Nova geração de empreendedores brasileiros nasce com pensamento global, avalia professor de empreendedorismo

por andre_inohara — publicado 17/12/2012 15h15, última modificação 17/12/2012 15h15
São Paulo – Inovação, crescimento e conquista de mercados internacionais já estão incorporados nos objetivos dos empresários iniciantes.
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Está surgindo no Brasil uma classe de empreendedores de perfil global, que pensa em conquistar o mundo antes mesmo de consolidar sua posição no mercado doméstico.

“Tivemos a felicidade de juntar empreendedores do que chamo de Novo Brasil, e que já enxergam crescimento, inovação e expansão internacional como pré-requisito para se ter um grande negócio. Eles mostraram que não pensam pequeno nem têm medo de crescer e inovar”, avalia Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper.

O especialista citou os exemplos da Brigadeira, Moldura Minuto, Mãe Terra, Ornatus e Grupo Europa como referências de inovação e ousadia em negócios. Essas empresas apresentaram suas experiências no III Encontro de Empreendedores da Amcham-São Paulo, em 13/12.

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Nakagawa, que também é vice-presidente do comitê de Business In Growth (BIG) da Amcham-São Paulo, foi o mediador do debate. Veja abaixo a entrevista de Nakagawa ao site da Amcham:

Amcham: O que a trajetória dos empreendedores que compuseram o painel de debates do evento tem em comum?

Marcelo Nakagawa: Destacaria quatro pontos. O primeiro são histórias inspiradoras de gente que conseguiu renovar seus negócios. A criatividade fez com que eles criassem coisas muito diferentes das que já existiam. O segundo ponto foi a capacidade de execução dos empreendedores. Todos souberam conduzir o desenvolvimento do negócio, e uma frase de Jae (Ho Lee, fundador e sócio-diretor do grupo Ornatus) me marcou muito: sou empreendedor e não executivo. O dono tem que saber qual o seu perfil, porque muitas vezes ele pode não ser um bom executivo e terá que contar com alguém para gerenciar o negócio.

Amcham: Entre os debatedores, havia algum com perfil diferente?

Marcelo Nakagawa: Veja o caso da Manuella (Curti de Souza, diretora do Grupo Europa). Ela está no papel de empreendedora, mas consegue delegar aos executivos da empresa a gestão do negócio. É mais uma maestrina que grande executiva, porque ela consegue ter sabedoria de entender que não é a pessoa para tomar todas as decisões, apoiando-se em seus executivos e no conselho de administração.

Amcham: E quais os dois outros pontos?

Marcelo Nakagawa: O terceiro ponto é a expansão. Todos estão pensando em crescer em 2013 muito mais rapidamente, abrir novas lojas. Por último, há um destaque negativo, que é o apagão de mão de obra. Todos estão com dificuldades de contratar gente qualificada.

Amcham: Então são três destaques positivos e um negativo?

Marcelo Nakagawa: Sim. Os empresários abrem novas lojas, mas muitas vezes não encontram gente para colocar nas operações porque o Brasil está vivendo uma situação de pleno emprego. Hoje o grande gargalo é conseguir gente, sendo esse o maior desafio para o Brasil crescer, por incrível que pareça. Apesar de existir muita gente querendo emprego, há aqueles que não sabem ler, escrever e fazer conta, e que não se programam para obter qualificação. Existem muitas oportunidades de empreender, assim como para quem busca um bom emprego. Em ambos os casos, há que se capacitar ainda mais.

Amcham: Outra característica comum aos empreendedores é que eles estão sendo bem-sucedidos em segmentos de produtos comuns. Qual a razão do sucesso?

Marcelo Nakagawa: A inovação. Todos souberam inovar no produto, no modelo de negócio ou na experiência. Todos vendem produtos de categorias comuns, mas transformaram algo comum em extraordinário.

Amcham: Em que sentido?

Marcelo Nakagawa: A Brigaderia inovou no conceito de que seu mercado não é o de venda de brigadeiro, mas de presentes. A Moldura Minuto também não vende moldura, e sim uma peça de decoração. Então, eles têm que estar antenados às tendências de decoração. A moldura é parte do objetivo final de oferecer algo que, do ponto de vista da decoração, está na moda. Eles estão no mercado da moda. O Grupo Ornatus tem várias marcas e está disposto a trabalhar com a classe C que chega agora ao mercado consumidor. O mercado de bijuterias atrai as classe A, B e C, e o Ornatus vende produtos especiais para uma camada que muitas vezes não é bem tratada. A Mãe Terra, por sua vez, pegou um produto que na verdade é fácil de ser feito (alimentos orgânicos), mas se preocupou com a produção e a embalagem.

Amcham: O diferencial da Mãe Terra está em reembalar o produto?

Marcelo Nakagawa: A inovação está na forma de posicionar o produto como natural e orgânico, porém saboroso. Com isso, estão conseguindo competir com outros concorrentes. Mas a embalagem é caprichada. E, no final tivemos o Grupo Europa, que tem inovado muito no design. Os purificadores estão mais coloridos e arrojados. Eles são diferentes dos filtros, estão em categoria própria porque o conceito de purificador é diferente do de filtro.

Amcham: É possível concluir, então, que a inovação é o grande fator de sucesso dessas empresas?

Marcelo Nakagawa: Todas elas podem ensinar as outras com seus exemplos. Tivemos a felicidade de juntar empreendedores do que chamo de Novo Brasil, e que já enxergam crescimento, inovação e expansão internacional como pré-requisito para se ter um grande negócio. Eles mostraram que não pensam pequeno nem têm medo de crescer e inovar. Precisamos de empreendedores que pensem como Brigadeira, Moldura Minuto, Mãe Terra, Ornatus e Europa.

 

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