Carrefour respeita a diversidade para que seu público se sinta representado

publicado 14/06/2016 15h27, última modificação 14/06/2016 15h27
São Paulo – Rede supermercadista quer dobrar número de diretoras de loja nos próximos anos
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No Carrefour, o respeito à diversidade significa ter um relacionamento mais próximo com o público, disse Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil. “Na medida em que se cria uma identidade corporativa que retrata o que é o nosso público consumidor, surge identificação e conexão”, argumentou, no comitê estratégico de Sustentabilidade da Amcham – São Paulo na terça-feira (14/6).

Os números do Carrefour justificam a necessidade de gestão da diversidade na companhia. De acordo com Pianez, a rede supermercadista está em todos os estados e emprega 78 mil colaboradores. Entre o trabalho administrativo e operacional, eles são responsáveis pelo atendimento de cerca de 25 milhões de clientes por dia nas mais de 500 lojas brasileiras. “Tínhamos que aprender a prevenir problemas de relacionamento com os clientes e lidar com todos os públicos.”

Pianez disse que a política de diversidade será refletida em todas as esferas, seja na publicidade ou nos níveis gerenciais. Uma das metas do Carrefour é dobrar nos próximos anos o nível de mulheres diretoras de lojas, refletindo a grande proporção de mulheres na população brasileira. Conforme projeções do Data Popular e PNAD – IBGE, as mulheres representam 51% da população.

Uma das formas de aumentar o percentual é contratar executivas para dirigir as novas lojas, mas elas também podem ser promovidas. No Carrefour, 40% do corpo gerencial é formado de mulheres, segundo Pianez. “É uma média bem acima do mercado (22%), mas o volume de diretoras que temos (14%) é o mesmo. É por isso que precisamos reforçar o quadro de executivas graduadas”, resume.

Gestão da diversidade

A inspiração para a gestão da diversidade foi um caso de racismo ocorrido em 2009 dentro de uma das lojas do grupo. A denúncia teve repercussão nacional e afetou a imagem do Carrefour. A partir daí, o grupo criou políticas de inclusão social de minorias e grupos étnicos, religiosos e de gênero. No começo houve estranhamento, mas o grau de aceitação da diversidade aumentou bastante, conta Pianez.

A gestão da diversidade nunca é tranquila. Pianez relata que já houve casos de lojas que se revoltaram com a contratação de profissionais transgêneros e reclamações de clientes que se recusavam a ser atendidos por funcionários que se vestiam de forma diferente. “Conversava pessoalmente com os colaboradores para explicar a política de diversidade do grupo. Sempre deixei claro que ela chegou para ficar e a empresa não toleraria discriminações”, detalha o executivo.

Na maioria dos casos, Pianez disse que as desavenças foram contornadas. Mas a perda de alguns clientes e colaboradores foi inevitável. Em contrapartida, o executivo afirma que os indicadores de desempenho mostram que o Carrefour é visto como uma empresa que respeita a diversidade e tem boa imagem junto ao público jovem. Que, para a empresa, é considerado estratégico. “Nossos filhos e netos vão pautar seu consumo em valores pessoais. Os jovens de hoje, por exemplo, já são refratários a empresas que não defendem princípios éticos”, detalha.

 

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