Empresas devem ser mais ecoeficientes, éticas e socialmente responsáveis

por andre_inohara — publicado 09/05/2011 14h54, última modificação 09/05/2011 14h54
André Inohara
São Paulo – Responsabilidade sócio-ambiental será cada vez mais cobrada tanto dos governos como da sociedade, apontam especialistas.
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As novas exigências ambientais e sociais estão obrigando as empresas a se prepararem para um futuro mais verde. Elas devem estar prontas para superar os desafios de ecoeficiência – otimização do consumo de recursos naturais –, pois não se descarta até mesmo a criação de impostos sobre o uso dos recursos naturais.

O fortalecimento das relações éticas no trabalho e a função social das empresas também são fortes tendências apontadas por especialistas que se reuniram na Amcham-São Paulo em 20/04 para planejar o Prêmio ECO 2011. Eles dizem também que as companhias que não possuírem práticas sustentáveis perderão mercado e reputação.

A utilização cada vez maior dos recursos naturais ativos tem feito com que sejam vistos como manancial estratégico para a economia do mundo, de acordo com Tarcila Reis Ursini, sócia da consultoria Ekobé.

“Hoje se utiliza a natureza como um recurso infinito e gratuito, mas será cada vez mais uma tendência, inclusive na legislação, pensar na cobrança desse serviço. Algumas empresas já estão fazendo estudos sobre o tema”, disse a consultora.

Transição

As companhias estão passando por um período de transição, onde a gestão tradicional voltada para resultados econômico-financeiros vem absorvendo conceitos de sustentabilidade.

“As empresas já entenderam que terão de lidar com a questão das emissões de gases poluentes, dos recursos hídricos, do trabalho decente, do desenvolvimento territorial e dos resíduos sólidos”, acrescentou o empresário Ricardo Young, que também é conselheiro do Instituto Ethos.

O conceito de geração de valor não será apenas de retorno econômico, mas de relações harmônicas entre as pessoas e o meio ambiente, comentou Young. “Estamos falando de criação de qualidade de vida para os funcionários, desenvolvimento territorial e mínimo impacto ambiental”, afirmou ele.

Adequação à agenda de reformas do meio ambiente

A agenda de reformas ambientais a ser implantada nos próximos anos é o grande direcionador das empresas rumo a práticas ecologicamente mais responsáveis. Como exemplo, estão as políticas para a redução da emissão de gases poluentes e o descarte de resíduos sólidos.

“Grandes mudanças serão exigidas nas cadeias produtivas. Em 2020, precisaremos reduzir as emissões de gases poluentes na ordem de 36% a 39%, conforme a lei das mudanças climáticas”, disse Young.

Iniciativas de responsabilidade social também estão sendo adotadas pelo mercado, como as diretrizes do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BM&FBovespa e os indicadores Ethos. Iniciativas de responsabilidade sócio-ambiental no mundo reforçam a necessidade de adequação ao futuro.

Entre elas, estão os princípios da organização não-governamental holandesa GRI (Global Reporting Initiative), que defende a elaboração de padrões mundiais para a publicação de relatórios de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Além do GRI, há a norma internacional ISO 26000 (que trata das diretrizes sobre responsabilidade social), os princípios do Global Compact da ONU (proposta de conciliação do mercado de trabalho aos ideais dos direitos humanos levando-se em conta os impactos sociais e ambientais) e os do GHG (Greenhouse Gas Protocol), de emissão de carbono.

Muitas empresas adotam práticas sustentáveis por questões pragmáticas e seguem esse caminho como forma de reduzir custos, salientou Carlos Lessa Brandão, especialista em sustentabilidade e governança corporativa.

“O começo é por uma questão de ecoeficiência. As empresas se preocupam em produzir a mesma coisa gastando menos material e energia”, observou ele.

À medida que as práticas sustentáveis trazem resultados, passam a integrar o planejamento estratégico. “Elas acabam tomando decisões levando em conta aspectos sociais e ambientais”, acrescentou Lessa Brandão.

Papel social das empresas

Além da produção de bens e serviços, as empresas possuem um papel social importante, ressaltou Tarcila Reis Ursini, da Ekobé.

Como exemplo, ela cita que uma montadora não deveria se definir apenas como fabricante de veículos, mas uma companhia de transporte. “É uma discussão de nível estratégico, pois envolve o posicionamento da empresa, e que ainda falta na maioria delas.”

Nesse contexto, a Política Nacional de Resíduos Sólidos – que define responsabilidades sobre o descarte dos restos de produção e lixo por toda a cadeia produtiva – é mais um incentivo à responsabilidade social.

“Estamos falando de uma abordagem em que a empresa é vista como uma rede de relações não só dentro da sua localidade, mas em todas as suas esferas de influência: clientes, fornecedores e consumidores.”

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