Maior apelo da computação em nuvem é pagar somente pelo serviço usado

por marcel_gugoni — publicado 11/07/2012 13h45, última modificação 11/07/2012 13h45
Marcel Gugoni
São Paulo – Redução de custos e flexibilidade para o armazenamento de dados são benefícios do cloud computing apontados por especialistas.
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Pague somente o que usar é o lema da computação em nuvem, a cloud computing, e seu maior atrativo. Para especialistas e executivos do setor de Tecnologia da Informação, há uma revolução em andamento no modo como as empresas lidam com seus dados e informações de negócios ao passo em que elas deixam de se preocupar com salas cheias de servidores e com equipes especializadas na manutenção e no controle destes equipamentos para focar cada vez mais em seus próprios negócios.

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É o que diz José Papo, web services evangelist para América Latina da Amazon, empresa que iniciou no ramo da internet como comércio eletrônico e hoje vende também soluções customizadas de gerenciamento de dados corporativos. “A forma de pagar somente pelo que se usa dos servidores e a automação desse serviço são as maiores novidades permitidas pela nuvem”, disse.

O tema foi debatido no comitê aberto de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), na Amcham-São Paulo, nesta quarta-feira (11/07). Papo afirma que a elasticidade do serviço de nuvem garante um preço justo para as empresas. “Quando uma empresa contrata servidores pagando por hora, dá, por exemplo, para usar o espaço de mil servidores e depois desligá-los. É a possibilidade de ter muito espaço para armazenagem e troca de dados em questão de minutos e desligar tudo quando não precisar disso.”

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A diferença é que, quando uma empresa mantém data centers internos, há um investimento em equipes e hardware específicos. “A nuvem permite que a área de TI deixe de ser um centro de custo para focar mais em inovação”, reforça.

Em outras palavras, deixam-se de lado os gastos para manutenção de aparelhos e atualização de softwares e a empresa mantém o orçamento da área voltado à melhoria de sistemas e processos de seu core business. “O foco tem que ser a inovação, e não a infraestrutura em que seus sistemas rodam.”

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Papo cita que um de seus clientes – um site de aluguel de filmes pela internet – tem picos de acesso aos servidores aos finais de semana. O sistema automatizado permite que ele pague mais quando a demanda e os acessos aumentam e fique com os custos mais em conta ao usar necessário do dia a dia. É o que ele chama de ganho de escala.

Segurança dos dados

Anderson Baldin Figueiredo, gerente de pesquisa e consultoria do IDC Brasil, concorda. “A economia decorre de a empresa deixar de ter o gasto de capital com servidores, não ter obrigação de contratar pessoas específicas para cuidar da base de dados e não precisar mais gastar com atualização de software.”

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Ele defende que o movimento de migração para a nuvem é gradual e ainda deve crescer muito. O que ainda emperra o setor é a insegurança das empresas quando o assunto é o cuidado com números estratégicos e dados importantes da companhia. “As empresas gastam muito com operação de segurança”, diz.

“Há uma questão cultural muito forte entre as empresas, mas o que ocorre é uma confusão entre segurança e compartilhamento de informações”, diz. “Um provedor de cloud é muito mais seguro do que as empresas, porque é especializado nisso e tem gente capacitada para gerenciar bem qualquer informação. Mas as empresas se preocupam com a forma como os dados delas são armazenados.”

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Em uma pesquisa feita com 181 empresas do setor neste ano, a consultoria verificou que 21% costumam questionar quão seguro é o cloud, enquanto outros 8% apontam incertezas sobre a confidencialidade de acesso às informações. E a maioria (entre 46% e 55% dos respondentes) diz que a segurança das informações – ou o temor de mau gerenciamento delas – é o maior inibidor dessa migração.

“O brasileiro sempre acha que tem alguém vendo seus números, que tem alguém mexendo em seus arquivos”, aponta o especialista.

Migração gradual

Cristiano Barbieri, CIO da operadora de planos de seguro, saúde e previdência SulAmérica, defende que a nuvem mudará a forma como as empresas e os clientes consomem tecnologia. “Ela é tão segura quanto se planeja, mas não sou radical a ponto de dizer que ela vai acabar com os datacenters internos. Os dois modelos conviverão.”

Ele diz que a empresa migrou uma parte de seus sistemas para a rede a fim de ampliar o poder de colaboração entre seus funcionários. A empresa tem em torno de 5.000 empregados e uma rede de 6.000 corretores. Era essencial para o negócio integrar estes colaboradores e agilizar os contatos, tanto de quem busca um novo seguro ou plano de saúde quanto de quem recorre aos serviços no momento de necessidade.

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“Inicialmente, migramos correio e chat e ainda ganhamos videoconferência e espaço em disco”, diz ele. Barbieri explica que o processo demorou seis meses para ficar totalmente operante, mas levaria mais tempo caso a empresa quisesse efetuar uma nova compra de servidores a fim de atender a essa demanda. “Conseguíamos ter espaço em um servidor em seis horas, em vez de esperar 20 dias pelo aparelho físico. E em duas semanas todos os colaboradores já haviam gostado da ideia.”

O diferencial para a empresa migrar foi atendido pela flexibilidade da nuvem: “O custo do cloud é muito competitivo e nos permitia pagar pouco caso algo desse errado. Nos atraiu essa elasticidade para que migrássemos aos poucos.”

Segundo Barbieri, hoje a SulAmérica mantém serviços de nuvens com dois dos principais operadores de cloud computing – o Google e a Amazon – e está migrando mais um de seus serviços à rede. “Nosso próximo passo é integrar nossos dados em todos estes servidores.”

Jacir Lopes dos Santos, analista de negócios na Algar Tecnologia, empresa especializada em infraestrutura de TI, resume que a cloud é uma solução que tem enorme potencial para crescer e que a empresa é capaz de escolher bem uma nuvem ao olhar diretamente para as questões de custo, compartilhamento e disponibilidade.

Isto é, se o serviço permite uma cobrança flexível, se oferece acesso seguro e rápido aos dados pelos colaboradores da empresa e se tem capacidade de liberar espaço e armazenamento de forma ágil.

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