Presidente do Porto Digital elenca sete entraves a um maior desenvolvimento da cultura empreendedora no Brasil

por andre_inohara — publicado 25/09/2012 14h02, última modificação 25/09/2012 14h02
Salvador – Para ele, aliar o melhor das políticas públicas, o espírito empreendedor e o pensamento acadêmico com perspectiva de inovação para o mercado é o caminho para o País avançar nessa área.
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Sete obstáculos travam a capacidade empreendedora no Brasil, na visão de Francisco Saboya, CEO do Porto Digital. O executivo diz que essas barreiras estão presentes desde a formação escolar básica até o planejamento econômico do País em longo prazo, passando pelo ‘Custo Brasil’, e que superá-las permitirá que uma nova cultura do empreendedorismo, necessária ao desenvolvimento nacional, seja criada.

“O empreendedorismo está diretamente relacionado ao dinamismo econômico do País, pois gera emprego para sua população.”, afirmou Saboya durante o CEO Fórum, realizado na última sexta-feira (21/09) pela Amcham-Salvador.

Educação familiar, ensino básico e ensino superior

Os três primeiros entraves, segundo o executivo, são relacionados à educação familiar e ao ensinos básico e superior. “Não é de nossa cultura empreender, não somos incentivados dentro de casa”, afirma.

Saboya questiona a falta de visão de mercado nas escolas. “Não se fala de competição, não se fala de empreendedorismo. Na escola se fala muito sobre governo, talvez porque parte dos pais seja de funcionários públicos. O fato é que não conseguimos evoluir com o tema, é um tabu”, analisa.

De acordo com o executivo, isso se agrava no ensino superior, onde há falta de programas de empreendedorismo, que poderiam estimular o espírito empreendedor dos alunos.

Burocracia e ‘Custo Brasil’

Encargos fiscais e trabalhistas elevados se somam à burocracia, comprometendo a competitividade dos negócios nacionais e desestimulando a atividade empreendedora.

“Um estudante sai da faculdade e decide abrir seu negócio. A empresa não completará 30 dias e ele já terá recebido a visita de seis fiscais. Antes mesmo de emitir sua primeira nota fiscal, ele terá que prestar contas de uma infinidade de coisas e gastar”, ilustra Saboya.

Emprego público

O presidente do Porto Digital aponta a concorrência do emprego público como outro ponto que compromete o desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil.

“Vivemos um momento difícil porque, nos últimos dez anos, o governo vem fazendo uma profusão de concursos públicos em cargos altamente remunerados, sem que as empresas privadas consigam acompanhar esses valores. Assim, aqueles que se qualificam mais e que, portanto, têm maiores chances de passar nos concursos, são fisgados pelo emprego público”, aponta Saboya.

Ele considera ainda que, ao chegar à esfera pública, esses profissionais ocuparão posições de controle que, inclusive, poderão colocar barreiras ao desenvolvimento do empreendedorismo.

Políticas públicas

Por fim, o executivo afirma que a falta de planejamento público para o desenvolvimento do País em um horizonte mais amplo desmotiva os empreendedores.

“O Brasil desaprendeu a planejar o País. O governo, em um ano e meio, lançou dez pacotes e nenhum plano. Há uma falta de visão de longo prazo”, critica.

O empreendedorismo necessário

Francisco Saboya defende que o Brasil precisa trabalhar no desenvolvimento do empreendedorismo, conjugando os interesses do governo, da iniciativa privada e da academia.

“Aliar o melhor das políticas públicas, o espírito empreendedor e o pensamento acadêmico com perspectiva de inovação para o mercado é o caminho”, indicou.

 

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