Com sustentabilidade enraizada no core business, Quinta da Estância vence Prêmio Eco e quer disseminar modelo

publicado 30/11/2015 09h00, última modificação 30/11/2015 09h00
São Paulo – Fazenda gaúcha é signatária do Pacto Global da ONU e do Caring for Climate
atividade-pedagogica-sapo-5945.html

Localizada no município de Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, a Quinta da Estância é a maior fazenda de turismo rural pedagógico e ecológico do país. Com mais de 100 hectares, o empreendimento de administração familiar tem a sustentabilidade como ponto de partida para todo o seu core business e possui uma gestão baseada no triple bottom line, conceito que considera não apenas as questões econômicas, mas também as sociais e ambientais. Esses são fatores que a fizeram ser uma das finalistas do Prêmio Eco 2015, na modalidade ELIS (Estratégia, Liderança e Inovação para a Sustentabilidade), categoria pequeno e médio porte.

A Quinta da Estância possui um conjunto de práticas que virou referência em seu setor, no Brasil e no mundo. Desde 1996 ela possui o primeiro criadouro conservacionista do país, aberto em parceria com o Ibama por sugestão do próprio empreendedor, a família Goelzer. Com finalidade pedagógica, a fazenda cria e reproduz animais silvestres como papagaios, tucanos, emas, araras e capivaras, entre outros, e recupera e reambienta espécies da fauna e da flora apreendidos do tráfico. Em quase duas décadas de trabalho voluntário, foram recuperados mais de sete mil animais, além de plantas nativas.

As ações ainda envolvem a preservação de matas nativas e ciliares; recuperação do resíduo orgânico e reciclagem do seco; unidade de tratamento biológico da água servida; recepção de alunos em vulnerabilidade social; projeto Escola Pública na Quinta, com subsídios para a visitação de escolas públicas; recepção de pessoas com deficiência, sendo um dos únicos com atendimento em LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais); valorização da cultura indígena e populações tradicionais; e projeto carbono free, com inventário e neutralização dos gases de efeito estufa produzidos pela fazenda.

Há, ainda, parcerias em pesquisas e aplicação com universidades; aproveitamento energético com a água dos chuveiros aquecida pelo calor das churrasqueiras; uso de energias renováveis que culmina em economia de 273.600 watts; viveiro de inversão, também chamado de gaiolão humano, experiência que inverte a posição entre visitante e animal; e educação ambiental para mais de um milhão de visitantes desde 1992.

Disseminação de práticas

Dentro de sua estratégia, a administração da fazenda faz palestras e troca de experiência com vários outros empreendimentos, nacionais e estrangeiros.

“O maior diferencial da Quinta da Estância não está apenas em seu modelo de negócios, que insere a sustentabilidade em nossa espinha dorsal, mas sim em nosso potencial de disseminação destas práticas, para que nossos 90 mil visitantes por ano apliquem com suas famílias, comunidades e empresas, compartilhando e ampliando muito os seus resultados”, declara Sônia Goezel, fundadora e diretora pedagógica e de novos projetos.

Com cerca de 90 monitores treinados, a visão da Quinta da Estância é, até o próximo ano, se tornar referência no país como centro de apoio vivencial à educação, ecologia, lazer, eventos e disseminação da sustentabilidade. Nessa jornada, a fazenda já acumula importantes reconhecimentos. É o primeiro empreendimento turístico do Brasil signatário do Pacto Global da ONU e integrante do Caring for Climate, seleto grupo de 400 empresas no mundo com foco em ações no combate às mudanças climáticas.

Dentro de dois a três anos, a fazenda pretende atingir a autonomia energética, utilizando 100% de fontes renováveis, eólica e solar.

“A médio e longo prazos, o objetivo é disseminar nosso modelo de negócio para outras regiões através de parcerias, ampliando o número de pessoas atingidas por nossas práticas sustentáveis”, afirma.

Segundo Sônia, participar do Prêmio Eco sempre foi desejo da administração, por ser o primeiro prêmio de reconhecimento de práticas empresariais responsáveis. “Outro fator fundamental é sua forte credibilidade e sistema de análise dos projetos, realizada por diversos especialistas brasileiros”, diz.

registrado em: