Tecnologia deve deixar de ser somente um apoio operacional para sustentar o core business

por marcel_gugoni — publicado 22/11/2012 17h48, última modificação 22/11/2012 17h48
São Paulo – Para Renato Gritti, da PwC, segredo está em transformar TI em uma área parceira para buscar inovação, em vez de mantê-la como um setor reativo às demandas.
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As empresas costumam atribuir à tecnologia o principal papel de sustentação do backoffice, as áreas operacionais e administrativas, que se apoiam em sistemas e automatização para ganhar produtividade e reduzir custos. Porém, para uma empresa em crescimento, a TI deve chegar mais perto do core business da companhia a fim de proporcionar melhor experiência do cliente final e permitir elevação da receita.

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Para negócios em crescimento, o segredo está em transformar a tecnologia da informação em uma área parceira para buscar inovação, em vez de mantê-la como um setor reativo às demandas do dia a dia, recomenda Renato Gritti, sócio de Technology Consulting da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC).

“Antes, a TI estava baseada em produtividade e redução de custo, mas hoje o verdadeiro papel dela é diferenciar as empresas ao promover uma boa experiência [de consumo] ao cliente e expansão da receita”, disse Gritti, que participou do comitê aberto Business in Growth (BIG) da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (22/11).

O comitê é voltado para empresas em crescimento, mas a recomendação do consultor vale para empresas de qualquer tamanho. Para dar o primeiro passo, a fim de alinhar a TI ao core do negócio, o consultor recomenda que já haja um alicerce de sistemas e hardware pronto a sustentar a expansão da companhia.

Ele cita o exemplo de lojas virtuais, para as quais a união da TI com a área de vendas e de logística significa o diferencial da entrega rápida a preços competitivos. Outro exemplo é a Bolsa de Valores, que busca garantir a estabilidade e o funcionamento dos sistemas de transações e liquidações de investimentos.

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“Empresas desses setores conseguiram trazer a TI para a linha de frente, usando tecnologia para entender os hábitos de consumo, preferências e padrões de compras do cliente, oferecer o que ele realmente procura e ouvir o que ele tem a dizer para gerar novos produtos e serviços.”

Antecipar e inovar

A maior parte das empresas ainda mantém a TI como uma área reativa, que fica pronta a atender problemas técnicos para as equipes. “Se a empresa recebe a demanda e simplesmente a atende, ela é reativa. Isso significa que ela está atrasada diante do negócio e das necessidades corporativas”, afirma.

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“O alicerce é importante porque, se a empresa não está organizada com sua prestação de serviços ao cliente interno, não é possível avançar”, defende Gritti. Na visão dele, o negócio deve dar o tom da arquitetura de TI, e esta ser montada sobre uma infraestrutura que atenda os processos e programas inseridos nessa arquitetura. No entanto, costuma-se inverter essa ordem, colocando as limitações ao negócio já na disponibilidade de servidores, por exemplo.

O ideal é uma TI que esteja à alinhada com o negócio ou mesmo à frente das demandas, isto é, prevendo inovações e delineando estratégias futuras. “A tecnologia tem que se reinventar. Para ter sucesso, é preciso estar menos ligado à tecnologia em si e mais perto da informação”, reforça.

A chave, diz ele, é manter uma base de informações rica sobre a atividade da empresa – e, mais importante, aprender a extrair dados e tendências dos relatórios de informações produzidos. “A área a priorizar é o core business. Se a empresa é orientada a transportes, a TI deve estar perto da distribuição e da logística”, exemplifica.

“Temos encorajado alguns clientes para que os analistas de negócios não fiquem mais sentados ao lado do gerente de Tecnologia, mas que vão para a área de negócios e para dentro do campo enxergar o dia-a-dia dele para que, inclusive, observar as novidades necessárias para apoiar o crescimento da empresa.”

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Minerar essas informações permite, por exemplo, saber quais são os melhores mercados para a empresa buscar, em quais regiões ou setores econômicos estão surgindo oportunidades novas e quais estão se estagnando. “É preciso buscar onde a empresa pode crescer mais”, ressalta o consultor, “e ter em mente, também, que relacionamento é a base para todo crescimento”.

Descomplicar a tecnologia

A mudança passa por uma readequação não só dos serviços de tecnologia da informação, mas de suas estruturas de hardware e do uso de software. “O principal esforço deve ser descomplicar a TI”, complementa ele. Por descomplicação, entenda-se maior agilidade de aquisição de recursos e mais capacidade de entrega com redução dos custos fixos e flexibilização dos serviços.

É o que Gritti chama de “tirar o peso da tecnologia dentro de casa”, ou em outras palavras, externalizar o que não é diferencial da empresa. Ele compara: se uma empresa produz e distribui carros, não deveria ter que se preocupar com servidores de dados ao adotar, por exemplo, a computação em nuvem.

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A cloud computing é o melhor exemplo de como executar esta mudança, aponta o consultor. “É preciso repensar as soluções que permitem entregar um serviço mais fácil porque a tecnologia evoluiu”, defende. “Isso pode trazer um diferencial que permite focar no negócio. É certo que não dá para olhar tudo ao mesmo tempo, e quem quer focar em muita coisa não prioriza nada.”

O recado final aos empresários é de que passem a pensar a TI como um negócio. “Abraçar o desafio traz riscos, mas o resultado pode ser um crescimento. Mas, se o executivo não fizer nada para reinventar sua TI, o próprio mercado continuará evoluindo e a tecnologia pode se tornar um inibidor do crescimento”, conclui o consultor.

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