A partir do bagaço, Raízen aumenta produção de etanol e ganha Prêmio Eco

publicado 02/12/2014 14h00, última modificação 02/12/2014 14h00
São Paulo – Chamado etanol de segunda geração, produto amplia em 40% a produção sem expandir área plantada
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Maior produtora brasileira de energia renovável a partir do bagaço da cana, a Raízen deu nova destinação ao resíduo para aumentar a produção de etanol sem precisar ampliar as plantações. A companhia desenvolveu o etanol de segunda geração – ou etanol 2G, combustível igual ao produzido no método tradicional, mas feito a partir da celulose do subproduto.

A nova tecnologia deu à Raízen o Prêmio Eco de 2014, modalidade Práticas de Sustentabilidade - Produtos ou Serviços. “Ela aumenta em 40% a produção de etanol sem crescer a área plantada”, afirma Davi Alencar de Araújo, gerente de Desenvolvimento Sustentável da companhia.

A ideia do 2G surgiu como um desafio frente à estratégia da Raízen de ser líder na produção de energia sustentável, expandindo a fabricação de etanol, conta o gerente. Isso poderia ocorrer comprando novas usinas ou aumentando a capacidade das existentes. A primeira opção, diz Araújo, estava fora de questão porque o mercado se encontra fechado e o retorno do investimento não é viável.

“A gente tem ampliado a capacidade de moagem das usinas, mas há a demanda por mais cana e a questão da terra, que é muito sensível pelo preço e especulação imobiliária”, comenta o gerente. “Então fizemos a avaliação técnica e financeira e nos perguntamos se não fazia mais sentido produzir com o bagaço do que expandir as fronteiras das plantações”, complementa.

Antes, o bagaço era destinado para proteção mecânica do solo e para a cogeração de energia elétrica. Além de melhorar a eficiência do resíduo, o etanol 2G tem remuneração melhor do que a de cogeração energética.

Celulose

A nova tecnologia consiste em obter açúcares para a produção do etanol a partir da celulose de coprodutos do processamento tradicional da cana-de-açúcar, como o bagaço, as folhas e a palha. Desenvolvida por dois anos em parceria com a empresa canadense de biotecnologia Iogen Corporation e a dinamarquesa Novozymes, especializada em tecnologia de enzimas.

O novo processo permite manter a fabricação de etanol também nas entressafras. A empresa programou o início da produção de etanol 2G para o final de 2014, na usina Costa Pinto, em Piracicaba-SP. A expectativa é de atingir 40 milhões de litros de etanol 2G por ano. A planta representa 2% da produção atual de etanol da Raízen e 0,2% da produção nacional de biocombustível.

Até 2014, mais sete unidades devem passar a produzir o etanol de segunda geração, com capacidade máxima de 1,5 bilhão de litros.

“Conforme nossas fábricas forem instaladas, teremos uma curva de aprendizado que vai aumentar ainda mais nosso operacional. Nosso objetivo é que o custo do etanol 2G, atualmente mais caro, torne-se compatível com o do tradicional no futuro próximo”, declara.

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