Startup extingue departamentos de RH e Marketing e aumenta produtividade

publicado 19/02/2016 10h36, última modificação 19/02/2016 10h36
São Paulo – Mariano Faria, CEO da Vtex, disse que gestão das áreas ficou a cargo das unidades de negócio
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Na busca por eficiência operacional, a startup de comércio eletrônico Vtex decidiu acabar com duas áreas tradicionais. “Eliminamos o RH da empresa e deu super certo. Não foi transformação não, extinguimos mesmo a área. Também acabamos com o Marketing”, admite Mariano Faria, presidente da Vtex, para surpresa de parte da plateia que foi ao Seminário Produtividade e Eficiência na Pequena Empresa da Amcham – São Paulo, na quinta-feira (18/2).

Faria explica que as mudanças deram mais autonomia às diversas áreas de negócio de sua empresa e tornaram a comunicação mais ágil. “Éramos quatro diretores pensando de maneiras diferentes. Um queria dar 100% de benefício em saúde e eu queria pagar 50%. Para chegar ao consenso, a área de RH acaba nivelando por baixo”, argumenta o executivo. Ele compara essa política a dois corredores de mãos dadas: “sempre quem está correndo menos dita o ritmo”.

Para acabar com a controvérsia, as diferentes unidades de negócio da Vtex ganharam liberdade para adotar políticas diferentes de RH. Caso alguém queira mudar para uma área onde os benefícios são melhores, Faria disse que não vê problema na transferência. “Permitir que o gestor de negócio lide com o próprio RH é a melhor política.”

O mesmo princípio foi aplicado ao Marketing e Comunicação. “Não tem mais Marketing na empresa, porque antes você falava para uma área que queria fazer isso, e outra unidade aquilo. E o Marketing ficava louco tentando atender a todos e unificar a comunicação. Para não ter reclamação, fizemos com que cada área de negócios contratasse a sua própria assessoria de imprensa”.

Faria garante que os custos desse sistema são menores. “Gasto menos com assessoria do que antes e as áreas estão extremamente felizes porque fazem o que querem.” Na Vtex, a filosofia de trabalho é de compartilhamento de informações e responsabilidades. Por isso, todos os colaboradores são estimulados a apresentar conteúdo em vídeo e até dar aulas em faculdades. “Para ensinar, tem que aprender o conteúdo. Isso também é uma forma de treinamento”, justifica o executivo.

Delegar funções e responsabilidades foi um risco enorme, admite Faria. “Quase perdemos a empresa. Dar poder às pessoas para contratar foi um caos, no começo foi difícil. Mas o projeto deu certo e tenho hoje vários sócios de 24 anos que tomam decisões maduras e conscientes de que dinheiro não é fácil de ganhar.”

Acura Global

Outra startup presente ao seminário foi a Acura Global, que atua no segmento de identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês). Como trabalha muito com importação de componentes e exportação de produtos, a empresa precisava ser eficiente, revela Marcos Honda, CEO da Acura Global.

Para crescer, a empresa aplicou metas de longo prazo e situações de crise, como a atual. “Investimentos em software de gestão para gerenciar a operação e adotamos padrões ISO para não depender de apenas um indivíduo”, comenta, sobre as ações de longo prazo.

Assim como Faria, Honda também enxugou processos e otimizou espaços na empresa. A fábrica de Extrema (MG) abriga, no mesmo nível, funcionários da administração e produção, que trocam informações de forma direta. Na matriz de São Bernardo do Campo (SP), toda a diretoria se reúne em um andar e compartilha projetos. “A comunicação é imediata e gerou ganhos de eficiência”, disse Honda.

Heloísa Montes, sócia da Deloitte, também participou do debate e disse que, antes de reorganizar processos, é importante avaliar o custo benefício da mudança.

Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper e moderador do debate, comparou os dois modelos de negócios e disse que cada modelo tem vantagens e riscos. “O modelo da Vtex é mais interativo, ela atua em um setor dinâmico onde é preciso ter agilidade para se adaptar. Já o da Acura é focado em gestão da qualidade e modelo de processos, mais estável para uma indústria”.

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