Há mais recursos para investir em infraestrutura do que projetos, diz consultor

por giovanna publicado 08/02/2011 18h19, última modificação 08/02/2011 18h19
São Paulo – Falta de preparação local para lidar com aspectos legais e financeiros trava aplicação de capital nacional e estrangeiro.
thomaz_assumpcao_2.jpg

A necessidade de obras de modernização da infraestrutura brasileira e o interesse declarado do capital estrangeiro por elas são uma combinação mais que saudável de crescimento, mas que não está sendo aproveitada adequadamente no País. Muitos investidores estão ávidos por bons projetos nessa área, mas só liberarão o dinheiro de fato quando as empresas candidatas a o receberem conseguirem provar que estão preparadas para lidar com todos os aspectos legais e financeiros envolvidos, diz Thomaz Assumpção, diretor da consultoria de projetos imobiliários Urban Systems.


“Hoje, vários projetos de obras não passam da checagem inicial”, observou Assumpção, que participou do comitê de Business in Growth (BIG) da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (08/02). Segundo ele, muitos investidores reclamam que os candidatos a captar recursos não conseguem apresentar modelos lucrativos de empreendimentos.


Assim como os investidores estrangeiros, também os nacionais, públicos ou privados, esperam por projetos nesse setor que tragam cronogramas claros de aplicações e retorno financeiro. “No BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), tomaram emprestados só cerca de 30% do dinheiro disponível (como parte do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC I)”, exemplifica Assumpção. Muitos projetos são reprovados exatamente por não atenderem a todos os pré-requisitos.


Assumpção lembra que o desperdício de oportunidades de investimento não é causado apenas por projetos aquém das expectativas. A burocracia excessiva é outro grande entrave. “É preciso entender os mecanismos de aprovação de projetos nas diversas esferas públicas, além de conhecer a legislação ambiental. É complicado”, resume. 


Brasil mais atrativo


O interesse do investidor estrangeiro pelo Brasil aumentou a partir de 2005, diante de taxas de crescimento acima das registradas por países desenvolvidos. Com essa mudança de cenário, as empresas e projetos no Brasil, de infraestrutura e dos mais variados setores, começaram a correr contra o tempo para se fazer verdadeiramente atrativas. “O gestor brasileiro está sendo obrigado a se profissionalizar em uma velocidade muito grande”, afirmou o consultor.


Ele comenta que, em poucos anos, companhias no País tiveram de abrir capital e negociar com fundos de private equity. “Nessa nova dinâmica de mercado, quem se preparou está usufruindo de benefícios”, assinala.


Antes de entrar no atual ciclo de expansão, o País conviveu com crises inflacionárias que desestimulavam no setor privado a criação de projetos de longo prazo devido à falta de previsibilidade econômica. Agora, os gestores brasileiros precisam acelerar o passo e calcular projetos financeiramente viáveis para o futuro, estabelecer cronogramas realistas de implementação e negociar financiamentos a longo termo.


Gargalos logísticos


Enquanto maiores investimentos em infraestrutura não se efetivam, gargalos logísticos continuam afetando os planos de expansão das empresas que operam no País. A Mundo Verde, rede de alimentos orgânicos, estuda com cuidado a abertura de operações no Norte e no Centro-Oeste brasileiros por conta desse tipo de deficiência.


“Nossos maiores desafios de expansão envolvem a logística de distribuição, transportes e comunicações, por mais que haja mercado para os produtos”, revela Donato Ramos, diretor de Marketing da Mundo Verde.


Ramos cita que há dificuldades no transporte de pessoal, “dado que é necessário acompanhar e visitar as lojas”, e de transmissão de dados nessas regiões. A rede varejista possui 160 lojas no Brasil, e planeja fechar o ano com cerca de 215.

 

registrado em: