Redes sociais devem ser exploradas como estratégia corporativa

por mfmunhoz — publicado 02/11/2010 11h12, última modificação 02/11/2010 11h12
São Paulo - É preciso planejar como canais serão usados para exposição positiva, indica consultor.
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As companhias devem explorar as redes sociais como estratégia corporativa. A principal questão para uma exposição positiva consiste em as organizações não confundirem a simples entrada nesses canais com a forma com que serão usados, indica Edney Souza, diretor de Operações da Polvora Comunicação, agência especializada em mídias sociais.

“Quanto às redes sociais, é fundamental não confundir a ferramenta com a estratégia. Ter um perfil no Twitter, uma página no Facebook ou um blog significa contar com canais para publicar conteúdo e conversar com as pessoas. Entretanto, a forma como as empresas os utilizarão é o que definirá o sucesso ou o fracasso em termos da exposição de marcas, produtos e serviços”, explicou Souza, que participou nesta quarta-feira (20/10) do comitê estratégico de Marketing da Amcham-São Paulo.

De acordo com ele, as ações de divulgação e relacionamento das empresas nas mídias sociais precisam ser desenvolvidas de acordo com os objetivos dos negócios e com muita atenção à satisfação das expectativas dos clientes, que as veem como canais de comunicação adicionais. “Se os consumidores têm dúvidas ou problemas, recorrem ao SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) por telefone, e-mail ou chat. Quando a empresa entra nas redes sociais, a expectativa deles é que possam ter as respostas ali também. O maior erro ocorre quando as organizações iniciam um plano focadas nas necessidades delas e encontram usuários com outras necessidades. É um choque.  Os clientes se sentem ignorados, deixados de lado. Por esse motivo, é necessária a preparação, o entendimento sobre a dinâmica do ambiente virtual.”

O especialista destacou passos importantes para o estabelecimento de estratégias nesse contexto:

  • Realizar pesquisas sobre palavras-chaves como nome de companhias, produtos, serviços, segmento de atuação, concorrentes e temas relacionados ao mercado;
  • Preparar um ranking das palavras-chave que possuem maior volume de pesquisa on line e que, ao mesmo tempo, são as mais adequadas conforme os usuários que a empresa quer atrair;
  • Desenvolver um novo posicionamento de comunicação para agir tanto nas conversas em andamento e comunidades já existentes (interferindo com respostas e explicações oficiais nos casos de perguntas, reclamações e discussões controversas) quanto nos perfis e páginas nas redes sociais que as próprias organizações possuem (onde deve haver divulgação e interação adequadas).


O monitoramento constante das mídias sociais e a mensuração de resultados das atividades é fundamental e, atualmente, um novo profissional surge no mercado: o analista de redes sociais.

“Geralmente, é um profissional de comunicação que tem formação em marketing, publicidade, relações públicas ou jornalismo e que tem experiência em redes sociais. Hoje, existem até cursos de pós-graduação e especializações nesse segmento”, destacou.

Oportunidade brasileira

Diversos institutos de pesquisa apontam que cerca de 75% dos internautas brasileiros estão em redes sociais, fato que coloca o País em posição de destaque na área. O principal uso da internet no País é a conversação.

A vantagem é que os investimentos iniciais de divulgação nesses meios não são elevados, segundo o diretor da Polvora. Porém, quanto mais bem elaboradas as estratégias e, quanto maiores os aportes, mais benefícios serão colhidos. “Os investimentos podem ser feitos em pessoas especializadas, em um trabalho para mudança da cultura interna e na aplicação de tecnologias.”

Um estudo recente da empresa global de relações públicas Burson-Marsteller denominado “Latin America Corporate Social Media Study 2010” indica que cada vez mais os consumidores querem interagir com as empresas por meio das mídias sociais, mas que nem sempre as companhias têm aproveitado essa oportunidade. Dentre as 160 maiores organizações na América Latina, apenas 49% utilizam pelo menos uma das plataformas Twitter, Facebook, Youtube e blogs, índice menor do que a média global (75%). O Brasil é o terceiro país da região com mais empresas com pelo menos uma mídia social (63%), atrás do México e Venezuela. O estudo mostra que 53% das organizações brasileiras estão no Twitter e 16% no Facebook.

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