Brasil tem que mostrar ao mundo que sabe crescer preservando meio ambiente, defende secretário do Meio Ambiente

por marcel_gugoni — publicado 11/12/2012 18h22, última modificação 11/12/2012 18h22
São Paulo – Para Francisco Gaetani, agenda ambiental é mainstream e diz respeito a todos: governo, empresas, famílias e sociedade civil.
secretario_195.jpg

O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Por isso, precisa mostrar ao mundo que sabe produzir desenvolvimento econômico ao mesmo tempo em que preserva seu meio ambiente e promove inclusão social, recomenda Francisco Gaetani, secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente. “O Brasil possui as maiores florestas tropicais do mundo e todos os outros países olham para o que se passa aqui.”

Leia mais: Sustentabilidade ambiental deve fazer parte do DNA das empresas, diz secretário do Meio Ambiente em cerimônia do Prêmio ECO 2012

Gaetani conversou com a reportagem do site após participar da cerimônia de entrega do Prêmio ECO 2012, realizada pela Amcham-São Paulo nesta terça-feira (11/12). 

Para equilibrar crescimento econômico e uso racional de recursos naturais, Gaetani aponta que é fundamental aproximar o setor produtivo das atividades governamentais e da atuação dos movimentos sociais. “Quem produz a riqueza na sociedade é a iniciativa privada. Por outro lado, cabe ao Estado regular como essa riqueza é produzida de forma a que ela seja sustentável no longo prazo e inclusiva, para que a sociedade toda participe desse processo.”

Premiados: Amcham anuncia empresas vencedoras do Prêmio ECO 2012

A agenda ambiental não deve ficar restrita a poucas empresas, a algumas comunidades ou a um ministério, pontua ele. “A agenda é mainstream, é global, é nacional e diz respeito a todos: governo, empresas, famílias e sociedade civil.” 

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham 

A sustentabilidade é uma tendência mundial e cabe, na opinião do secretário, às novas gerações promoverem a mudança de mentalidade que ainda impede uma parte das empresas de cuidarem melhor dos recursos do planeta e reduzirem os impactos de suas atividades. “Várias empresas multinacionais já estão buscando essa reestruturação produtiva e a logística reversa em seus negócios no mundo inteiro. Há uma conscientização das gerações mais novas de que o futuro delas depende disso. Queremos um mundo do qual todos podemos usufruir.” 

Leia os principais trechos da entrevista com Francisco Gaetani:

Amcham: Como acabar com o antagonismo entre produção de riqueza e sustentabilidade? O Brasil está no caminho certo para eliminar essa contraposição?

Francisco Gaetani: A agenda da presidente Dilma Rousseff tem valorizado o desenvolvimento econômico e social pautado em três vetores: crescer, preservar e incluir. Essa formulação significa que é importante crescermos economicamente, preservarmos o patrimônio ambiental e promovermos inclusão social. Esses são, no fundo, os três pilares do desenvolvimento sustentável. O Brasil é um país que cresce há muitos anos com pleno emprego, que vem reduzindo a desigualdade e tem obtido consistentes ganhos na frente ambiental. Pode ser que o País cresça mais ou menos, mas temos pleno emprego há quase uma década, da mesma forma que estamos diminuindo a nossa desigualdade há quase 20 anos. Esse modelo de crescimento que coloca o Brasil como exemplo para o mundo e vem dando conta do que o País precisa, preservando alguns valores que fazem parte da nossa coesão social, principalmente no que diz respeito à redução da desigualdade. 

Amcham: Considerando que o Brasil é um dos países com maior potencial ambiental dada a sua biodiversidade, como o sr. avalia o avanço da agenda ambiental?

