Telefonia móvel virtual pode conquistar 22 milhões de clientes nos próximos anos

por andre_inohara — publicado 26/08/2011 16h41, última modificação 26/08/2011 16h41
São Paulo – Empresas fora do ramo de telefonia, como bancos, terão condições de prestar serviços do segmento sem ter rede própria e cativar clientes a um custo comercial menor.
eduardo_tude2.jpg

Autorizadas pela legislação, as Operadoras Virtuais de Telefonia Móvel – conhecidas pela sigla em inglês MVNO – têm o caminho aberto para a conquista de mercados e clientes. Agora, qualquer empresa fora do ramo de telefonia pode alugar a rede de uma operadora tradicional e vender linhas ao consumidor final.

Trata-se de um nicho de mercado com potencial para capturar 22 milhões de assinantes nos próximos cinco anos. Isso corresponde a cerca de 10% dos usuários atuais de telefonia móvel (estimados em 220 milhões), segundo Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco.

“O mercado de MVNO está começando agora. Mas, se verificarmos a quantidade total de celulares no Brasil, falar em 10% desse montante seria um bom target para o MVNO nos próximos cinco anos”, disse, após participar do comitê estratégico de Mobilidade Financeira da Amcham-São Paulo na quinta-feira (25/08).

Custo menor e customização

Uma das vantagens de uma operação MVNO é a oferta de serviços de telefonia móvel (voz e dados) a um custo menor de aquisição de clientes.

“Por ser um mercado de nicho, o operador de MVNO gastará menos com marketing, pois não ficará colocando propaganda na TV em rede nacional. Além disso, normalmente, trata-se de uma empresa que já tem cadeia de distribuição”, comentou.

Outra vantagem é a customização de serviços. “Os serviços oferecidos podem ser mais sintonizados para um nicho de mercado onde o MVNO atua. A conexão e a rede são as mesmas de uma grande operadora, mas a diferença aparece no atendimento e pacote de serviços”, afirmou.

Por meio de MVNO, seria possível a um banco oferecer mais facilidades e descontos em serviços de banking e pagamentos de contas. 

No Brasil, redes supermercadistas, bancos e instituições financeiras são algumas das empresas que demonstraram interesse pelo MVNO. Entre eles, estão a seguradora Porto Seguro e a rede Pão de Açúcar, segundo veiculado na imprensa.

Modelos de MVNO no Brasil

De acordo com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), haverá dois modelos de operações MVNO no Brasil. O primeiro tipo é o de atividade credenciada, quando a empresa interessada se torna uma representante da operadora.

Nesse modelo, há poucas obrigações operacionais por parte da companhia. Em contrapartida, a autonomia em relação à operadora também é menor. “A empresa é apenas representante da operadora e atua mais com a marca e distribuição”, explicou Tude.

O segundo modelo, de atividade autorizada, envolve mais obrigações das empresas interessadas em manter uma rede MVNO. A companhia compartilha infraestrutura com a operadora e assume todas as obrigações de uma empresa de telefonia celular.

Essa é uma operação que exige mais investimento das interessadas, ressalta o consultor, que acredita na predominância do modelo de credenciados.

“As grandes empresas investidoras partirão para o modelo de autorizada e as menores, em maior quantidade, serão credenciadas.”

 

registrado em: