Movimentos corporais serão cada vez mais usados em acesso ao mundo digital

por andre_inohara — publicado 18/03/2011 15h50, última modificação 18/03/2011 15h50
São Paulo – Sensores e projetores de alta precisão permitem, via aparelhos móveis, usar a internet, bem como apresentar e modificar planilhas sem auxílio de teclados e mouses.
otavio_coelho_2.jpg

Com as novas tecnologias de interfaces humanizadas, a experiência de acesso à internet e ao mundo digital está menos dependente de teclados e mouses, e mais de movimentos corporais. Gigantes como a Microsoft desenvolvem aplicativos que permitem ao usuário apresentar planilhas e acessar a internet em qualquer lugar, projetando imagens interativas em superfícies de mesas ou janelas.

“A ideia é esconder as engrenagens (de acesso) para que as pessoas interajam de forma simples”, disse o arquiteto-chefe da Microsoft, Otávio Pecego Coelho. “É um sonho de invisibilidade, em que as pessoas se utilizam da linguagem corporal para que as coisas se revelem de forma natural”, acrescentou ele, durante encontro do comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (18/03).

Coelho apresentou algumas das soluções que a Microsoft está desenvolvendo em termos de interação virtual. Há soluções para escritório, onde os usuários poderão abrir e modificar planilhas e apresentações em janelas ou superfícies de mesa, graças a sensores e projetores de imagem desenvolvidos para tal fim.

“O objetivo é não pensarmos mais em gadgets, mas em contextos de ação”, comentou Coelho. “O modelo de interface natural (como a tecnologia é conhecida) facilita e potencializa nossas capacidades.” A Microsoft já lançou um videogame chamado Kinect, que dispensa os joysticks e no qual os usuários podem jogar partidas virtuais simulando os movimentos do personagem.

Tecnologia semântica no mundo corporativo

Além da Microsoft, outras empresas também estão focadas na criação de aplicativos de interface humanizada. No front corporativo, a italiana AlmavivA, que possui uma operação de contact center no Brasil, investe na oferta de serviços do que se começa a chamar de tecnologia semântica.

Os motores semânticos de tecnologia surgiram inicialmente em sites de busca, sendo programas que compreendem melhor as associações de ideias e conceitos realizadas nas pesquisas dos internautas. Um dos usos atuais dessa tecnologia é a análise de comportamento de consumo dos clientes.

Segundo o presidente da AlmavivA, Giulio Salomone, a empresa desenvolveu programas que permitem interpretar a forma como o usuário acessa as informações e, a partir delas, traçar padrões de uso.

Um supermercado pode, por exemplo, usar esses aplicativos para conhecer melhor o perfil de compra de seu público. “Os aplicativos podem fazem uma análise de comportamento do cliente pelos itens que aparecem no recibo de compra”, comentou, durante a reunião.

Os novos aplicativos permitirão às companhias análises mais detalhadas, o que tende a diminuir o grau de erros. “Essa tecnologia ajuda na captura de informações e permite às empresas a serem mais assertivas em suas decisões”, comentou o diretor de Marketing da Dell, Henrique Joji Sei.

“As interfaces humanizadas exigirão das empresas uma infraestrutura adequada para atender a esse tipo de ambiente”, observou.

registrado em: