Mobilidade, interação e convergência são principais tendências de tecnologia para 2013

por marcel_gugoni — publicado 25/10/2012 18h31, última modificação 25/10/2012 18h31
São Paulo – Especialistas que participaram de fórum da Amcham dizem ainda que pagamento pelo celular e uso de dispositivos próprios no ambiente de trabalho devem crescer.
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Mobilidade, interação e convergência aparecem entre as principais palavras-chave usadas para prever o futuro da tecnologia. Apontando tendências que devem se consolidar em 2013 e nos próximos anos, especialistas e executivos de empresas do setor que participaram do Fórum Conectividade e Mobilidade da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (25/10) dizem que a internet vem mudando a cultura de consumo ao mesmo tempo em que há uma penetração cada vez mais forte do uso de gadgets como smartphones e tablets

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Esses dois vetores estão alterando o modo como o consumidor escolhe seus produtos e os compra, a maneira como os profissionais trabalham e sua produtividade, e até o meio pelos quais as pessoas se relacionam. 

Várias tendências foram destacadas pelos participantes do segundo painel do evento, cujo debate tratou de como organizações de tecnologia e telecomunicações têm possibilitado e influenciado a mobilidade. Acompanhe as seis principais, compiladas pela Amcham: 

1. Mobilidade tecnológica

A mobilidade vai se intensificar muito nos próximos anos, com dispositivos – como smartphones, tablets e muitos outros – mais baratos e acessíveis. 

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A mobilidade ajuda a resolver os problemas tanto do consumidor quanto das companhias – incluindo as pequenas – em tempo real, avalia Weber Canova, vice-presidente de Inovação e Tecnologia da TOTVS. “Nos últimos cinco anos, um grande número de pequenas empresas passou a usar a internet em seu dia a dia de maneira abrangente”, afirma. “A ideia é capturar a informação e a transação onde quer que elas aconteçam.” 

Bruno Nowak, diretor de Estratégias e Desenvolvimento de Novos Negócios da Motorola Solutions, cita alguns exemplos de usos de dispositivos móveis que ainda podem parecer distantes, mas cujos avanços já são testados por empresas mundo afora. É o caso do RFID (identificação por radiofrequência) e de análises de vídeos para observar prateleiras (de supermercados e redes varejistas) e entender onde há quebras de vendas. O RFID é capaz de verificar se um item acabou em uma gôndola e enviar um alerta à área de estoque de uma rede de lojas a fim de que seja providenciada reposição ou compra de mais itens com o fornecedor. 

2. Conectividade e convergência de formatos

Assim como a mobilidade, a conectividade tende a se multiplicar. “A conectividade vai se acelerar. A internet das coisas vai permitir que múltiplos dispositivos estejam conectados”, avalia Marcelo Leite, diretor de Novas Tecnologias da Cisco. “Hoje, menos de 1% dos dispositivos conectáveis estão conectados. Imagine quando começarmos a progredir.” 

O futuro será o lugar de automóveis com conexão à web, televisões integradas a tablets e computadores, geladeiras capazes de identificar produtos e comprá-los automaticamente pela internet. 

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Cássio Tietê, diretor de marketing para o segmento de tablets e smartphones da Intel Semicondutores, aponta que a tecnologia que conhecemos hoje também deve se adaptar à convergência. “Os ultrabooks [laptops com maior capacidade de processamento e autonomia de uso] trarão mais interfaces de toque e gestos”, exemplifica. “Eles até vão ter formatos diferenciados, como ultrabooks conversíveis que se transformam em tablets, produtos que vão crescer muito.” 

Ele cita ainda que os atuais smartphones caminham para se equiparar, em termos de velocidade de processamento de dados, aos computadores. “Cada vez mais, as pessoas demandam processamento rápido, querem fazer tudo ao mesmo tempo e ainda ter informações contextualizadas, imagens em alta definição e executando multitarefas. Logo os smartphones terão desempenho e capacidade de um computador normal.” 

3. Integração de canais

Se para o consumidor geladeiras e televisões com acesso à internet são uma facilidade, para as empresas estas novidades representam, além de uma oportunidade, um desafio: é preciso criar mais canais de contato com o cliente, a fim de facilitar a interação e alavancar novas oportunidades de negócios, e manter esses canais alinhados, de maneira a que os consumidores percebam unidade, continuidade, enfim, um relacionamento único com diversas formas de preenchimento. 

Os canais de compra e relacionamento terão que estar cada vez mais integrados, explica Milton Neto, gerente geral Digital e Smart TV da LG Electronics. Pedro Frigo, gerente de Estratégias de Aquisições de Novos Negócios do Google, reforça: “O negócio é investir para ter integração de canais”. 

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Frigo cita o exemplo das novelas para ilustrar a necessidade de as empresas atuarem em múltiplos canais de forma coordenada. “Durante a novela, as buscas pelos personagens crescem. Mas não são só pessoas procurando mais informações sobre a novela, e sim sobre o colar e a roupa dos protagonistas”, explica. “Sabemos que o consumidor busca na internet depois de ver algum produto na TV. A empresa que exibe o produto na TV precisa ter também uma mensagem receptiva na internet porque senão abre espaço para os concorrentes.” 

