Estratégias empresariais devem envolver nove tipos de competências

por daniela publicado 15/02/2011 17h14, última modificação 15/02/2011 17h14
Porto Alegre-Sócio da consultoria Symnetics explica que modelo ideal de planejamento corporativo que articula áreas diferenciadas de conhecimento.
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O planejamento estratégico de uma empresa não deve envolver somente um profissional, uma determinada função ou  um departamento específico. Pelo alto grau de complexidade, a estratégia de um negócio tem que ser resultado da articulação de nove tipos de competências na organização. É o que orienta André Ribeiro Coutinho, sócio da consultoria Symnetics que, em parceria com a Comunidade Brasileira de Gestão da Estratégia (CGE), escreveu o livro “O ativista da estratégia”, com lançamento previsto para abril deste ano.

“As estratégias de sucesso passam pela criação de nove faces organizacionais. São elas: o estrategista, chamado no livro de jogador de xadrez; o engenheiro, que traduz estratégias em projetos e metas; o político, para harmonizar os vários interesses opostos na empresa; o arquiteto, que garante que todo o sistema de gestão esteja integrado; o ritmista, para conduzir o rumo a ser tomado nas decisões; o educador, com objetivo de facilitar a aprendizagem; o terapeuta, que será o agente de mudanças; o empreendedor, que viabiliza novas ideias e, por fim, o designer, que atua no processo de criação”, explicou Coutinho no comitê de Empreendedorismo da Amcham-Porto Alegre, nesta terça-feira (15/02).

No dia a dia 

Para ele, o  modelo ideal, que proporciona maior índice de sucesso no plano estratégico, passa pela utilização dos conhecimentos advindos de todas as nove faces; entretanto, nem sempre isso ocorre ou nem sempre todas as companhias poderão adotá-las por completo.

“As organizações poderão demandar sempre essas faces em diferentes momentos de suas trajetórias. Por exemplo, negócios que estão em fase de crescimento precisarão mais da face do empreededor e arquiteto. Curiosamente, pequenas empresas encarregam muitas dessas faces ao próprio empreendedor, que é o empresário que criou o negócio”, destacou Coutinho.

Contudo, na medida em que os pequenos negócios vão crescendo, é muito importante iniciar uma divisão do papel de estrategista com mais pessoas, o que demanda tempo, esforço e energia. “Por isso, dizemos que o ativista da estratégia é muito mais uma competência da empresa do que da pessoa. Na verdade, trata-se do conjunto de pessoas que, em determinado momento da empresa, comporão aquelas faces para fazer tudo acontecer”, disse o consultor.

O maior desafio desse tipo de sistema estratégico baseado em competências, de acordo com Coutinho, é lidar bem com as ambiguidades que possam surgir. “Por vezes, a empresa terá vários caminhos para decidir, opções estratégicas diversas e pessoas que pensam diferente. É preciso aprender a tratar dessa diversidade, procurando integrar as faces organizacionais. A riqueza está muito mais em conseguir agregar as opiniões do que entrar em um combate onde um está certo e um errado”, avaliou Coutinho.

Brasil


O Brasil possui uma série de problemas que reduzem sua competitividade no cenário global, como o sistema tributário distorcido e a deficiente infraestrutra em portos e estradas. Além disso, a diversidade cultural nas várias regiões exige das empresas saber orbitar em território difereciados. Essas dificuldades tornam o País mais incerto para investir em planejamentos do que nações mais estruturadas, como os Estados Unidos e as europeias.

Ainda assim, na América Latina, o Brasil desponta no quesito de planejamento de gestão. “Com todo o movimento da qualidade, que começou na década de 90, as grandes empresas se tornaram eficientes e organizaram sua gestão. Agora, estão dando o segundo passo que é o da inovação, do empreededorismo, necessário para enfrentar o cenário globalizado”, concluiu Coutinho.

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