Apenas um não basta: empresas precisam ampliar diversidade racial nos escritórios

publicado 25/03/2019 09h54, última modificação 27/03/2019 10h28
São Paulo – Comitê de Diversidade e Inclusão trouxe protagonistas negros para compartilharem suas experiências no ambiente corporativo
Apresentadora do Jornal da Cultura, Joyce Ribeiro, à direita, e o vice-presidente de Finanças da Bayer para a América Latina, Maurício Rodrigues, à esquerda..jpg

Apresentadora do Jornal da Cultura, Joyce Ribeiro, à direita, e o vice-presidente de Finanças da Bayer para a América Latina, Maurício Rodrigues, à esquerda.

Ter apenas um executivo ou funcionário negro não basta para incluir a diversidade no ambiente corporativo. A falta de pluralidade da mesma representatividade também pode ser uma dificuldade para o profissional. É o que conta a o vice-presidente de Finanças da Bayer para a América Latina, Maurício Rodrigues. “O principal dilema que eu vivenciei por muito tempo foi o fato de ser único nos lugares que frequentava”, comenta.

O executivo, que estudou no colégio particular Bandeirantes e cursou Engenharia Civil na Universidade de São Paulo (USP), menciona ter sido o único negro em muitos dos ambientes acadêmicos e profissionais em que esteve presente. “A única forma de sobreviver àquele ambiente era fingir não ser negro e não tocar no assunto. E se eu não comentasse aquilo, eventualmente, ninguém percebia”, relembra.

Rodrigues esteve presente durante o nosso Comitê de Diversidade e Inclusão, juntamente com a apresentadora do Jornal da Cultura, Joyce Ribeiro. Ambos falaram sobre as respectivas trajetórias profissionais e as dificuldades que enfrentaram ao longo da carreira. O evento ocorreu em São Paulo, na última quinta-feira (21).

O papel da empresa

Durante o bate-papo Joyce contou que, por sempre querer trabalhar na televisão e estar em frente às câmeras, muitas vezes encontrava dificuldades ao chegar diante das oportunidades que a levariam a isso e se deparar com desculpas relacionadas à cor de pele. “Já ouvi, mais de uma vez, que não poderia ser apresentadora de jornais porque a imagem do negro não vendia bem para público da televisão”, manifesta.

A executiva lembra que, embora a mentalidade corporativa tenha mudado em sua maioria, as empresas ainda precisam saber tomar providências de acolhimento, a fim de evitar um resultado contrário à inclusão da diversidade. “Aumenta-se a proporção dos casos de racismo institucional e de problemas internos com a presença desse negro se a empresa não tiver uma cultura de diversidade já implantada”, avalia.

Mauricio concorda com a apresentadora: na visão dele, companhias de maioria branca devem promover um processo educacional dos colaboradores para que se entenda o problema e a mudança que a sociedade exige das empresas. “É preciso atrair os brancos para discutirem sobre o assunto para que o processo não seja isolado e sim o mais amplo possível”, finaliza.

Diagnóstico

A fim de auxiliar os ambientes corporativos a serem mais inclusivos, publicamos o E-book “Diversidade Racial: Como promovê-la e como ela pode contribuir com o seu negócio?”. O conteúdo lista boas práticas e dá dicas de como implementar a pluralidade racial nas companhias.

Elaborado por Reinaldo Bulgarelli, sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação, e membro do Comitê de Diversidade da Amcham, Karina Chaves, gerente de Diversidade e Inclusão do Carrefour, Aline Cintra, gerente sênior de Recursos Humanos da Bayer e Viviane Moreira, gerente sênior de Resiliência Corporativa da UnitedHealth Group, o material estará disponível gratuitamente para sócios e para não-sócios durante 30 dias*.

*Após o dia 22 de abril, o E-book ficará restrito apenas para sócios da Amcham.

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