A maior integração implica em uma relação transparente em relação à política de preços praticada pelas companhias nos diferentes canais e também quanto à abertura para ouvir o que o cliente tem a dizer, seja contribuindo para o desenvolvimento de produtos e serviços, seja fazendo críticas. Neto, da LG, defende que as “empresas estejam mais próximas dos consumidores, entendendo-o e interagindo com ele”. 

Bruno Nowak, diretor de estratégia e desenvolvimento de novos negócios da Motorola Solutions, aponta que a relação no comércio, no passado, era muito mais pessoal, o que permitia que o vendedor pudesse oferecer aos seus clientes soluções adequadas às necessidades. “O tratamento entre conhecidos perdeu espaço e ficou impessoal, mas a internet ajuda a trazer esses vínculos de volta, essas possibilidades de personalização”, diz. 

As redes sociais servem como plataforma de contato, por meio das quais os clientes podem expor seus desejos em relação a produtos ou serviços, suas críticas sobre problemas e sugestões de resolução. Os rastros de navegação pela rede (lojas virtuais e sites de busca, por exemplo) também geram dados importantes que podem ser aproveitados para antecipar interesses dos clientes. 

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“Uma pesquisa mostrou que 41% dos varejistas creem que em cinco anos poderão fornecer informações personalizadas na loja ao consumidor e 42% esperam poder oferecer promoções personalizadas e 35% dizem acreditar que será possível reconhecer seus clientes assim que eles entrarem na loja, a partir de tecnologias de leitura de rosto ou de identificação do chip do telefone.” 

Livia Chanes, sócia associada da consultoria McKinsey & Company, lembra que é preciso “transformar as pegadas da internet em dinheiro”. Ela conta, como um exemplo de sucesso, o caso de uma rede de supermercados da Coreia do Sul que criou um algoritmo (código de programação) capaz de verificar, entre suas consumidoras que estavam grávidas, que tipo de produtos elas consumiam antes de ter o filho. O sistema ajudava a antecipar promoções especiais para estas mulheres. 

4. Pagamento pelo celular

A mesma rede sul-coreana lançou um sistema revolucionário de compras que tira o cliente da loja e acaba com as filas dos caixas: uma prateleira virtual instalada no metrô exibe uma cesta de produtos que podem ser escaneados com a câmera do celular, por meio de um leitor de QR Code. Com poucos cliques, o cliente pode fechar a compra, pagar e seguir a viagem no transporte público, e o pedido chega a seu endereço no mesmo dia. 

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Para Nowak, avanços neste tipo de tecnologia tendem a ficar cada vez mais frequentes daqui para a frente. “São quebras de paradigma fechar uma conta ou pagar uma compra usando o celular ou escaneando as mercadorias desejadas e fazendo com que sejam entregues em casa, poupando tempo para ser usado em outras coisas, como ir ao cinema.” 

5. Consumerização

Se o celular já é companheiro inseparável de boa parte dos indivíduos, dentro das empresas a tendência apontada pelos especialistas é de que os gadgets de seus funcionários sejam crescentemente incorporados ao ambiente de trabalho. A tendência é chamada de consumerização, ou BYOD (bring your own device, ou seja, traga o seu próprio dispositivo). 

Leite, da Cisco, diz que o BYOD vai amadurecer e as empresas deverão passar a ver esses aparelhos dos colaboradores como fontes importantes para que sejam produtivos, sempre mantendo atenção a riscos de segurança de dados. 

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Tablets com acesso a sistemas corporativos de gerenciamento de dados e o incentivo ao uso de redes sociais organizacionais no celular do colaborador entram na lista, bem como o apoio para que os funcionários usem seus notebooks no ambiente de trabalho. “Ganhamos em agilidade, redução de custo, eficiência e satisfação dos funcionários.” 

6. Otimização tecnológica

A otimização tecnológica, por fim, tem a ver com o melhor uso dos dados e a contínua evolução do desenvolvimento de produtos e serviços. O armazenamento, por exemplo, já conta atualmente com a nuvem de computadores (ou cloud computing), que permite acesso remoto de discos de armazenamento – cuja capacidade só tende a crescer. 

O tamanho dos aparelhos, no caminho contrário, tende a diminuir. Para 2013, Tietê diz que a Intel já pesquisa chips menores do que o tamanho de um vírus da gripe, com altas velocidade e capacidade de processamento. Enquanto isso, as baterias também devem ganhar maior autonomia: “ao reduzir a microarquitetura, queremos gerar uma bateria capaz de durar até dez dias em stand by”. 

Tudo isso vai ao encontro da tendência apontada por Livia, da McKinsey, de otimizar o uso da tecnologia e dos dados. “O volume de dados que geramos nos últimos dez anos é dez vezes maior do que em todo o restante da história. Esse volume é gerado, mas ainda não é convertido no potencial que poderia ter de oportunidade de negócios.”

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