Empresas devem olhar para tecnologia pensando nas necessidades do consumidor, sugere consultor da TNS Brasil

por marcel_gugoni — publicado 30/10/2012 17h14, última modificação 30/10/2012 17h14
São Paulo - Lucas Pestalozzi avalia que futuro será palco de tecnologias e mídias convergentes e de integração de aplicativos com a vida.
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A conectividade e a mobilidade oferecem um mar de oportunidades para as empresas. Mas, para se diferenciar, o segredo está em como transformar as tecnologias em um negócio pensado para as necessidades do consumidor, afirma Lucas Pestalozzi, diretor comercial da consultoria TNS Brasil. As necessidades podem aparecer como um novo modo de usar ou de oferecer algo já existente e também a partir da criação de coisas que nem o consumidor sabe ainda que precisa.

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“Quando os tablets chegaram, por exemplo, os víamos como um produto que tomaria o espaço do celular ou do computador. O que percebemos hoje é que 70% das pessoas que compram um tablet não deixam de usar nem o computador, tampouco o telefone”, lembra o consultor. “Ele se tornou um novo meio.”

Pestalozzi aponta para um futuro de tecnologias e mídias convergentes, de “integração de aplicativos com a vida”. “Até o carro tem multimídia, muito embora ainda não tenha avançado tanto. Com a TV ocorre o mesmo. É cada vez mais uma combinação de muitas coisas que hoje estão separadas”, explica.

Veja a cobertura do Fórum Conectividade e Mobilidade

“Para as empresas, o segredo é como pegar essas tecnologias e transformá-las num negócio acertando a necessidade do consumidor. É preciso pensar no tamanho das oportunidades que estão à frente”, reforça. Pestalozzi participou do Fórum Conectividade e Mobilidade da Amcham-São Paulo na última quinta-feira (25/10) e concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham:

Amcham: Qual é a grande novidade em termos de mobilidade e conectividade atualmente?

Lucas Pestalozzi: O que vemos hoje é que a grande questão [para as empresa] é como aproveitar esse mundo de oportunidades que se abriram. É preciso parar de ter receio dessas mudanças e se atirar nelas. Hoje, 90% das informações são globais – o que está acontecendo na Europa, nos Estados Unidos e no Oriente Médio é conhecido em outras partes. Do ponto de vista do consumidor, essas mudanças são impactantes porque são generalizadas. Até as crianças, atualmente, já nascem sabendo interagir com tablets. Ao mesmo tempo, elas dizem que a revista é um iPad que não funciona. E eu penso: quanto tempo levamos para entender uma revista? Hoje, a criança, intuitivamente, segue uma lógica muito mais rápida. Mas, ao mesmo tempo em que tudo está mais global e uniforme, o local tem grande diferença. Vemos questões importantes como [a necessidade de] compartilhamento e cocriação nos modelos de negócios, queremos tudo para hoje, não para amanhã, e que seja fácil. Isso tudo pode ser um problema, mas prefiro dizer que é oportunidade. Todos os segmentos de negócios estão sendo afetados por essas mudanças. A convergência, na linguagem de negócios, surge para as empresas em como agregar todas essas mudanças. Ao consumidor, a convergência é de estilo de vida. Num primeiro momento, ele só faz o que a tecnologia permite; num segundo, faz tudo o que é possível com toda a tecnologia.

Amcham: Neste segundo momento, quase não há limitação. Como o sr. olha para o futuro da inovação a partir dessa questão?

Lucas Pestalozzi: O futuro vai ser por esse caminho do que cada um pode fazer com a tecnologia. Os avanços tecnológicos são exponenciais. O que vemos é que a tecnologia já consegue juntar muitas coisas separadas: e-mail, telefone, música etc. Se olharmos hoje, parece até que as possibilidades são infinitas. Já há um novo modelo em que a maior parte das ideias vem de pequenas e médias empresas, enquanto as grandes contribuem com a menor parte. [A inovação] vem da tentativa e do erro das pequenas. Isso já acontece muito com os aplicativos.

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Amcham: E a tendência de convergência dos produtos?

Lucas Pestalozzi: O futuro, sem dúvida, é de convergência, dessa integração de aplicativos com a vida. Até o carro tem multimídia, muito embora ainda não tenha avançado tanto. Com a TV ocorre o mesmo. É cada vez mais uma combinação de muitas coisas que hoje estão separadas. Hoje vivemos a fase do tablet, que neste ano despontou em produção e consumo. A próxima é baseada numa tecnologia que já existe, que é de geolocalização – é uma função que passará a ser usada para as mais diferentes questões e finalidades.

Amcham: Para as empresas, qual a grande lição que fica dessas mudanças?

Lucas Pestalozzi: Para as empresas, o segredo é como pegar essas tecnologias e transformá-las num negócio acertando a necessidade do consumidor. É preciso pensar no tamanho das oportunidades que estão à frente.  Quando os tablets chegaram, por exemplo, os víamos como um produto que tomaria o espaço do celular ou do computador. Até o consumidor pensava nesse argumento. O que percebemos hoje é que 70% das pessoas que compram um tablet não deixam de usar nem o computador, tampouco o telefone. Ou seja, ele se tornou um novo meio. É preciso deixar os receios de lado para aproveitar as oportunidades dos novos espaços.

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