Liderança militar e empresarial é muito semelhante, afirma general

publicado 03/12/2013 08h35, última modificação 03/12/2013 08h35
São Paulo – Engajamento, domínio técnico e empatia são algumas das virtudes requeridas
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Seja nos quartéis ou nas empresas, as virtudes essenciais à liderança são sempre as mesmas: “comunicação, conhecimento, empatia, presença e espírito de corpo”, disse o militar Sérgio Conforto, diretor do Centro de Estudos Estratégicos da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).

“A competição de mercado evolui de forma tão rápida, que [a tensão de] produzir resultados corporativos se aproxima ao de situações de combate”, compara Conforto, que também é general de exército e ministro do Supremo Tribunal Militar.

O militar foi o convidado de honra do Café de Relacionamento da Amcham – São Paulo, realizado na quinta-feira (28/11). Para Conforto, a visão de que o ambiente militar exige liderança disciplinadora e impositiva é equivocada. “A chefia empurra, [enquanto que] a liderança arrasta”, diz o general.

“Conduzir uma tropa ao sucesso exige flexibilidade, domínio do assunto e bom relacionamento com as pessoas. A diferença é que, quando a missão falha, há risco de morte (dos soldados). No mundo empresarial, a conseqüência é a perda de uma oportunidade”, acrescenta ele.

Exemplos de liderança

Conforto apresentou dois exemplos de liderança, um militar e outro civil. O primeiro veio do marechal Luís Alves de Lima e Silva (então Marquês de Caxias) comandante dos exércitos aliados na Guerra do Paraguai (1864-1870).

Caxias liderou o assalto à ponte do Itororó (1868), riacho estreito e caudaloso por onde passava, na época, o único acesso ao interior do Paraguai. A mata densa e o território acidentado ao redor impediam a passagem de grandes efetivos militares, permitindo que o local fosse facilmente defendido pelos paraguaios.

As tentativas de conquistar o acesso eram constantemente repelidas e fez com que Caxias, em dado momento, decidisse avançar pessoalmente contra os adversários entrincheirados. A demonstração de coragem inspirou os soldados, que se agruparam e derrotaram a resistência inimiga. “Quando viram o marechal se colocando à frente dos canhões paraguaios para atravessar a ponte, a tropa encontrou forças para segui-lo”, descreve Conforto.

O exemplo civil foi o do explorador irlandês Ernest Shackleton, o primeiro homem a cruzar o continente antártico a pé. O feito foi realizado entre 1914 e 1916, com uma equipe de 27 homens. “Sua qualidade como líder foi excepcional. Ele manteve a equipe unida e trouxe todos para casa, enfrentando um ambiente inóspito que acirrou as paixões e diferenças pessoais”, argumenta Conforto.

Comunicação é a principal virtude do líder

Um líder deve reunir muitas qualidades, como o conhecimento, o senso de responsabilidade, a empatia e o senso de justiça. Mas, para Conforto, a virtude mais importante é a da comunicação. “O líder tem que saber dizer aos subordinados de que maneira a tarefa vai ser feita, pois é uma forma de preparar o grupo para o que virá”, comenta ele.

Toda organização deveria incentivar o surgimento de lideranças nos mais diversos níveis. “A capacidade de influenciar pessoas é o grande lubrificante da engrenagem da empresa”, define Conforto.

“Se ela não conseguir transmitir os objetivos a todos os colaboradores, terá pouca possibilidade de sucesso. Quando um presidente de empresa cultua a liderança em seus subordinados, faz com que eles se preparem para atuar de forma ordenada”, ensina o militar.

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