Francisco Gaetani: O Brasil é uma potência ambiental emergente de nível mundial. Na semana passada, anunciamos reduções recordes nas taxas de desmatamento. Não podemos abrir mão dessa liderança. Precisamos trabalhar no sentido de desenvolver formas de exploração econômica que sejam sustentáveis na Amazônia, no Cerrado. Precisamos valorizar nossa megadiversidade e estruturar um marco regulatório que promova a exploração dessa megadiversidade pelas nossas empresas, ao mesmo tempo preservando esse patrimônio genético. Esses desafios estão sendo enfrentados simultaneamente e o mundo inteiro olha para o Brasil. Se olharmos megadiversidade, não adianta buscar na Europa ou nos EUA. É aqui que ela está. O Brasil possui, por exemplo, as maiores florestas tropicais do mundo. Todos os outros países olham para o que se passa aqui. Temos que mostrar ao mundo que sabemos preservá-las ao mesmo tempo em que desenvolvemos o País. 

Amcham: Como preservar e desenvolver ao mesmo tempo?

Francisco Gaetani: É fundamental aproximar o setor produtivo das atividades governamentais e da atuação dos movimentos sociais. Quem produz a riqueza na sociedade é a iniciativa privada. Por outro lado, cabe ao Estado regular como essa riqueza é produzida de forma a que ela seja sustentável no longo prazo e inclusiva, para que a sociedade toda participe desse processo. Há áreas hoje em que, se não atuarmos em tempo hábil, vamos perder nossos ativos. É o caso do nosso patrimônio pesqueiro: ou o País preserva seus estoques ou eles serão destruídos pela pesca predatória. Outro exemplo é a Amazônia, onde estamos buscando reduzir a expansão do desmatamento. São frentes de atuação em que o governo só pode agir em parceria com o setor produtivo, com as organizações não governamentais e com os movimentos sociais. 

Amcham: O que as empresas devem fazer para adotar o que o sr. chamou de ‘DNA Verde’?

Francisco Gaetani: As empresas caminham nessa direção impulsionadas por vários vetores. Primeiro, isso não é uma coisa do Brasil, mas uma tendência mundial. Várias empresas multinacionais já estão buscando essa reestruturação produtiva e a logística reversa em seus negócios no mundo inteiro. Em segundo lugar, há uma conscientização das gerações mais novas de que o futuro delas depende disso. Queremos um mundo do qual todos possamos usufruir. Vem da juventude essa preocupação, das lideranças empresariais mais jovens. Terceiro: em algumas áreas, o governo tem introduzido legislações que permitem a adoção de novas práticas e processos, como o caso dos resíduos sólidos. É um processo de educação da sociedade como um todo que está se dando de forma generalizada. O quarto ponto é que as empresas têm uma capacidade de inovação que é só delas. O Prêmio ECO, por exemplo, tem 30 anos de boas práticas. Não é pouca coisa. Para as empresas, é uma coisa natural porque elas promovem essas inovações não para ganhar prêmio, mas para que prosperem pautadas por esses valores. Grande parte do que vai acontecer na agenda ambiental depende da capacidade das empresas de inovarem e disseminarem suas práticas no mundo. 

Amcham: Como conjugar as boas práticas das empresas com os programas do governo?

Francisco Gaetani: Temos que entender que a agenda ambiental é maior do só a agenda do ministério porque envolve não só o Meio Ambiente, mas a Agricultura, a Fazenda, o Planejamento, o Desenvolvimento, a Integração Nacional e a Indústria e Comércio. Temos iniciativa do nosso ministério como modernização do licenciamento ambiental, desenvolvimento do novo marco regulatório do patrimônio genético, política nacional de mudança climática, política de produção e consumo, política de compras sustentáveis, política de resíduos sólidos e a Bolsa Verde, que é uma remuneração às populações mais pobres para que preservem a cobertura vegetal nas unidades de conservação da Amazônia. A agenda ambiental envolve a área rural e a urbana. Falar em florestas é falar da agenda rural, mas, quando falamos de área urbana, trata-se de poluição e lixo. 

Amcham: Qual a mensagem que fica a partir de um reconhecimento das boas práticas de sustentabilidade como o Prêmio ECO?

Francisco Gaetani: A agenda é mainstream, é global, é nacional e diz respeito a todos: governo, empresas, famílias e sociedade civil.

registrado em: