Formação de profissionais de TI peca por falta de subsídios para gestão de pessoas

por andre_inohara — publicado 01/11/2012 08h32, última modificação 01/11/2012 08h32
Recife – Desenvolver essa capacidade será cada vez mais necessário à medida que o papel do CIO se torna mais estratégico.
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Fortemente dedicada aos aspectos técnicos, a formação de profissionais de tecnologia da informação falha no que toca a oferecer subsídios para gestão de pessoas e desenvolvimento de uma visão estratégica para a área. A percepção crítica é de Roberta Siqueira, gerente de TI do Tecon Suape, e Amaury Tavares, gerente de TI do Grupo Fernandes Vieira.

“Para desenvolver qualquer projeto dentro de uma organização, o profissional de TI precisa possuir uma base muito boa para lidar com pessoas. A capacidade de gerir relacionamento é uma premissa para o sucesso na área”, afirmou Roberta durante o comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação da Amcham-Recife nesta quarta-feira (31/10).

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“É uma tendência que a TI esteja cada vez mais inserida nos negócios das organizações como um todo e, para isso, o profissional precisa desenvolver a gestão de seus projetos integrada com o restante da companhia. Essa capacidade não está presente na formação dos profissionais”, comentou Tavares.

Ele aponta que falta nos profissionais a percepção de como o trabalho da área influi no restante da corporação. “Por exemplo, muitas vezes se compra um produto ou serviço em TI sem analisar como aquilo irá interagir com as outras áreas da empresa.”

Papel do CIO

Roberta destaca que a demanda por visão estratégica aumentará à medida que evoluir o perfil de atuação do profissional de TI nas corporações, especialmente em relação aos gestores. “O CIO [do inglês, Chief Information Officer] passará a ser um Chief Innovation Officer porque atenderá a uma demanda superior por soluções inovadoras dentro da organização frente a questões operacionais”, apontou.

Segundo a executiva, isso exigirá que os CIOs possuam amplo conhecimento do negócio e melhor capacidade de comunicação. “Nossas universidades não oferecem esses temas na base da formação”, afirma.

Uma saída para os profissionais avançarem em formação, conforme conta Roberta por sua própria experiência, é buscar complementos nas pós-graduações e especializações. “Tive contato com temas como gestão e qualidade apenas durante meu MBA em Gestão de Negócios, que representou um divisor de águas para minha carreira, já que passei a ter uma visão de negócios mais estruturada”, disse.

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