Patrimônio para o futuro: como fazer o planejamento financeiro em curto, médio e longo prazo

publicado 05/08/2013 16h23, última modificação 05/08/2013 16h23
Campo Grande – Empresas precisam pensar no modo como as próximas gerações vão administrar os negócios
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Na correria do dia a dia, não sobra tempo para pensar em algo crucial: o futuro. Como a empresa vai garantir a solidez e o crescimento do seu patrimônio nos próximos 50, 100 anos? “É preciso se planejar para gerir recursos e crescer com mais eficiência”, afirma Frederico Viana, advogado e sócio do Escritório Souza, Cescon, Barrieu e Flesch. Ele foi o palestrante do Comitê de Gestão Familiar, que aconteceu na quarta-feira (31/07), na Amcham-Campo Grande.

Por mais que pensar no amanhã possa parecer algo simples, não é. Para analisar os investimentos e a gestão dos negócios nas próximas décadas, é preciso, primeiramente, ter uma definição clara do quadro atual da companhia. “As pessoas precisam entender que não são eternas. E esse processo começa na organização de todos os ativos que ela tem nos dias de hoje”, explica Viana.

Com base em uma estrutura sólida para organizar investimentos recentes, é possível estimar os projetos futuros e a administração da marca. Portanto, é um sistema baseado em duas etapas de planejamento: patrimonial e sucessória. Ou seja, a forma como a empresa organiza o seu patrimônio na gestão diária e quais serão os sucessores na administração para cuidar dos negócios construídos ao longo do tempo pela organização.

Planejamento patrimonial
Esse processo nada mais é que a organização de ativos. Mas, o que são ativos? Segundo o advogado, eles são compostos pela participação societária (ações de investidores e sócios), o ativo imobiliário (imóveis que pertencem à empresa) e o ativo financeiro (as aplicações em fundos).

A partir da definição de cada ativo, é preciso “compartimentá-los”, define Frederico Viana. De acordo com ele, a empresa precisa buscar veículos para cuidar de cada tipo. Por exemplo, criar um fundo apenas para os ativos financeiros, outro para os ativos imobiliários e uma sociedade para analisar a questão da participação societária.

Planejamento sucessório
Quando a companhia é criada, o empreendedor se esquece que aquela marca pode durar mais que os seus anos de vida. Por isso, é importante que ele faça um questionamento principal: “Quem vai me substituir na administração da empresa?”.

“O planejamento sucessório é uma estratégia para dar perenidade ao patrimônio, com estrutura que possibilita a transferência de ativos e, ainda, cria uma estratégia a longo prazo de como os ativos serão geridos por outras gerações”, explica Viana.

De forma prática, esse processo pode ser executado de diversas formas. A primeira delas é por meio da doação, ou seja, o indivíduo decide passar os seus bens para outras pessoas na forma de títulos, como forma de antecipar a herança. Nesse caso, ele pode resguardar o usufruto, que permite a ele guardar para si alguns direitos sobre o que doou, como renda do aluguel de imóveis doados e cotas de participação em sociedades da companhia.

E, é claro, existem os mecanismos mais conhecidos, como o testamento e os acordos que definem fatias da empresa entre acionistas. “De qualquer forma, é bom se planejar antes, pois, se não houver algo organizado, pode gerar várias brigas”, diz Frederico Viana, ao lembrar das dificuldades encontradas quando houve a necessidade de estabelecer inventários, pois não havia sido feito um planejamento antecipado.

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