Cresce no mundo movimento de investidores com interesse em empresas sustentáveis

por giovanna publicado 25/04/2011 16h17, última modificação 25/04/2011 16h17
São Paulo – Nova forma de gestão mitiga riscos e gera oportunidades, trazendo vantagens no longo prazo, explica Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da BM&F Bovespa.

Assim como no caso dos consumidores, ganha força globalmente o movimento de investidores com interesse em companhias que adotam práticas sustentáveis. Eles vêm percebendo melhor o valor que as empresas conquistam no longo prazo quando mitigam riscos e cultivam oportunidades dentro de uma estratégia de gestão integrada que busca rentabilidade e ainda equilibra aspectos ambientais e sociais. A avaliação é de Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da BM&F Bovespa.

“Os investidores estão procurando mais as empresas sustentáveis. Hoje, os investidores europeus são os mais conscientes, os que mais levam em consideração as práticas sustentáveis corporativas na decisão de alocação de recursos, mas essa é uma tendência que cresce rápido no mundo. O movimento chamado Princípios para o Investimento Responsável (PRI - Principles for Responsible Investment) congrega trilhões de dólares sob gestão de signatários que estão priorizando essa agenda”, comentou Sonia, que participou na quarta-feira (20/04), na Amcham-São Paulo, de reunião de planejamento do Prêmio ECO, promovido pela Amcham há 29 anos.

O PRI, incentivado pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2003, foi oficialmente lançado na Bolsa de Valores de Nova York em 2006, com a participação de 20 dos maiores investidores institucionais do mundo, incluindo a brasileira Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil). Hoje, são mais de 850 adesões de instituições que, em conjunto, administram um valor superior a US$ 25 trilhões. No Brasil, existem 46 signatários, dentre eles 15 fundos de pensão que são responsáveis por cerca de 60% dos recursos administrados em seu segmento no País.

Mercado brasileiro

Visando ampliar e fortalecer uma série de iniciativas de promoção da sustentabilidade, a BM&F Bovespa lançou, no ano passado, o programa ‘Novo Valor’. “É o guarda-chuva de todas as ações da bolsa e a abordagem é bastante didática para difundir esse preceito. Dentro do programa, também estão os índices de sustentabilidade e mercado de carbono”, disse Sonia Favaretto.

O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado em 2005 pela Bovespa com a colaboração de organizações como o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e a Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), assim como o Ministério do Meio Ambiente, hoje representa uma carteira formada por 38 empresas.

Já o Índice de Carbono Eficiente (ICO2), lançado em 2010, tem uma carteira teórica, elaborada em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e pondera o retorno das ações em função do grau de eficiência da emissão de gases de efeito estufa (GEE) de cada companhia. “Ele foi instituído a partir do IBrX-50, índice das 50 empresas com ações mais negociadas no mercado brasileiro. O ICO2 visa reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa”, explicou Sonia.

A BM&F Bovespa procura ainda dar exemplo ao mercado, adotando uma estratégia sustentável nas suas operações do dia a dia. “Fizemos um inventário sobre as emissões de CO2 e olhamos continuamente para as possibilidades de redução no consumo de recursos, como a energia aplicada na tecnologia da informação”, ressaltou a diretora.

Importância do ECO

Lançado em 1982, o Prêmio ECO é pioneiro no reconhecimento de companhias que desenvolvem práticas de sustentabilidade. Realizado em parceria com o jornal Valor Econômico, o ECO abre espaço para participação de empresas dos mais diversos segmentos da economia atuantes no País, segmentadas por porte, inclusive as públicas.

“O Prêmio ECO é bastante respeitado. É uma iniciativa importante porque as empresas, ao serem reconhecidas, ganham mais ânimo para evoluir na agenda da sustentabilidade. Além disso, as práticas são compartilhadas, indicando novos caminhos a serem seguidos por outras organizações”, concluiu Sonia Favaretto, da BM&F Bovespa.

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