Perfil do consumidor nordestino é discutido na Amcham Recife

publicado 19/06/2015 11h27, última modificação 19/06/2015 11h27
Recife - Gerente regional de marketing da Mondelez discutiu estratégias de marketing voltadas especificamente para o consumidor do Nordeste
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Nem precisa ser nordestino para saber que a região onde vivemos se diferencia das demais do país. O orgulho da terra, o apego às tradições, a valorização da família, o conservadorismo dos costumes. Para completar, o Nordeste viveu nos últimos anos uma fase econômica privilegiada, quando ocorreu uma importante redução na desigualdade de renda. Além de moldar os costumes, todos esses fatores moldam também o perfil de consumo dos nordestinos. Esse foi o tema da apresentação “O Comportamento do Consumidor Nordestino”, feita pela gerente de Marketing de Chocolates no Norte e Nordeste da Mondelez, Alessandra Mendez, que se apresentou na noite de ontem (16/06) no Comitê de Marketing da Amcham Recife.

Alessandra explica que o “orgulho de ser nordestino” realmente tem bastante influência na hora de escolher qual produto levar. “A valorização da raiz é bastante marcante. Marcas que estejam diretamente envolvidas no ambiente do Nordestino, seja pela fabricação local, seja por apoiar eventos importantes no seu dia a dia (como carnaval, São João, Paixão de Cristo, etc) têm mais chances de entrar na cesta de compra ”, comenta.

Conforme conta a especialista, a associação das marcas a elementos que remetam às raízes da região (como a presença de cenários, atores e sotaques locais) costuma ser bastante bem-sucedida, facilitando a criação de uma conexão emocional com a marca e aumentando os laços de fidelidade.

A gerente também destaca que a mudança do contexto econômico (o salário mínimo teve aumento real de 72% de 2003 pra cá) moldou o perfil de consumo dos nordestinos. Para ela, o desejo de inclusão social orienta diretamente as escolhas de consumo dos nordestinos, especialmente para os 80% da população que integram as classes C, D e E. “Este consumidor quer ser ‘igual’, e não ‘diferente’. Consumir marcas líderes e ‘premium’ ajuda a construir a imagem social de que ele agora tem o poder de consumir o que é bom, e não necessariamente o mais barato”, comenta Alessandra Mendez. “Assim eles podem mostrar pro vizinho que evoluiu, que está ‘podendo’”.

Ela ressalva porém que o consumidor nordestino não está disposto a pagar qualquer preço por produtos ‘premium’,  mas que ele leva em conta a compra inteligente, levando em conta a relação custo x benefício. Alessandra expõe que as empresas têm se valido de diversas estratégias, como promoções do tipo leve 3 pague 2 e compras nos canais de atacado, onde o cliente leva um volume maior por um preço unitário menor.  O uso de embalagens menores (e consequentemente mais baratas) é outra forma encontrada pelas empresas líderes de tornar seus produtos mais acessíveis a classes em busca de inclusão social.

A gerente da Mondalez destacou ainda que as marcas têm tomado cuidado redobrado para não ir de encontro a outra característica marcante do consumidor nordestino: o conservadorismo.  “A questão da religiosidade, valorização da família, os pais como heróis, os filhos como uma possibilidade de um futuro melhor. Todos esses elementos entram na equação, e as marcas devem ter o cuidado de não ir de encontro a estes valores de uma forma contundente. Isso talvez afaste o consumidor de sua marca e até crie uma barreira.”

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