Segredo do empreendedorismo está na execução, afirma Bob Wollheim

por marcel_gugoni — publicado 28/05/2012 09h24, última modificação 28/05/2012 09h24
Marcel Gugoni
São Paulo – Fundador da empresa Sixpix Content, de conteúdo voltado à Geração Y, diz que fracasso é um risco de qualquer negócio, mas pode ser superado.
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A execução eficiente de um projeto é a principal mola propulsora de um novo negócio. A avaliação do empreendedor Bob Wollheim, fundador da empresa Sixpix Content, especializada em produção de conteúdo voltado à Geração Y, é de que há passos a serem seguidos e a execução ajuda a balizar todos os outros.

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Para ele, os empreendedores têm de ser menos apaixonados pelo produto e mais focados na gestão da companhia. “As pessoas pensam que criar uma empresa para vender o produto X ou oferecer o serviço Y só requer que elas saibam tudo sobre aquilo. Na verdade, o grande desafio nem é vender o produto, mas fazer a gestão da empresa.” 

Ele conversou com a reportagem do site após mediar o ‘Encontro de Empreendedores’, que a Amcham-São Paulo realizou na quinta-feira (24/05), e afirmou que o fracasso não deixa de ser um risco para qualquer empreendedor. 

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Há o lado negativo: “muita gente se afunda, nunca mais se recupera e não é capaz de produzir mais nada”, reconhece. Mas ele prefere olhar de uma forma mais otimista para os tropeços. Os erros e as derrotas na gestão são um jeito bastante “libertador de rever os rumos estratégicos da empresa e mudar algumas coisas para dar um novo salto”. 

Veja os principais trechos da entrevista com Bob Wollheim:

Amcham: Qual o grande desafio de quem quer empreender?

Bob Wollheim: Um desafio que as pessoas têm que considerar é o financeiro. Precisa ser considerado não só para se abrir o negócio, mas para se tocar o negócio, especialmente capital de giro do dia a dia. Ele pode ser resolvido de jeitos mais criativos do que as pessoas pensam, mas muita gente não aborda esse problema com a seriedade necessária. Um segundo ponto é ser um pouco menos apaixonado pelo produto, serviço ou o que quer que se tenha criado, e ser mais focado na gestão da empresa. As pessoas pensam que criar uma empresa para vender o produto X ou oferecer o serviço Y só requer que elas saibam tudo sobre aquilo. Na verdade, o grande desafio nem é vender o produto, mas fazer a gestão da empresa. Acho que gestão e financeiro são pontos fortes para se preocupar. 

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Amcham: Então a ideia é tão importante quanto a prática?

Bob Wollheim: Para resumir isso em uma palavra, o segredo é a execução. A bola da vez do momento, o Facebook, não inventou as redes sociais nem o relacionamento virtual entre amigos, mas executou isso muito melhor [do que seus concorrentes]. Fez um produto melhor, que atraiu mais gente e permitiu tocar um projeto financeiro mais bem estruturado para atrair os investidores e os executivos certos. Ou seja, executou tudo isso para chegar e abrir o capital com valor de mais de R$ 100 bilhões. O Google não inventou a busca na internet, mas executou muito bem as melhorias neste tipo de produto. Execução é uma só palavra que contempla uma gama enorme de tarefas. A ideia é só um dos pontos de um negócio. É muito mais uma questão de executar inovações incrementais ou mesmo nos processos e nos modos de fazer. A inovação e a ideia são apenas o primeiro passo. Sem elas, não dá para ir a lugar algum, mas também há milhares de pessoas tendo infinitas ideias todos os dias que não se tornam absolutamente nada porque ninguém as executa. 

Amcham: Além da ideia e da execução, quais são as outras etapas para empreender?

Bob Wollheim: Não tenho certeza de serem etapas, mas certamente são pilares. Há o pilar da perseverança, que é fundamental. Quando analisamos o perfil das empresas e dos empreendedores, vemos que existiram muitos anos da fase inicial de muita luta e muita dúvida sobre se aquela empresa teria a chance de dar certo. Passar por esses desafios nos primeiros anos não é fácil. Quem tem sucesso é quem insiste, quem inova, busca um novo ponto de venda, um novo foco. É uma história que, depois de algum tempo, costuma ficar apagada na biografia das empresas. Elas se tornam românticas e, depois que essas turbulências passam, ficam parecendo menos graves. Mas, normalmente, são sérias.

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Amcham: Uma ideia bem executada também requer um pouco de timing?

Bob Wollheim: Sim. Há coisas que nascem cedo demais, coisas em que o empreendedor persistiu pouco e coisas nas quais a visão está certa, mas o jeito de vender, errado. Há muita empresa que nasce até no timing certo, mas não se posiciona de uma forma interessante, e por isso não vende seu produto da forma ideal para aquele momento. Outra coisa que é muito importante é a capacidade de mudar o tempo todo e se adaptar. E, mais do que isso, muita gente fala de empreendedores que sempre tiveram ‘a tal da visão’ do que iam fazer e do sucesso que iam alcançar. Isso não é verdade. Ninguém tem toda a visão do mundo. Buscar a origem do motivo que nos leva a empreender ajuda a persistir e a mudar os erros para acertarmos o caminho e mudarmos a rota quando preciso. O caminho é doloroso e há horas em que dá vontade real, profunda, angustiante e dolorida de desistir de tudo. Mas, para o empreendedor, largar tudo não é trocar de emprego. É assumir que aquele negócio fracassou e dizer isso para si mesmo, para a família, para o mercado, para os funcionários. Esse é um processo muito sofrido. 

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Amcham: De que forma é possível olhar para um fracasso de forma positiva e aprender com isso?

Bob Wollheim: O fracasso pode ser muito libertador, mas de forma alguma essa palavra tem um significado positivo. É difícil. Diferentemente do emprego, montar a empresa é algo pessoal. Não é PJ, é pessoal. Tem tido duas consequências: a negativa é que muita gente se afunda, nunca mais se recupera e não é capaz de produzir mais nada a partir deste fracasso; mas a positiva é a chance de rever o negócio, mudar algumas coisas para dar um novo salto ou mudar tudo e fazer outra coisa.

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