Estudo acadêmico em parceria com Beraca mostra que extrativismo sustentável está ligado à preservação de recursos

publicado 28/11/2014 16h39, última modificação 28/11/2014 16h39
São Paulo – USP e Universidade de Columbia pesquisam com base em ações da empresa no Norte e Nordeste
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A Beraca chega pela segunda vez à final do Prêmio Eco, dessa vez na modalidade Práticas de Sustentabilidade – Processos. A empresa, que produz e vende insumos para as indústrias farmacêutica e cosmética a partir de biomas brasileiros, venceu com um trabalho em parceria com as universidades de São Paulo (USP) e de Columbia que mensura o impacto de suas ações em comunidades extrativistas do Norte e do Nordeste brasileiros.

A empresa já havia vencido o Prêmio Eco 2013 na modalidade Elis, pelo Programa de Valorização da Biodiversidade, que atinge mais de 100 comunidades em um relacionamento realizado pela unidade da companhia em Ananindeua-PA. O programa ajuda as famílias extrativistas a se organizarem em cooperativas, certifica a inexistência de trabalho infantil e ensina a produzir produtos a partir dos frutos e castanhas, aumentando a renda.

Além da rentabilidade adequada e o desenvolvimento humano, o programa também impacta a preservação da água e da biodiversidade. Ao todo, cerca de 1.600 famílias (ou 6.400 pessoas) são alcançadas.

Esse ano, a Beraca avançou e levou a academia para estudar o real impacto do Programa de Valorização da Biodiversidade junto a três comunidades em Bragança, Salvaterra e Breves, no Pará, com cerca de 300 famílias.

Resultado

O projeto de mensuração e pesquisa é inovador, uma vez que há pouca pesquisa acadêmica sobre a relação entre empresa e extrativistas, diz Thiago Terada, gerente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa do grupo Beraca. “A maioria das empresas identifica resultado apenas como o valor investido e os benefícios para as famílias atendidas, mas não o impacto social e ambiental das ações”, relaciona o executivo.

O resultado do estudo nas três comunidades surpreendeu. As ações não apenas ajudam econômica e socialmente as famílias, mas também a preservação dos biomas. “Era uma relação que não sabíamos que existia: o uso sustentável de um recurso natural ajuda a preservar outros recursos”, explica Terada.

Na prática

Na comunidade Furo do Gil, em Breves-PA, as famílias têm pouca opção de renda: ou lidam com extrativismo sustentável ou com carvoaria e madeireira ilegal para confecção de cabos de vassoura. “Colhendo frutos e sementes, em vez de desmatar para a prática madeireira ilegal ou a agricultura extensiva, cria-se demanda por manter a floresta em pé e conservada”, diz o gestor.

Na região de Bragança-PA, onde a cultura de mandioca é forte, há desmatamento para o plantio da raiz tuberosa. O levantamento mostra que, quando se faz o extrativismo, deixa-se de expandir a área de roçado.

Na região de Salvaterra-PA, que é de praia, a coleta de sementes ocorre na época de defeso, em que os peixes se reproduzem. “Se o trabalhador colhe as sementes, deixa de pescar ilegalmente, o que ajuda a preservar o estoque de peixes. A colheita de sementes está diretamente ligada à preservação dos cardumes”, afirma Terada.

Mais comunidades em outros estados serão estudadas nos próximos meses. Uma universidade alemã também entrará no projeto.

A pesquisa tem um custo médio de R$ 40 mil por comunidade, financiados pela Beraca, empresas clientes e as universidades. Os resultados serão publicados academicamente, em artigos. O primeiro, em uma revista alemã.

O conhecimento acadêmico que está sendo produzido sobre o uso sustentável de recursos criará uma governança na área do extrativismo, defende o executivo. “Com isso, podem-se gerar políticas públicas específicas sobre extrativismo, conhecimento acadêmico que incentive outras empresas a fazer o mesmo, valor para nossos clientes e nossa empresa”, enumera. “Para nós, esse estudo muda praticamente tudo, pois estamos alterando diversas políticas para torna-las mais eficientes”, complementa.

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