Empresas devem adotar sustentabilidade na cadeia de suprimentos de forma estratégica

por giovanna publicado 24/11/2010 14h19, última modificação 24/11/2010 14h19
São Paulo – Visão ampla traz benefícios ao meio ambiente e redução de custos, revelam executivos de Logística.
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As companhias devem adotar estratégias de green supply chain (sustentabilidade na cadeia de suprimentos) de forma ampla, absorvendo todos os processos. Esse tipo de iniciativa, além de contribuir para preservar o meio ambiente, ajuda a reduzir custos, dizem Moacyr Wernek, gerente de Logística e Planejamento de Produção da Monsanto, e Mauricio Tognini, gerente de Planejamento de Produção e Materiais da Mabe.

“Atualmente, existem nas empresas diversas ações sustentáveis, independentes, que precisam ser canalizadas sob um guarda-chuva maior que é o green supply chain. Isso, porém, sem deixar de dar continuidade a trabalhos já iniciados, pois em muitos casos não há como enquadrar todas as ações da cadeia em um único planejamento. As boas práticas tem de ser disseminadas em toda a organização”, afirmou Wernek.

“Acredito que as ações pontuais são motivadas por exigências de legislações específicas ou pela influência do mercado, que cada vez mais requer das empresas posturas responsáveis em termos de segurança e sustentabilidade. Outro incentivo é a redução de custos proporcionada por esses princípios. Acredito que ainda não há um direcionamento geral sobre green supply chain que perceba ao mesmo tempo produção, transporte e logística reversa, entre outras fases”, complementou Tognini.

Os dois executivos participaram do comitê de Logística da Amcham-São Paulo, nesta quarta-feira (24/11), trazendo as experiências de suas companhias rumo à melhoria dos processos com base em práticas de sustentabilidade.

Monsanto

Na Monsanto, os fornecedores são uma preocupação central, assim como a revisão dos processos organizacionais em conformidade com o green supply chain. “Trabalhamos com diferentes tipos e tamanhos de empresas fornecedoras, alguns mais conscientes sobre sustentabilidade e outros nem tanto. Tentamos passar a ideia de consumir menos no trabalho e usar os recursos de forma correta, despertando a conscientização de todos a respeito desses aspectos, considerando ainda o compartilhamento de experiências de destaque sobre o tema”, contou Wernek.

A empresa também promoveu a substituição dos sacos utilizados para embalar sementes. O antigo processo de despigmentação química para que as embalagens se tornassem mais atrativas esteticamente, que agredia o meio ambiente, foi eliminado e permitiu uma economia de até R$ 1 milhão ao ano.

Outros exemplos de boas práticas da Monsanto são a utilização do sabugo do milho como combustível de queima nas caldeiras para geração de energia destinada a secar sementes, e a reciclagem de embalagens de agroquímicos, seguindo determinação da Lei 7.802/89, procedendo a seu recolhimento e processamento pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) para serem devolvidas ao mercado na composição de novos produtos.

Mabe

Na Mabe, os incentivos do governo para incrementar as vendas de eletrodomésticos com menores gastos energéticos – a exemplo da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos considerados “classe A” nesse quesito – foram um impulso a mais para ampliar a fabricação desses itens, movimento acompanhado por ações para recolher os produtos antigos, descartados na substituição.

A companhia possui no Brasil cinco fábricas que produzem anualmente por volta de quatro milhões de eletrodomésticos que levam o nome da própria marca, e é representante de outras como General Eletrics-GE, Bosch, Continental e Dako. A Mabe adota medidas de logística reversa, coletando equipamentos nocivos ao meio ambiente (como refrigeradores que empregam gás R600); contrata fornecedores que se preocupam com a segurança e o impacto dos produtos na natureza; desenvolve projetos de reaproveitamento de embalagens; e adota um conjunto de outros cuidados, como administração de insumos químicos e redução do consumo energético nas fábricas.

 

 

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