Fábio Feldmann: Brasil é referência mundial em sustentabilidade e tem que dar o exemplo

publicado 02/05/2016 13h56, última modificação 02/05/2016 13h56
São Paulo – Consultor defende que país defina agenda nacional que contemple metas pactuadas na COP-21
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“No campo da sustentabilidade, o Brasil é referência e cria uma obrigação moral maior do que qualquer outro país. Temos que definir como vamos cumprir a agenda (pactuada na COP-21), que é ambiciosa.” A afirmação de Fábio Feldmann, consultor, ex-deputado federal e ex-secretário estadual do Meio Ambiente, sinaliza o desafio do país em relação aos compromissos climáticos estabelecidos na 21ª Conferência das Partes (COP) realizada em Paris, no final de 2015. O consultor conversou com o site antes de participar do comitê estratégico de Sustentabilidade da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (13/4).


Todos os países signatários do acordo terão o desafio de honrar os compromissos da COP-21 perante a comunidade internacional, e o Brasil assumiu metas ousadas [foi o único país emergente a se comprometer a reduzir emissões de gases de efeito estufa], afirma o consultor. “O país está entre os principais emissores do planeta. Tem que diminuir as emissões do desmatamento, mas trabalhar outros campos, como energia, transportes, agricultura e restauração florestal.”


No dia 21/4, 171 países se reuniram na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York para ratificar o tratado, de acordo com o secretário-geral da entidade, Ban Ki Moon. O Brasil está entre eles. O acordo deve entrar em vigor em 2020, tendo como um dos principais objetivos limitar o aumento de temperatura global no século 21 em até 2 graus Celsius.


Feldmann cita a crise política como um desafio adicional para o cumprimento da proposta brasileira, que foi apresentada à ONU em documento chamado de INDC. O Brasil prevê reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 (em relação aos níveis de 2005), aumentar em 45% a produção de energias renováveis (incluindo hidrelétrica), zerar o desmatamento ilegal em quinze anos e restaurar 12 milhões de hectares de florestas.


“O INDC vai ter que ser pactuado. Uma parte diz respeito ao governo federal, mas muito tem a ver com os governos estaduais e municipais. Nesse sentido, acho que temos que construir as condições para o Brasil cumprir essa lição de casa”, comenta.

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