Indústria aposta em tablets com mais recursos para facilitar geração de conteúdo e conquistar mercado corporativo

por andre_inohara — publicado 04/09/2012 16h27, última modificação 04/09/2012 16h27
São Paulo – Dell e Microsoft preparam dispositivos com teclado e maior acessibilidade, e Cisco foca em segurança no acesso a dados corporativos pelos dispositivos pessoais.
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Depois de conquistar os usuários finais com sua versatilidade, o próximo alvo dos tablets é o mundo corporativo. Dentro de alguns meses, chegará ao varejo uma nova geração desses dispositivos, com teclado e recursos adicionais para facilitar a geração de conteúdo de texto e dados – os tablets híbridos.

Representantes da Dell, Microsoft e Cisco estiveram no comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (04/09), e falaram sobre as tendências do mercado de tablets no Brasil.

Os profissionais valorizam a mobilidade e a consumerização – uso de aparelhos eletrônicos próprios no trabalho. A partir dessa percepção e do reconhecimento de pontos em que ainda é preciso avançar, a indústria prepara dispositivos com capacidade de processamento e navegabilidade superiores para consolidar o uso do tablet em ambiente profissional.

A Microsoft está entre os fabricantes que estão criando tablets híbridos – batizado de Surface. “Essa nova etapa de integração entre o tablet e o computador é uma oportunidade para todos. É preciso entregar a promessa de ser um bom dispositivo para trabalho e diversão, e com segurança”, comenta Paulo Iudicibus, diretor de Inovação e Novas Tecnologias da Microsoft Brasil.

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Na avaliação de Henrique Joji Sei, diretor de Vendas de Soluções da Dell, hoje as pessoas decidem em que empresa trabalhar também pela flexibilidade de escolha de TI (Tecnologia da Informação) oferecida. “Antigamente, era comum a área de TI definir o equipamento do usuário. Hoje isso não é mais possível”, acrescenta o executivo.

Provedora de serviços de rede, a Cisco acredita que a mobilidade é um dos fatores que obrigam as áreas de TI a flexibilizar sua forma de atuação. O trabalho, em sua forma convencional, significava ir ao local de trabalho e começar a produzir depois de ligar o computado em cima da mesa, ao lado do telefone.

“Hoje isso não acontece mais. Em uma reunião como a que estamos participando, vejo pessoas com laptops e tablets que podem estar jogando ou trabalhando. Estão assistindo à apresentação, mas também respondendo a e-mails urgentes”, analisa Ricardo Ogata, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Colaboração da Cisco.

Consumerização

A consumerização é uma realidade, afirma Sei. Usando dados da Gartner, o diretor indica que a venda total de tablets na América Latina vai superar a de PCs em 2016. “Se olharmos o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil dentro da América Latina, que é de cerca de 42%, dá para se ter ideia do volume de dispositivos que serão vendidos aqui”, destaca o executivo.

O mundo da informática está sendo guiado por quatro grandes tendências, segundo Sei. “A primeira é o crescimento das mídias sociais. As pessoas estão fazendo negócios com elas”, afirma o executivo. Como exemplo, ele cita comunidades virtuais de varejo criadas pelos próprios usuários.

Outra grande tendência é a mistura do ambiente doméstico com o trabalho. “Já há muitas pessoas que trabalham de casa. Na verdade, tanto faz qual será o local de trabalho”, observa Sei.

O surgimento de novos dispositivos móveis em grande velocidade também é um fator de influência. “Smartphones e ultrabooks surgem a cada momento, o que gera um nível diferenciado de conexão.”

Por fim, Sei menciona a mudança da expectativa de TI por parte dos empregados. “Hoje, os executivos de TI têm uma função que extrapola a tecnologia: reter talentos. Um funcionário pode sair da empresa porque ela não tem tecnologia de ponta”, afirma Sei.

Dispositivos e computação em nuvem

Para atender à explosão de demanda por dispositivos móveis que ainda está por vir, a Microsoft projeta a necessidade de mais espaço virtual. Paulo Iudicibus, diretor de Inovação e Novas Tecnologias da Microsoft Brasil, compara o presente com o passado.

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“Na época do desktop (computador pessoal), o consumo de informação era feito via web. Hoje, com os dispositivos móveis, isso ocorre via aplicativos (apps). Eles geram e consomem dados de maneira brutal. As pessoas blogam, tuitam e tiram fotos a todo o momento”, comenta Iudicibus.

Pelos cálculos do executivo, a informação armazenada no mundo é de cerca de 2,7 zetabytes (cada zetabyte corresponde a um bilhão de terabytes), cujo crescimento se dá a um ritmo de 40% ao ano. “As coisas estão ligadas. Continuo tendo que alimentar os dispositivos com servidores. As nuvens (cloud computing) e os dispositivos são uma grande tendência”, afirma.

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No que se refere aos tablets, integração é a prioridade. “O tablet tem uma função limitada para consumo. Quem tem, viaja com notebook e celular junto com todos os carregadores, o que acho um pouco atrasado”, comenta Iudicibus.

O Surface, tablet híbrido da Microsoft, virá em duas versões. Um deles, mais leve e com duração prolongada, terá o sistema operacional da empresa e o pacote básico de aplicativos de escritório.

A outra versão, chamada de Surface Intel, terá maior poder de processamento e nela será possível instalar um grande conjunto de aplicativos. “Um dos grandes problemas que vimos é as pessoas comprarem teclados que não são portáteis e precisam ser ligados no USB. Criamos uma capa que é um teclado”, agrega Iudicibus.

Segurança de tráfego

A capilaridade dos aplicativos e o acesso cada vez mais frequente dos aparelhos móveis nas redes corporativas vão gerar questões sobre segurança e privacidade, segundo Ricardo Ogata, da Cisco.

Os aplicativos terão que propiciar acesso aos dados corporativos com segurança. “Vamos trabalhar através de aplicativos ou soluções que vão rodar em todos os dispositivos, independente de quais forem. Nosso foco é ter flexibilidade”, afirma.

 

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