Empresas não estão alinhadas com as demandas da sociedade, avalia especialista em sustentabilidade

publicado 28/07/2016 14h17, última modificação 28/07/2016 14h17
São Paulo - Companhias precisam estabelecer propósitos que façam sentido para as pessoas, segundo Álvaro Almeida
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Uma pesquisa da GlobeScan Radar realizada em 25 países este ano, incluindo Brasil, mostrou que as pessoas olham empresas nacionais e globais com desconfiança. Para Álvaro Almeida, sócio Fundador da Report Sustentabilidade, o dado mostra um esgotamento do modelo de negócios vigente. O especialista avalia que o que provocou essa realidade foi o desalinhamento entre o que ele define como “espírito do tempo” - tendências e demandas da sociedade - e as empresas.

Para o especialista, falar de sustentabilidade é chave para mudar esse cenário. "Não falo que sustentabilidade é atingir equilíbrio econômico, ambiental e social porque isso já virou regra. Considero que sustentabilidade é alinhar os negócios aos interesses da sociedade, estabelecendo um propósito na companhia que faça sentido para as pessoas", declarou Almeida, durante o comitê de Marketing da Amcham – São Paulo, realizado na quarta-feira (27/07).

O principal ponto para Almeida é a empresa compreender sua própria essência e como isso pode contribuir para melhorar o mundo. Nesse ponto, é fundamental que a liderança atue. "O propósito da empresa, para mim, é uma força gravitacional que mantém tudo coeso, que faz com que todo mundo trabalhe em favor daquela organização e das transformações que ela precisa enfrentar”, explicou.

No Brasil, a questão do propósito pode ser chave, segundo o especialista: a mesma pesquisa trouxe que 88% da população brasileira não consegue identificar uma companhia que tenha um propósito forte. A importância do marketing, nesse processo, é engajar. "O propósito não é a mais nova estratégia de marketing, mas o setor é fundamental pra tornar essa proposta legitima e conhecida”, afirmou. Para ele, não é só o público dentro da empresa que deve ser mobilizado - o fundamental é engajar todas as pessoas que tenham interesse por aquele propósito, como consumidores e acionistas.

Para Almeida, as empresas ainda vivem em um paradigma de competição em uma sociedade cada vez mais colaborativa, além de investirem em modelos organizacionais com forte hierarquização, o que também não compactua com um mundo que se organiza cada vez mais através de redes. "Essas crises que vivemos demonstram um esgotamento de um modelo, que coincide com uma condição tecnológica de criação. Isso faz com que não possamos dizer que temos negócios em posição confortável - nenhum negócio está confortável ou garantido para os próximos cinco anos", avalia.

Outro ponto importante na discussão é o investimento em novas tecnologias para enfrentar esses novos desafios. "Só superaremos esses limites com as mais variadas inovações tecnológicas, tanto em produtos como em modelos de negócios, de produção, tecnologias de colaboração, etc”, explica. Para ele, as evoluções tecnológicas são chave para resolver os problemas que enfrentamos na sociedade: “Para cada um desses problemas, temos uma série de oportunidades de negócios, que vão ser alcançadas através dessas evoluções".

Case da Tesla Motors

Para Almeida, a marca de automóveis norte-americana Tesla Motors, que desenvolve e vende veículos elétricos, é um exemplo de companhia que conseguiu articular um propósito e usar a tecnologia a seu favor. Com o objetivo de estimular a inovação em transporte sustentável, a empresa liberou a patente de carros elétricos para qualquer pessoa em 2014. “A Tesla Motors foi criada para acelerar o advento do transporte sustentável. (..) Se nós abrimos o caminho para a criação de veículos elétricos, mas, em seguida, inibirmos outros, estamos agindo de maneira contrária a esse objetivo”, contou Elon Musk, CEO da Tesla, em um post no blog da companhia na época.

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