Documento final da Rio+20 representa nova perspectiva para economia verde

por marcel_gugoni — publicado 19/07/2012 12h06, última modificação 19/07/2012 12h06
Recife - Dificuldades em formatar um documento multilateral com diretrizes rígidas seria um dos fatores de influência para o texto final
soraya195.jpg

O documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a chamada Rio+20, realizada de 13 a 22 de junho na cidade do Rio de Janeiro, forma uma lista de 283 resoluções que, se não conseguem adotar um caráter rígido e uniforme em todas as partes do mundo, pelo menos serão capazes de inserir novos conceitos de sustentabilidade no modo de produção das empresas e na cultura da sociedade.

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

A professora Soraya El-Deir, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), diz que “estamos em um processo histórico e precisamos de mais tempo para as modificações propostas. Na Rio+20, conseguimos dar um passo importante que foi fechar um documento com a anuência da maior parte do mundo, o que é extremamente positivo”.

Durante o comitê de Sustentabilidade da Amcham-Recife, nesta quarta-feira (18/07), a pesquisadora do Departamento de Tecnologia Rural da UFRPE e coordenadora do Grupo de Gestão Ambiental em Pernambuco (Gampe) afirmou que o maior legado do documento da Organização das Nações Unidas (ONU) será o início de um pensamento crítico em busca de uma nova filosofia econômica.

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

Em sua avaliação, pontos como a produção de equipamentos eletrônicos de curta vida útil, por exemplo, podem ser repensados a partir da conferência. “A economia está sendo revista em todos os setores produtivos. Há um crescente de limitações através das legislações, o que fará com que as empresas e governos estejam mais próximos da gestão ambiental.”

Leia mais: Amcham lança publicação sobre economia verde durante Rio+20

Ela lembra que a conferência ECO 92, realizada há 20 anos na capital fluminense, foi um “divisor de águas” porque trouxe conceitos novos como o desenvolvimento sustentável para a economia. A professora acredita que a Rio +20 tem a mesma chance de inserir novos conceitos deste tema na sociedade.

Direito Internacional

Fernanda Barreto, titular da área de Direito Ambiental da Queiroz Cavalcanti Advocacia, afirma que o acordo multilateral como o documento final da Rio+20 tende a possuir um texto mais genérico. “No âmbito do direito internacional, é muito comum que não se consiga fechar compromissos e elencar metas rígidas para um documento como este, pois há a necessidade de se compatibilizar vários interesses em economias tão diversas”, pondera.

Ela destaca que esse fator foi desconsiderado pela sociedade civil na avaliação geral que se fez do documento após o encerramento da conferência da ONU.

Leia mais: Prêmio ECO abre inscrições para sua 30ª edição; saiba como participar

O foco agora, para ela, é trabalhar no âmbito do direito interno de cada nação signatária do documento da ONU. “Já que no âmbito internacional as questões acabam por ter essa conotação mais genérica, pelo menos no aspecto interno dos países, onde se consegue um consenso maior e se trabalha mais próximo das dificuldades, essas metas devem ser concretizadas.”

Veja também: Inscreva-se no Prêmio Eco 2012

A advogada aponta ainda que no espaço interno dos países é que devem se envolver os stakeholders, tais quais organizações não governamentais (ONGs), membros da iniciativa privada e a sociedade civil em geral.

Atuação da iniciativa privada

Liliane Silva, coordenadora de Meio Ambiente da Unilever, avalia que para que as empresas possam se inserir nessa economia mais verde é necessário um comprometimento com a elaboração de planos de sustentabilidade viáveis e coerentes .

“Isso significa ter metas claras e objetivos desafiadores dentro da companhia. Além disso, mostrar com clareza quais são os passos a serem seguidos para alcançar a sustentabilidade”, afirmou. A chave para o sucesso desse plano reside em analisar o trabalho sob os aspectos social, ambiental e econômico, defende a executiva.

Veja também: Maior necessidade da economia verde é conscientizar os indivíduos, diz economista

Ela apresentou os principais pontos do Plano de Sustentabilidade da Unilever Brasil que visa a reduzir pela metade o impacto ambiental das atividades da companhia. Segundo ela, a redução da pegada ambiental da companhia leva em consideração metas em três áreas: emissão de gases causadores do efeito estufa, consumo de água e geração de resíduos sólidos.

Para cada uma delas, a empresa precisou rever processos, instalações, equipamentos e, sobretudo, o comportamento de toda a equipe. “A mudança de cultura é a chave do tesouro para o sucesso na sustentabilidade, e começamos em 2010 um trabalho forte em busca disso. Um dos pontos fundamentais foi trazer com mais clareza quais as condições para que as pessoas fizessem este trabalho.”

Os resultados do plano já podem ser vistos. Em 2007, para cada tonelada (t) de produto pronto da Unilever Brasil, era consumido 1,9 metro cúbico (m³) de água. O número caiu para 1,47 m³, em 2011.

A emissão de gases de efeito estufa também sofreu decréscimo, passando de 256 t emitidas para cada tonelada de produto pronto, em 2007, para 228 t em 2011.

Graças ao plano, a empresa também se tornou mais eficiente no consumo de energia. Em 2009 eram consumidos 1,58 gigajoules (GJ) por tonelada produzida. Em 2011, o número ficou na casa dos 1,22 (GJ).

registrado em: