Endeavor: maior entrave a desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil é cultural

por giovanna publicado 27/01/2012 11h43, última modificação 27/01/2012 11h43
Recife – Alta carga tributária e complexidade dos marcos regulatórios também são elementos inibidores.

Fatores como alta carga tributária e complexos marcos regulatórios inibem o desenvolvimento do empreendedorismo com mais força no Brasil. A falta de uma cultura empreendedora, entretanto, ainda é o maior entrave nessa equação, analisa Ana Luiza Ferreira, coordenadora da Endeavor no Nordeste.

"A base do empreendedorismo é a meritocracia e, no Brasil, até pouco tempo atrás, não se chegava ao topo por mérito", lamentou Ana Luiza, que participou do comitê de Small Business da Amcham-Recife na quinta-feira (26/01).

Ele lembra que a instabilidade econômica do País durante décadas também acabou contendo um maior desenvolvimento do empreendedorismo. "[Mas agora] o empreendedor brasileiro vive um momento de grande autoestima", afirmou.

Pesquisa

Quase metade dos estudantes universitários brasileiros (48,2%) acredita que o empreendedorismo é uma opção válida de carreira a ser seguida, revela pesquisa realizada pela Endeavor em 2011 com 604 estudantes das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

"Este resultado foi uma grata surpresa para nós. O Brasil sempre foi um país de empreendedores, mas antes as pessoas seguiam esse caminho por necessidade. Agora podem optar pelo empreendedorismo para aproveitar oportunidades", celebrou Ana Luiza.

Ensino

A coordenadora da Endeavor cita que o principal fator que separa, nos jovens, vontade de empreender e prática é a falta de educação técnica de alto nível em empreendedorismo.

"A formação na área ainda é muito teórica no Brasil. Cerca de 71% das universidades do mundo têm como prática convidar empreendedores para fazer palestras ou dar aulas. No Brasil, somente 6,3% das universidades fazem isso", afirmou. Os dados fazem parte da pesquisa “The Entrepreneurship Education Project: Enhancing entrepreneurial self-efficacy and identity in the classroom”, conduzida por professores americanos.

Especificamente no Nordeste, a coordenadora da Endeavor ressalta que, além de faltar acesso a escolas de formação técnica em empreendedorismo, "outro ponto [a ser destacado] é a ainda tímida presença de fundos de investimento, desde venture capital até private equity, o que coloca o empreendedor em dificuldade para acessar o capital", analisou.

Endeavor Nordeste

Ana Luiza afirma que a Endeavor buscará se aproximar de empreendedores com alto potencial de desenvolvimento na região Nordeste a partir de exemplos próximos.

"É interessante mostrar a história de uma pessoa como Jorge Gerdau para que os empreendedores se inspirem, mas ele começou em um contexto bastante diferente do de quem está iniciando hoje. Nosso objetivo é trazer exemplos mais próximos para conversar com esses empreendedores locais", comentou.

Ela explica que a entidade trabalhará junto a pessoas que tenham potencial para desenvolver o que chama de empreendedorismo de alto impacto. "É a união de fatores como a paixão pelo que se faz, ter grande objetivos, espírito inovador e realizar um trabalho ético.”

Outro requisito para o apoio da Endeavor é que a empresa deve atingir padrões mínimos de desenvolvimento - com faturamento anual entre R$ 2 milhões e R$ 50 milhões - potencial de crescimento e geração de empregos.
 

 

 

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