“ESG traz o desafio na maneira de gerenciar empresas”, afirma Amelia Miazad

publicado 11/03/2021 11h59, última modificação 11/03/2021 12h48
Brasil – Fundadora do Business in Society Institute em Berkeley Law aponta que a principal diferença entre a prática atual e o RSE é a integração com as estratégias de negócio
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ESG foi tema da nossa Posse do Conselho de Administração 2021, com painel que contou com a presença de Amelia Miazad

 “ESG traz o desafio para a maneira de gerenciar empresas”, avalia Amelia Miazad, fundadora do Business in Society Institute em Berkeley Law. Isso porque, quando a Responsabilidade Social Empresarial (SER) surgiu, na década de 80, se tratava de fazer o mínimo para negar os impactos do negócio, mas nunca foi dada a oportunidade da sustentabilidade ser integrada às estratégias de negócio  

Como exemplo, a especialista levantou um caso hipotético de uma empresa que polui um rio local e, em compensação, constrói uma escola na região. “A construção da escola não tem quase nada a ver com as operações e estratégia do negócio. Essa prática é comum no RSE, mas não faz sentido na estratégia ESG”, comenta.  

Ao passo que os negócios evoluíram e externalidades se tornaram maiores, o ESG cresceu como função corporativa de uma forma muito diferente do RSE, sendo integrado às estratégias de negócio como oportunidade. Para ela, a prática está crescendo porque não há mais lugar para se esconder: “Por conta das mídias sociais, os riscos de reputação estão enormes”.  

Essa mudança de paradigma, que influenciará tanto no rumo dos negócios, foi assunto da nossa Posse do Conselho 2021: CEO ESG, realizada no dia 05/03. Acompanhe mais destaques do que foi debatido:

A ENGRENAGEM FALTANDO 

Uma vez que o ESG, diferente de práticas corporativas sustentáveis já existentes anteriormente, se trata de uma mudança na estratégia de negócios, é preciso que o mercado não foque apenas em uma área problemática em particular. “Os problemas irão mudar, por isso é preciso trazer uma aproximação do negócio que é muito mais aberta às contestações vindas de stakeholders internos e externos”, menciona Amelia.  

André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), concorda. Para ele, o ESG é internalizar as externalidades do negócio. Ele acrescenta ainda que a preservação da Amazônia é uma questão de garantir e aumentar competitividade no mercado brasileiro, porque garante com que o Brasil seja mais bem visto por investidores internacionais e atrai potenciais clientes e capital estrangeiro.  

“Derrubar o desmatamento da Amazônia é o melhor negócio que o Brasil pode fazer. Vai ser ruim para meia dúzia de bandidos e grileiros, mas será ótimo para o mercado como um todo e para as grandes e sérias empresas”, menciona o executivo. Além disso, Tania Cosentino, presidente da Microsoft Brasil, pontua que esse é um fator que o shareholder está avaliando no momento de indicar uma empresa e que os parceiros de negócios também estão observando no momento de fechar um contrato.  

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