Governo quer incentivar semicondutores para reduzir déficit comercial em produtos de TIC

por andre_inohara — publicado 01/03/2012 17h28, última modificação 01/03/2012 17h28
André Inohara
São Paulo – Para comprar uma tonelada de semicondutores, Brasil precisa exportar 14 mil toneladas de minério de ferro, compara secretário do MCTI, mostrando importância da área.
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Com início da produção local de semicondutores previsto para este ano e incentivos fiscais para atrair fabricantes, o governo brasileiro busca diminuir o elevado déficit comercial em produtos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Os semicondutores são a matéria-prima dos microprocessadores de computador e peças essenciais para a indústria eletrônica e de informática.

O Brasil possui o terceiro maior mercado mundial de computadores pessoais, mas não tira todo o proveito que poderia dessa situação. Componentes de alto valor agregado vitais para essa indústria, os semicondutores e alguns dispositivos microeletrônicos, têm que ser trazidos de fora a preços elevados, pois ainda não há tecnologia para produzi-los no Brasil.

“Importar um contêiner com uma tonelada de semicondutores equivale a ter que vender 14 mil toneladas de minério de ferro no exterior. Essa é uma comparação que fazemos no ministério, para mostrar que os semicondutores são de fundamental importância”, afirma Virgílio Augusto Fernandes Almeida, secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

“Nosso intuito é diminuir esse déficit em longo prazo, criando uma capacidade local de produção de parte dos semicondutores necessários”, observa o secretário, que esteve na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (01/03) para dialogar com o setor privado sobre o desenvolvimento da indústria nacional de semicondutores.  

Fabricação de semicondutores

Uma das formas de o governo incentivar o desenvolvimento da indústria de microeletrônica brasileira foi a criação da Ceitec, estatal de eletrônicos, ligada ao MCTI. “A Ceitec inicia suas operações [comerciais] neste ano e é um componente-chave para consolidar o setor, absorver tecnologia e gerar competências”, destaca Almeida.

Fundada em 2008, a Ceitec produz chip para uso em logística com tecnologia RFID (identificação por radiofrequência). Cada chip pode ser empregado para rastreamento de gado, veículos e produtos de saúde (bolsas sanguíneas).

No portfólio da Ceitec, também há um chip para transmissões de TV com o padrão brasileiro digital. A placa desenvolvida permite o recebimento de pacotes de áudio e vídeos codificados em aparelhos onde o chip estiver instalado. “Queremos construir indústrias e ter pessoal qualificado para atuar nesse setor”, destaca Almeida.

Políticas de estímulo ao desenvolvimento de informática

Além da investir na produção local, o governo quer tornar o ambiente de negócios mais atrativo para a instalação de indústrias eletrônicas no País. “Almeida cita o Padis (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores) e a Lei de Informática (Lei nº 8.248/91), que dá isenções fiscais a empresas estrangeiras que vierem produzir dispositivos como tablets e celulares, como exemplos de políticas públicas de incentivo.

“A combinação do tamanho do mercado brasileiro com incentivos fiscais e legislação favorável ao setor vai tornar o ambiente atrativo para as empresas”, acredita o secretário.

Além dos incentivos fiscais e legais, o governo também pretende adotar outras formas de apoio, incluindo comprar tecnologia local e capacitar mão de obra especializada. “As tecnologias desenvolvidas e produzidas aqui podem ser compradas pelo governo para uso na administração pública. E através do programa CI-Brasil, também vamos formar pessoas”.

O CI-Brasil, idealizado pelo MCTI, tem como tripé incentivar a atividade econômica na área de projeto de CIs (circuitos integrados), expandir a formação de projetistas de circuitos integrados e desenvolver a indústria nacional de semicondutores.

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