Pagamento via celular aproxima operadoras de telefonia e instituições financeiras

por andre_inohara — publicado 14/04/2011 15h12, última modificação 14/04/2011 15h12
André Inohara
São Paulo – Tecnologia que permite liquidar contas por meio de celulares levará agentes envolvidos a criarem novo modelo de negócios.
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A tecnologia para pagar contas por meio do telefone celular (NFC - Near Field Communication) demorará alguns anos para se popularizar, mas as operadoras de telefonia e serviços financeiros já conversam sobre o modelo de negócios que definirá a integração de dados.

“Pode-se trazer as credenciais do cartão de crédito dentro do smartphone de forma segura e habilitá-lo para pagamentos”, afirmou o diretor de Tecnologia e Telecomunicação da GD Burti, Gustavo Ullmann, que participou do comitê estratégico de mobilidade financeira realizado na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (14/04).

A tecnologia NFC consiste na troca de informações via contato entre dois dispositivos eletrônicos compatíveis, permitindo que o portador de um aparelho móvel – ou que tenha um cartão SIM – habilitado consiga efetuar operações financeiras como pagamentos de contas e consulta a extratos bancários encostando seu aparelho em um terminal bancário.

Essa é a principal aplicação da NFC, segundo o executivo, mas também é viável estender a tecnologia para outros ambientes. As empresas podem instalar sistemas que liberam o acesso do funcionário mediante aproximação do smartphone na catraca, assim como em casas de espetáculos e estádios esportivos. A tecnologia também pode ser usada no pagamento de tarifas de transporte público, acrescentou o executivo.

Copa e Olimpíada motivam investimentos

A realização no Brasil dos dois principais eventos esportivos do mundo, a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, atrairá públicos de todo o globo acostumados a usar as mais modernas tecnologias no dia a dia, motivo pelo qual as companhias estão se mexendo.

“O problema ainda são os custos e a estrutura do negócio; por isso, os dois setores ainda estão demorando a definir um modelo”, disse Ullmann. Além disso, existe a indefinição em relação à infraestrutura, como a disponibilidade de dispositivos como smartphones e handsets habilitados, segundo o executivo.

Também seria preciso adaptar as catracas e máquinas de acesso para a nova tecnologia. “Imagine quantos estabelecimentos comerciais existem hoje e que teriam que mudar todas as máquinas”, observou. Outro desafio é como os participantes da cadeia terão lucro. “Bancos, operadoras e bandeiras de cartão de crédito desejarão ser bem remunerados. Isso trará um custo relativamente alto”, assinaoua.

Mas no Brasil, como as operadoras estão proibidas de realizar operações financeiras, é preciso chamar as instituições que realizam essas transações para conversar. “Acontecerão muitas parcerias, sem que nenhum setor se sobreponha ao outro”, estimou Ullmann.

Há exemplos bem-sucedidos de integração de serviços na Europa, diz o executivo. “Existem integrações na Inglaterra, com a operadora O2 e o sistema de transporte de Londres, e na Espanha, com o grupo Telefonica”, exemplificou. Na América do Sul, o processo de integração está mais adiantado no Brasil.

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