“Precisamos diminuir drasticamente a distância entre discurso e a prática da sustentabilidade”, afirma Vania Bueno

publicado 10/03/2020 15h22, última modificação 10/03/2020 15h22
São Paulo - Cerimônia do Prêmio ECO lembrou da importância de caminharmos para um mundo mais verde
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Fundadora da Anima Convivência Produtiva (centro) participou de painel com Daniela Lerario (direita) e Ricardo Young (esquerda)

O que falta para migrarmos de uma economia poluente para processos, produtos e negócios sustentáveis? Para a fundadora da Anima Convivência Produtiva, Vania Bueno, é colocar na prática aquilo que já sabemos. Precisamos diminuir drasticamente a distância entre discurso e a prática da sustentabilidade”, afirmou, durante a cerimônia do Prêmio ECO, realizada em São Paulo no dia 04/03.  Também participaram Daniela Lerario, sócia da TriCiclos e Co-Presidente do Sistema B Brasil, e o moderador Ricardo Young, fundador do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos.

Para Daniela, nos últimos cinco anos, o debate sobre finanças sustentáveis e economia circular deu um salto relevante em termos de maturidade. No entanto, ela também apontou duas falhas importantes e que estão impactando na transformação dos negócios e sociedade em uma economia totalmente verde; a falta de priorização da pauta nas organizações e também ‘não sair da caixa’ para buscar soluções. Um dos objetivos da certificação B, que avalia e concede selos à organizações e negócios que resolvem problemas sociais e ambientais, é justamente desafiar as empresas a darem esse pulo. 

“Sinto que precisamos buscar outras pessoas que estão fazendo diferente. Existe um desafio dentro do sistema B, e a nossa lógica é de provocar e entrar dentro do mainstream. Os negócios que geram impacto são aqueles que precisamos nos aproximar. Nem todas as empresas serão B, mas muitas empresas podem se comportar como empresas B”, analisou. Segundo a especialista, a transformação vai demorar tempo e requer desafio de percepção de médio e longo prazo. Nesse processo, todos precisarão de criatividade, tempo e resiliência para encabeçar as mudanças.

 

TEMPOS CONFUSOS 

Outro ponto de atenção foi a necessidade de engajar a alta liderança nesses processos. Para Vânia, se não tiver mudança no topo, nada de transformação acontece. E precisamos projetar esse engajamento para o futuro. “Fui trabalhar na formação de novos líderes, porque a escola ainda não ensina a gente a pensar de forma sistêmica. É um momento em que não sabemos das coisas, então é um preciso ouvir mais e de outros pontos de vista”, relata. E, para isso, a especialista lembrou da necessidade de trazer a diversidade como ferramenta para juntar e conectar a inteligência. 

 

POR UM MUNDO SER MAIS VERDE

A nossa CEO, Deborah Vieitas, trouxe dados que contextualizam a necessidade e importância da sustentabilidade na sociedade. Segundo o relatório do Fórum Econômico Mundial de 2020, dentre as maiores ameaças globais para os próximos anos, figura o risco de mudanças climáticas. O seu custo já é estimado em 10% do PIB global, já que 60% das empresas listadas no S&P5OO estão localizadas ou possuem operações em áreas sujeitas a grandes riscos climáticos. 

Deborah citou ainda o índice global de desmatamento de 17%, a qual considera nada promissor. “Em Davos, percebemos que as lideranças presentes foram unânimes: precisamos lembrar que não há trade-off entre preservação e desenvolvimento. Preservação dá lucro. Assim como em Davos, acreditamos que precisamos ser mais verdes do que nunca”, avisou a presidente.

 

PAPEL DO PRÊMIO ECO

“Há 37 anos, o Prêmio Eco é a plataforma que destaca empresas que são agentes transformadores, tanto da sociedade quanto do meio ambiente”, lembrou Deborah. Foram premiados 20 cases nesta edição - veja mais:

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