Ter objetivos claros e receptividade é fundamental para encontrar profissionais certos, segundo diretora do Grupo Europa

por andre_inohara — publicado 17/12/2012 11h56, última modificação 17/12/2012 11h56
São Paulo – Este é um dos pilares de crescimento da companhia comandada pela executiva, que herdou o grupo antes de completar 30 anos.
manuella_souza_195.jpg

Foi em um treinamento de coaching que a diretora do Grupo Europa, Manuella Curti de Souza, deu os primeiros passos para encontrar a equipe que tem ajudado sua empresa a crescer no mercado de purificadores de água.

A executiva cresceu dentro da empresa vendo o pai, Dácio Múcio de Souza, tocar o negócio. Essa vivência permitiu que ela conhecesse a companhia por dentro, e a ajudou a definir o rumo corporativo para os próximos anos.

Para compensar a falta de experiência administrativa, Manuella buscou no mercado a ajuda de profissionais que a aconselharam e se juntaram a ela. “Conheço o DNA da empresa, o potencial do negócio e quero participar dessa transformação, mas com responsabilidade. A chave para isso foi criar o conselho de administração e estar com as portas abertas para conhecer pessoas especiais, em qualquer lugar”, conta ela.

Advogada de formação, a herdeira do Grupo Europa assumiu a companhia há cerca de dois anos, depois que o irmão mais velho, Dácio Múcio de Souza Jr. – e sucessor natural –, faleceu. Manuella perderia o pai alguns meses depois, o que a motivou a assumir os negócios da família.

Manuella foi uma das participantes do III Encontro de Empreendedores da Amcham-São Paulo, realizado em 13/12. Veja abaixo a entrevista da executiva ao site da Amcham:

Leia mais: Empreendedores demonstram que sucesso em vender produtos já popularizados está ligado a reposicionamento de mercado e estratégias diferenciadas

Amcham: Em sua apresentação, a sra. disse que encontrar as pessoas certas foi a forma de fazer a empresa crescer. Como foi esse processo de delegação do controle?

Manuella Curti de Souza: Isso foi fundamental. Acho que foi meu ‘pulo do gato’ entender que eu não sabia [administrar uma empresa] e que aquilo caiu no meu colo. Tenho 28 anos e nunca dirigi uma empresa. Se isso é fato, o que vou fazer? Conheço o DNA da empresa, o potencial do negócio e quero participar dessa transformação, mas com responsabilidade.

Amcham: Poderia contar um pouco do processo de profissionalização do grupo? 

Manuella Curti de Souza: A chave para isso foi criar o conselho de administração e estar com as portas abertas para conhecer pessoas especiais, em qualquer lugar. A pessoa que me ajudou a estruturar o conselho foi o Wilson Poit [diretor-presidente da Poit Energia e que hoje é conselheiro independente do Grupo Europa], em um curso de coaching. Ele me apresentou a pessoas que me apresentaram a outras, e assim fui achando as que se encaixavam. Esse processo de contratação de profissionais foi muito importante, pois todos se sentem no mesmo barco. Vejo-os trabalhando com a mesma intensidade e amor com que trabalho. De alguma forma, eles entraram no desafio da empresa e tornaram isso uma questão pessoal. Fui buscar os melhores. Todos estavam trabalhando, mas disse que precisava deles aqui. Acho que criamos um significado maior de trabalho, o segredo foi esse.

Amcham: No evento, participaram empresários que trabalham com produtos bastante popularizados, como doces, molduras e purificadores de água. Como transformar em sucesso a venda de itens que são encontrados facilmente?

Manuella Curti de Souza: Em nosso negócio, precisamos ter uma marca confiável que transmita segurança ao consumidor. Afinal de contas, somos nós que provemos a água que ele e a família vão beber. Porém, [o segredo] acho que é o conjunto de todos os elementos [conceito de negócio, qualidade do produto] e como eles combinam.

Amcham: Para o Grupo Europa, a marca é o mais importante?

Manuella Curti de Souza: A confiança vem através da marca, mas também da qualidade do produto. Eles são fabricados aqui, não importamos nada da China. Então, temos controle dos processos e, portanto, da qualidade do produto. Também contamos com uma rede de distribuição de 165 empresários no País, pontos de assistência técnica e peças disponíveis. Isso é um diferencial interessante.

Amcham: O tema de sua apresentação no encontro foi a gestão de crises, diante da sua experiência pessoal [a empresária perdeu o pai e o irmão mais velho, que seria o sucessor da empresa, há dois anos]. Como prosseguir em um momento tão difícil pessoal e profissionalmente?

Manuella Curti de Souza: A primeira coisa é se voltar para dentro. Tive que descobrir forças e o que me fazia seguir adiante. Quando percebi isso, empenhei meu sonho de vida para dentro da empresa. Não imaginava que iria vender purificador de água, mas, se é isso o que ocorreu, é porque tenho uma aprendizado, uma missão a cumprir.

Amcham: E quanto à sua satisfação pessoal?

Manuella Curti de Souza: Coloco dentro da empresa. Foi um segredo que descobri, e por isso consegui enxergar o potencial do negócio. Água é uma coisa do futuro e temos um modelo diferente de negócios, razões pelas quais somos muito procurados por outras empresas. Nossa empresa terá um futuro maravilhoso pela frente e está claro que haverá muitos desafios.

Amcham: E como tem sido a transição de advogada para empresária?

Manuella Curti de Souza: É desafiador. A decisão de eu ficar à frente da empresa foi pensando no DNA do negócio. Meu pai, o fundador, imprimiu os valores da empresa e, como sou filha dele, já vim com eles. Participei da história da empresa de forma muito próxima, o que facilitou muito. Mas é um desafio constante porque temos distribuidores e funcionários antigos que têm uma visão e imagem de mim como criança. Tenho que conquistar o respeito deles como gestora e também existe o desafio de fazer as pessoas que estão chegando incorporarem nosso DNA.

Amcham: Qual é o DNA do Grupo Europa?

Manuella Curti de Souza: Meu pai dizia que o negócio é sui generis, o que significa ter paixão e trabalhar a venda de forma diferente. Tem muita ênfase em relacionamento com o cliente, sentar com ele e desenvolver. Não é deixar o produto para ele comprar. Nosso modelo é diferente, não concorremos em preço.

Amcham:  O grupo vai completar três décadas nos próximos anos. Que tamanho a empresa deve ter quando isso acontecer?

Manuella Curti de Souza: Estaremos muito bem. Fizemos tanta coisa nos últimos dois anos e meio que chegaremos a 2013 com planos audaciosos. Temos uma meta para os nossos trinta anos, que celebraremos em 2015, quando também vou fazer 30 anos. Brinco com a equipe que atingir o faturamento e a lucratividade [planejados] será meu presente. Até lá, estaremos presentes em todas as cidades com mais de 200 mil habitantes e recuperando a liderança perdida em alguns estados. Nessa nova fase, vamos trabalhar o rejuvenescimento de marca e o mix de produtos. Estamos revendo o processo ao longo do tempo. Não dá simplesmente para tirar um modelo e colocar outro. São mudanças que ainda não se refletiram na ponta, mas chegaremos lá com processos e governança estruturadas.

 

registrado em: