Incipiência da cultura de inovação e ofertas de emprego atrativas dificultam desenvolvimento do empreendedorismo no País

por andre_inohara — publicado 16/08/2011 16h10, última modificação 16/08/2011 16h10
São Paulo – Sobram linhas de financiamento a startups e faltam estímulos durante a formação dos jovens, avaliam especialistas.
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O desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil, ainda incipiente devido à baixa difusão de uma cultura de inovação, sofre com a concorrência das companhias já estabelecidas. Cada vez mais jovens com alto potencial preferem levar suas ideias para as grandes corporações, atraídos por bons salários, e adiam projetos de negócios próprios.

“Temos uma situação que não é ruim, de excesso de oferta de trabalho. O empreendedor arranja um ótimo emprego em grandes empresas, e com isso adia o sonho do negócio próprio”, observou Gil Giardelli, coordenador do Centro de Inovação e Criatividade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e CEO da Gaia Creative.

Esse cenário se reflete na baixa intensidade de criação de startups – companhias que começam como projetos de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos – no Brasil,  afirmou o coordenador, em participação no comitê Business In Growth (BIG) da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (16/08).

Financiamento sobrando

A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), estatal dedicada a fomento e desenvolvimento de startups, é uma das instituições que não conseguem atingir as metas de financiamento às empresas inovadoras.

“A Finep tentou detectar no ano passado 2 mil empresas startups que pudessem se encaixar nos critérios de financiamento a fundo perdido e não conseguiu nem 200”, revelou Giardelli.

Além da Finep, outras instituições públicas de fomento ao desenvolvimento também oferecem crédito. “Há 47 linhas de financiamento público à disposição”, enumerou o coordenador.

Incentivo

A prática de empreendedorismo, ainda pouco disseminada no Brasil, precisa ser ensinada nas escolas e incentivada, defende Giardelli. “Se problemas como falta de educação e ética de empreendedorismo não forem resolvidos, em alguns anos teremos um default de profissionais inovadores, como em Portugal e Espanha. Estamos no mesmo caminho”, afirmou.

Giardelli é favorável a que se incentive o empreendedorismo também entre profissionais que já possuem outras ocupações. “Dá para empreender em casa, se dedicando duas horas por noite. É só deixar de ver TV nesse período e fazer o seu projeto”, sugeriu.

Segunda geração de empreendedores

O Brasil começou a formar uma geração de jovens empreendedores somente a partir de 2000, disse Marcelo Nakagawa, pesquisador do instituto Endeavor e vice-presidente do comitê BIG da Amcham.
Uma nova geração de empreendedores, que aprende com os erros, começa a surgir agora. "Depois da bolha da internet em 2000, eles passaram a se preparar melhor”, comentou.

Os incentivos ao empreendedorismo vêm brotando há apenas alguns anos, lembra Nakagawa. Entre eles, estão o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) e do governo, e a criação de disciplinas voltadas ao empreendedorismo nas principais universidades privadas e públicas.

Nakagawa destacou que o Instituto BM&FBovespa, ligado à bolsa, possui um programa de assessoria a empresas pequenas e médias chamado Escola de Empresas e Empreendedores, com o objetivo de prepará-las para uma futura abertura de capital. “Não haverá empresas brasileiras que poderão abrir capital dentro de 5 ou 10 anos se não for feito nenhum investimento agora”, acredita ele.

 

 

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