19 de agosto é o dia da "sobrecarga da Terra"

publicado 19/08/2014 11h50, última modificação 19/08/2014 11h50
São Paulo – Nessa data, humanidade esgotou recursos naturais do ano todo, diz a Global Footprint Network
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O dia 19 de agosto é marcado pelo Earth Overshoot Day (dia do excesso da Terra, ou dia da sobrecarga da Terra, em traduções aproximadas) em 2014, data em que a demanda anual da humanidade por recursos naturais excede o que a Terra repõe em um ano. Em menos de oito meses nós gastamos uma quantidade de recursos equivalente ao que a Terra pode produzir por todo ano de 2014.

Neste Earth Overshoot Day, a humanidade exauriu todo o "orçamento" da natureza para o ano. Para o resto do ano, nós estamos puxando para baixo nossos "ativos" ecológicos. O déficit ecológico existe por causa do esgotamento dos estoques de peixes, árvores e outros recursos, e ao acúmulo de resíduos como dióxido de carbono na atmosfera e oceanos. Atualmente, a emissão de carbono é responsável pela maior parte do impacto humano sobre a Terra – resultado de emissões de gases de efeito estufa mais rápidas do que a absorção deles pelas florestas e oceanos – e contribui significativamente para os gastos ecológicos excessivos da humanidade.

De acordo com os cálculos da organização não-governamental Global Footprint Network’s, seria necessário mais de um planeta Terra e meio para prover a biocapacidade necessária para suportar o atual impacto ecológico da humanidade. Projeções moderadas de população, energia e alimentação sugerem que a humanidade vai requerer uma biocapacidade de três planetas bem antes de meados do século.  Isso pode ser fisicamente impraticável.

Hoje, 86% da população mundial vive em países que demandam mais da natureza do que seus próprios ecossistemas podem se renovar. Esses países “devedores ecológicos” esvaziam os recursos de seus próprios países ou os esgotam de outros. Se os residentes do Japão consumissem recursos ecológicos gerados somente dentro de suas fronteiras, eles precisariam de sete países como o Japão para prover suas necessidades. Em outras palavras, o impacto ambiental do Japão é sete vezes maior que sua biocapacidade. Semelhantemente, seriam necessárias 4,3 Suíças para suportar a Suíça e 2,7 Egitos para o Egito.

Nem todos os países necessitam mais do que os seus ecossistemas podem suprir, mas mesmo as reservas de “credores ecológicos”, como Brasil, Indonésia e Suécia, estão diminuindo ao longo do tempo. Para esses países, o principal desafio é tratar seus recursos naturais como fontes cada vez mais importantes de riqueza a serem preservadas e cultivadas ao longo prazo, em vez de riquezas a serem desperdiçadas como um lucro de curto prazo.

É possível virar a maré, segundo a Global Footprint Network e seus parceiros.  Eles estão dando suporte a governos, instituições financeiras e ouras organizações ao redor do globo para tomarem decisões alinhadas à realidade ecológica.

O Earth Overshooting Day é uma oportunidade valiosa para despertar a consciência sobre os excessos do uso de recursos ecológicos pela humanidade.

Há várias atividades com organizações parceiras ao redor do globo para marcar o Earth Overshoot Day. A WWF China (World Wildlife Fund), por exemplo, está co-organizando o evento “o milionário verde” para engajar jovens líderes ambientalistas nas principais universidades chinesas: estudantes respondem perguntas e cumprem tarefas para ganhar “fundos verdes” e reduzir o impacto no meio ambiente global.

Enquanto isso, vários eventos estão acontecendo em Berlim. Uma coalização de ativistas alemães organiza um encontro no relógio mundial, na Alexanderplatz, para chamar atenção dos políticos para que considerem os limites planetários em seus modelos de crescimento. No final do mês, a artista britânica Ellie Harrison vai realizar uma performance pelo Earth Overshoot Day, em Berlim, numa crítica cômica ao “progresso” humano.  

Saiba mais do Earth Overshoot Day clicando aqui.

Amcham e a sustentabilidade

A Amcham-Brasil, maior câmara americana de comércio fora dos Estados Unidos e maior entidade multissetorial brasileira, é uma entidade comprometida com a sustentabilidade, realizando ações e difundindo práticas inovadoras entre seus 5 mil associados pelo país.

A Amcham é pioneira em reconhecer práticas de sustentabilidade em empresas, tendo criado, em 1982, o Prêmio Eco (empresa-Comunidade). Conheça mais sobre a premiação clicando aqui.

O prédio da sede da Amcham, em São Paulo, recebeu em abril o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), a mais alta certificação mundial de sustentabilidade em construções. A câmara alcançou a classificação Gold, com a maior pontuação no Brasil entre os prédios já existentes que se adaptaram às rígidas regras de eficiência energética e ambiental do U.S. Green Building Council (GBC), entidade americana que criou o sistema certificador em 2000.

Para emitir a certificação, o GBC avalia cinco quesitos: espaço sustentável; uso racional da água; eficiência energética; redução, reutilização e reciclagem de materiais e recursos e qualidade dos ambientes internos.  

Conheça o projeto de eficiência energética e hidro-sanitária do prédio da Amcham e os resultados gerados, como a redução de 35% no consumo anual de água e a economia de 30% de energia. Leia mais clicando aqui.

 

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