Maior feira de tecnologia do mundo mostra que convergência é caminho do futuro

por marcel_gugoni — publicado 13/02/2012 11h04, última modificação 13/02/2012 11h04
Marcel Gugoni
São Paulo – CES 2012 indica que tablet não vai matar o PC. Na verdade, os dois equipamentos vão se tornar muito mais integrados.

Mais de 20 mil novidades entre smartphones, notebooks, TVs e outros aparatos tecnológicos criados para facilitar a vida foram mostrados na CES 2012 (Consumer Elctronics Show), realizada entre 10 e 13/01 em Las Vegas (Estados Unidos). A má notícia é que só uma quantidade ínfima desses itens vai chegar, de fato, ao mercado. A boa é que eles vão estar cada vez mais conectados. 

O evento é considerado o grande apontador de tendências de consumo de eletrônicos. Mais de 3.100 expositores mostraram seus produtos na feira deste ano. E a convergência foi a palavra-chave do encontro, como apontam palestrantes do comitê de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicações) realizado na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (16/02), recém chegados de lá. 

Adriele Marchesini, editora do IT Web, site especializado em tecnologia, afirma que a CES mudou muito seu perfil porque já não traz mais novidades no sentido literal da palavra. “A internet virou o lugar para apresentar as novidades”, afirma. “As redes sociais e a descentralização de conteúdo fizeram da CES mais um indicador de tendência do que apresentador de novidades.” 

“Mas ela ainda é um ambiente de exposição muito grande. Continua importante, mas no sentido de uma comunidade [das empresas de tecnologia e de comunicação]. Por isso não dá para essas companhias não estarem lá”, avalia. 

Quatro telas 

Jorge Moncau, gerente de 4Ps (Produto, Preço, Promoção e Praça)  da Lenovo, destaca que a conectividade veio para ficar. “Existe mercado para todo tipo de produto”, afima. “Não é que o tablet vai matar o computador e vice-versa. O que vai acontecer é uma interação muito maior entre eles e uma amplificação da maneira como esses aparelhos vão se conectar.” 

Ele avalia que os smartphones vão continuar existindo, assim como os tablets estão encontrando seu espaço. Nenhum dos dois vai acabar com a televisão, muito pelo contrário, ela é que vai se renovar para ter acesso à internet. E o computador pessoal vai achar níveis diferentes de portabilidade adaptados a cada uso – do PC all-in-one (em que o monitor também faz as vezes de CPU) aos novíssimos ultrabooks (netbooks mais potentes e com autonomia estendida). 

O mesmo aconteceu com o rádio, com a TV e com a internet. “Vivemos na era da convergência digital”, diz. 

Moncau explica que a tecnologia está cada vez mais dividida em quatro telas: computador e notebook, tablet, celular e televisão. “[Para a Lenovo], há um nível de importância nessas quatro telas”, aponta. “O mercado que dominamos é o de desktop e notebooks, e no de tablets somos líderes na China. Já o mercado de TV é completamente novo.” 

Fim do celular 

Adriele analisa que “a conectividade é um caminho sem volta”. Ela cita até o indiano Sugata Mitra, professor de Tecnologia Educaiconal na Universidade de Newcastle, no Reino Unido, que disse que o celular como conhecemos hoje vai acabar. 

O especialista, que é pesquisador visitante do MIT (Massachusetts Institute of Technology), afirmou em uma palestra na abertura da Campus Party 2012, em São Paulo, que “o celular terá o mesmo destino de outros dispositivos como a vitrola, o MP3 e outros que, com a evolução, deixaram de ter importância. O computador virou celular. A TV está virando celular. E o celular vai ser substituído também”. 

“Mitra disse que até o cérebro humano terá condições de surfar na internet por meio de chips implantados”, lembra Adriele. “Dizem os futuristas que não vai demorar tanto para essas coisas acontecerem.” O próprio professor indiano lembra que, 20 anos atrás, ninguém falava em celular. 

Poucos produtos 

Fazendo um balanço da própria CES, Adriele lembra que, em questão de produtos, “nada mais é tão revolucionário”. “No ano passado, a vedete foram os tablets, na corrida louca para bater o iPad, da Apple”, diz. “Segundo a InfomationWeek EUA, foram apresentados [naquele ano]mais de 50 modelos do tipo, mas uma pequena parcela chegou efetivamente ao mercado.” 

“Neste ano, o tema central foram os ultrabooks. Veremos quantos chegarão ao mercado. É uma nova geração de notebooks mais finos, resistentes e com baterias duradouras”, nota. “Há TV com touch [sensível ao toque], ligada à nuvem [cloud computing] e com tela Oled [sigla para diodo orgânico emissor de luz, uma tecnologia que emite luz própria e permite a produção de telas mais resistentes, leves, finas e com melhor definição], melhor que a Led.” 

Entraves 

Mas ainda falta bastante para fazer tanta coisa chegar aos consumidores. O primeiro impedimento é a falta de escala, que ainda faz com que uma TV Oled seja algumas vezes mais cara do que as TVs top de linha vendidas atualmente. O segundo problema, diz a editora, é que o Brasil, que é um grande consumidor de novidades tecnológicas, sofre com a problemática infraestrutura. 

“Nem temos estrutura em rede elétrica em todo o País. Outros lugares com infraestrutura bem melhor vão caminhar mais rapidamente”, prevê. “O Brasil tem um grande mercado consumidor que está no foco para qualquer segmento, mas exigências de produção local é um tipo de medida que às vezes nos deixa atrás do padrão do mundo”, completa o diretor da Lenovo. 

“Tem coisas que não conseguimos lançar aqui porque [a regulamentação e implementação de novas tecnologias] demora. Isso sem falar no ‘Custo Brasil’”, critica ele. “O governo tem ajudado bastante as empresas brasileiras a estar no timing do mercado, mas ainda há entraves.” Ele se refere à proteção do governo às fábricas nacionais em detrimento dos importadores e outros gargalos como a alta tributação e a falta de infraestrutura que atrasam os negócios. 

Em um mundo no qual a tecnologia muda antes mesmo que possamos terminar de dizer a palavra velocidade, a permanência desses entraves pode significar perder uma nova onda de inovação.

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