Trabalho de mensalistas domésticas perderá espaço para as diaristas e horistas, diz sócia de agência de empregos

por andre_inohara — publicado 27/07/2012 14h11, última modificação 27/07/2012 14h11
São Paulo – Encarecimento de salários e escassez de mão de obra vão mudar perfil de serviço doméstico.
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Manter uma empregada mensalista ficará cada vez mais caro, o que vai fazer com que esse perfil de trabalhadora perca espaço para as pessoas que trabalham por dia e hora – as chamadas diaristas e horistas.

“Os serviços domésticos serão cada vez mais para coisas pontuais e não por trabalho mensal. Terminado o serviço, a profissional vai embora”, disse Daniele Kuipers Neaime, sócia da agência de empregos domésticos online Casa & Café.

Com o aquecimento econômico, muitas trabalhadoras estão deixando de ser domésticas e optando por serviços mais bem remunerados em indústria, comércio e serviços. Conforme a executiva, essa é uma tendência que já ocorreu em países de primeiro mundo e que o Brasil acabará por seguir em um futuro não muito distante.

Leia abaixo a entrevista de Daniele ao site da Amcham, após sua participação no do II Encontro de Empreendedores da Amcham-São Paulo, realizado nesta quinta-feira (26/07).

Veja aqui: Crescer não depende só de vontade, mas de estratégia e perfil de mercado

Amcham: A Casa & Café atua na intermediação de empregos para domésticas, babás, cozinheiras e também cuidadores e motoristas. Há intenção de incluir novas classes profissionais?

Daniele Neaime: A ideia não é incluir novas classes profissionais, mas aumentar nossa gama de produtos para atender as que já temos. Agora, por exemplo, estamos investindo e desenvolvendo o treinamento online. O foco é aprimorar mais os produtos que já temos. Também estudamos oferecer um tipo de cartão pré-pago às domésticas.

Amcham: Poderia dar mais detalhes?

Daniele Neaime: Minha empregada costumava falar da preocupação em sair com o salário na bolsa. As domésticas são um segmento esquecido pelas instituições financeiras. Muitas mensalistas não têm conta bancária, então recebem pagamento em dinheiro. Estamos desenvolvendo um tipo de cartão pré-pago [que funciona como cartão de débito comum, para a realização de compras e saque em caixas eletrônicos] com uma bandeira, onde o contratante pode creditar o pagamento da trabalhadora.

Amcham: Qual a tendência para o serviço de empregada doméstica?

Daniele Neaime: Vai acontecer no Brasil o que os países de primeiro mundo já vivenciaram. O trabalho doméstico terá outro modelo, que será por hora ou dia. Muitas vezes a contratada vai para fazer um serviço pontual na casa do cliente. Os serviços domésticos serão cada vez mais para coisas pontuais e não mais por trabalho mensal. Terminado o serviço, a profissional vai embora.

Amcham: Quando isso deve acontecer?

Daniele Neaime: Em longo prazo, a tendência é que isso aconteça no Brasil. Tudo é uma questão de adaptação, as pessoas vão continuar precisando executar serviços domésticos e esse trabalho vai continuar existindo. É claro que estamos no começo das mudanças, o aquecimento da economia está gerando escassez de mão de obra doméstica, e tem a questão da inflação dos salários do setor. Hoje elas ganham cada vez mais, então manter uma mensalista vai ser mais difícil. Essa profissional está ficando cara, há empregadas que ganham salário equivalente ao de um universitário. As pessoas vão optar pelas diaristas ou horistas.

Amcham: Falando sobre futuro, como a Casa & Café pretende crescer?

Daniele Neaime: Nosso objetivo é crescer rápido, e o modelo de franquia vai ajudar. Percebemos que existe a possibilidade de se ter um projeto de expansão agressiva e com prazo menor do que somente pela inauguração de filiais. Precisamos de pontos físicos em polos industriais onde há demanda por empregada doméstica e gente interessada nesses serviços.

Amcham: E em que ritmo está o projeto de expansão?

Daniele Neaime: A ideia é ter 100 franquias nos próximos três anos. Queremos estar nas regiões mais desenvolvidas, como as capitais, e estamos homologando os franqueados que possam fazer atendimento nacional. Temos uma clientela que muitas vezes quer ter um espaço físico para visitar e que prefere um relacionamento presencial. Mas já traçamos as cidades com grande movimento.

Amcham: Por onde pretendem começar?

Daniele Neaime: Só abriremos franquias em praças de grande potencial. Existe todo o Centro–Oeste, além de muitas cidades do Nordeste. Atualmente só estamos em Salvador, mas há muito que explorar ainda com as franquias.

 

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