolvimento”, cita.

Combate ao problema

Além de se articular no debate sobre as políticas públicas, as organizações precisam fazer uma análise acurada de seus setores e definir estratégias agressivas, destaca Sennes. “É necessário fazer diagnóstico de como o ambiente doméstico as impacta sob o ponto de vista da inovação. Às vezes, sinais de curto prazo são contrários, mas no longo prazo a empresa pode sentir fortemente as decisões de não inovar hoje”, comenta.

Trabalhar com a hipótese de que o mercado vai continuar fechado e com rentabilidade, mesmo sem inovação, pode ser fatal para empresa dependendo do setor, ressalta o economista. “Boa parte do setor industrial e manufatureiro está comprometido num ambiente mais aberto à competição. Em serviços, há quem esteja bem e quem esteja mal colocado”, complementa.

A reaproximação comercial entre Brasil e Estados Unidos pode abrir novos caminhos de cooperação tecnológica para alguns setores, dependendo de novos acordos ou de ampliações dos já existentes.

“Biotecnologia e TI são setores que ainda têm margem para acordos bilaterais interessantes com os Estados Unidos. Aeronáutica, novos materiais, compressores e geradores também podem buscar esse ambiente de cooperação numa aproximação do Brasil com EUA ou Europa”, diz.

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